Empresas e usuários da travessia hidroviária entre Rio Grande e São José do Norte têm dúvidas sobre a viabilidade da aguardada ponte que conectará os dois municípios, com licitação prometida para o fim do ano. Enquanto o projeto avança em seus trâmites legais, a infraestrutura atual, composta por balsas e lanchas para pedestres, é alvo de críticas e pedidos de melhoria.
A luta pela construção da ponte já dura mais de 50 anos. A justificativa é clara: fomentar o desenvolvimento regional e estadual, especialmente considerando a relevância do setor portuário e o potencial turístico. Segundo a prefeita de Rio Grande, Darlene Pereira, em entrevista ao Jornal do Comércio, o projeto executivo da obra deve ser licitado até o fim de 2025. No entanto, para muitos, a concretização da obra ainda parece um sonho distante.
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Atualmente, duas empresas realizam cerca de 26 travessias diárias por balsas. Apesar de reconhecerem a importância de uma ligação terrestre, trabalhadores e usuários destacam os desafios diários enfrentados no transporte aquaviário. Segundo Rudi Becker, proprietário de um dos serviços em operação no local, "os caminhões atolam com qualquer chuva, e a infraestrutura em São José do Norte é praticamente inexistente, sem sequer banheiros adequados".
Além disso, Becker aponta a falta de apoio das autoridades e questiona a viabilidade do fluxo necessário para justificar a ponte: "Talvez meus netos vejam essa ponte, com sorte. Enquanto isso, fazemos o possível para atender a demanda com as duas embarcações que temos".
No transporte por balsas, atualmente um veículo de passeio paga cerca de R$ 50,00 por travessia, enquanto caminhões podem desembolsar até R$ 500,00 para cruzar o canal. A passagem de pedestres, por sua vez, é realizada por lanchas, com tarifa de R$ 6,50.
Entre os usuários, muitos reconhecem a importância da ponte, mas defendem que melhorias imediatas na infraestrutura atual seriam mais urgentes. Caminhoneiros ouvidos pela reportagem, por exemplo, ressaltam que estradas precárias e falta de manutenção impactam diretamente o transporte na região.
Ainda assim, lideranças como Jair Rizzo, coordenador da Comissão Regional Pró-Ponte, permanecem otimistas. Ele acredita que a ponte será um divisor de águas para o turismo e desenvolvimento local. Com o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental aprovado, o próximo passo será a liberação dos projetos executivos, prevista para este mês de janeiro, conforme informações do Jornal do Comércio.
Até o momento, não há definição sobre o ponto exato em que será construída a ponte, mas a tendência é que ela tenha 3,8 km de extensão em linha reta desde o Clube de Regatas Rio Grande, na avenida Honório Bicalho até o Arroio do Laracha, em São José do Norte.