Pães de longa fermentação, esfirras, focaccias, cookies e o famoso Canelinha. Essas são algumas das opções da nova padaria artesanal que abriu as portas há cerca de um mês, na avenida Venâncio Aires, no bairro Farroupilha. Apesar da loja física estar aberta há apenas algumas semanas, a Boule Pane Padaria Artesanal nasceu no fim de 2024. O negócio é comandado pelas noivas Victória Fonseca e Júlia Cabral. Formadas em Gastronomia, a história do casal começa em uma padaria de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha.
“Nós duas somos cozinheiras, e eu sou padeira faz uns quatro anos”, conta Victória. Natural de Porto Alegre, a empreendedora sempre gostou da panificação. Júlia, por sua vez, chegou ao Rio Grande do Sul há 14 anos. A cozinheira veio do Rio de Janeiro e, desde que chegou ao Estado, morava na Serra Gaúcha. “Em Bento, trabalhei em alguns restaurantes e depois na padaria em que nos conhecemos. Sempre tive vontade de morar em Porto Alegre pela quantidade de oportunidades e a Vic também estava insatisfeita com o trabalho lá”, conta Júlia, sobre o que motivou a mudança para a Capital.
Em Porto Alegre, ambas seguiram trabalhando em restaurantes e padarias até que, no fim de 2024, Victória resolveu transformar um espaço da casa dos pais em uma cozinha para fabricação de pães artesanais. No início de 2025, ela lançou a marca Boule Pane Padaria Artesanal, com a ideia de comercializar os produtos somente de forma online e em feiras. “Montei o Instagram da marca, fiz algumas feiras livres e comecei a juntar coragem”, comenta.
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Antes de começarem a planejar o negócio físico, as sócias construíram uma rede de contatos. “Começamos a ser conhecidas, porque fazíamos eventos com nossos colegas, também chefs, e outros restaurantes que trabalhei e sempre comentava sobre os pães da Vic”, explica Júlia, comentando que essas trocas resultaram em parcerias. Atualmente, a Boule Pane Padaria Artesanal fornece produtos para restaurantes como a Grani Pizzaria, o Meio Cheio e o Okpo.
A produção gira em torno de 20 a 30 pães por dia, número que aumenta aos sábados
JÚLIA FERNANDES/ESPECIAL/JC
Após perceberem que a marca não tinha mais como crescer no formato online, as sócias decidiram que era o momento de investir em uma loja física. “Já não estava mais satisfeita com a cozinha também. Começamos a nos organizar, contamos muito com a família da Vic, que nos encorajou muito, e assim chegamos aqui”, relata Júlia, comentando que está contente com a nova operação, que, no dia a dia, conta com as duas sócias e Cláudia Fonseca, mãe de Victoria.
A transição no formato do negócio veio acompanhada de alguns desafios, como lidar com questões administrativas, negociar com fornecedores e adaptar a produção para o atendimento presencial. Outro aprendizado foi entender o comportamento dos clientes e planejar a quantidade ideal de produtos para abastecer a vitrine durante todo o dia. "Tem que entender o que o cliente quer, quanto de pão sai para produzir e manter a vitrine bonita até o fim da tarde. A gente ainda está aprendendo muita coisa, mas está dando certo", afirma Júlia.
Além dos pães de longa fermentação, a vitrine reúne focaccias, esfirras, cookies, croissants e doces preparados diariamente
JÚLIA FERNANDES/ESPECIAL/JC
Para Victória, o maior desafio foi ampliar uma produção, que antes era feita sob encomenda, para uma operação diária. Os pães de fermentação natural, por exemplo, começam a ser preparados dois dias antes de chegarem ao balcão. O fermento precisa ser alimentado, a massa descansa durante a noite e só então segue para o forno na manhã seguinte.
Hoje, a produção gira em torno de 20 a 30 pães por dia, número que aumenta aos sábados. Além dos pães de longa fermentação, a vitrine reúne focaccias, esfirras, cookies, croissants e doces preparados diariamente. Entre os campeões de vendas está a focaccia, que acompanha a padaria desde a época das feiras e ganha sabores sazonais, como a combinação de pêssego com gorgonzola, custando R$ 28,00.
Outra estrela do cardápio é o Canelinha, releitura do tradicional cinnamon roll criado pelas sócias. Com formato trançado e fermentação lenta, o doce costuma esgotar antes do fim do expediente. "A gente mudou o formato, mas manteve a mesma massa e o mesmo recheio. Foi um teste que deu certo. Tem cliente que chega e leva todos os que estão na vitrine", conta Victória. As opções do cardápio, variam entre R$ 8,00 e R$ 28,00.
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A escolha do endereço também contribuiu para o bom começo da operação. Depois de visitar diversos imóveis, as empreendedoras encontraram o ponto na avenida Venâncio Aires e decidiram apostar na região. A reforma foi feita praticamente pelas próprias sócias, com apoio da família, que também auxilia na rotina da padaria.
Segundo elas, a recepção dos moradores do bairro superou as expectativas. Muitos acompanharam a reforma e hoje se tornaram clientes frequentes. "A gente imaginava que o começo seria mais difícil, mas fomos surpreendidas. Tem vizinho que vem quase todos os dias comprar pão. Isso mostra que fizemos a escolha certa", celebra Júlia.

