Júlia Fernandes

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Repórter

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Negócios

Com investimento inicial de R$ 40,00, negócio produz mais de 400 cookies por dia no bairro Petrópolis

Atualmente, o La Cookiearacha conta com cerca de 20 sabores de cookies, além das opções de brownies
"O café é especial, porque o nosso cookie é especial também", resume Paulo Patta, empreendedor à frente do La Cookiearacha — Cookies & Brownies (@cookiearacha), que, pela primeira vez, está entre os estabelecimentos participantes da Rota das Cafeterias. O negócio, fundado ainda na pandemia de Covid-19, ocupa um ponto físico na rua Barão do Amazonas, no bairro Petrópolis, há quase quatro anos. Inicialmente, o local comercializava somente os cookies e brownies, porém, a partir de uma demanda dos clientes, o cardápio passou a ser mais explorado, com destaque para os cafés especiais.
"O café é especial, porque o nosso cookie é especial também", resume Paulo Patta, empreendedor à frente do La Cookiearacha — Cookies & Brownies (@cookiearacha), que, pela primeira vez, está entre os estabelecimentos participantes da Rota das Cafeterias. O negócio, fundado ainda na pandemia de Covid-19, ocupa um ponto físico na rua Barão do Amazonas, no bairro Petrópolis, há quase quatro anos. Inicialmente, o local comercializava somente os cookies e brownies, porém, a partir de uma demanda dos clientes, o cardápio passou a ser mais explorado, com destaque para os cafés especiais.
"Não tinha café aqui, eram só os cookies e as pessoas pediam café. Em um primeiro momento, servíamos os cafés tradicionais, mas a galera que frequentava achava horrível", conta Paulo. Pouco tempo depois, a negativa dos clientes virou motivo para o empreendedor realizar um curso de barista na Baden Torrefação.  
"Foi incrível, sensacional o curso. Tive muito apoio e suporte da parte deles depois do curso também. Por enquanto, trabalhamos só com café passado, mas queremos colocar uma máquina de espresso", conta. 
Atualmente, o La Cookiearacha conta com cerca de 20 sabores de cookies, além das opções de brownies. Entre os preparos estão os de sucrilhos, oreo, kinder, brigadeiro e doce de leite, com destaque para o de red-velvet e o de nutella, que são carros-chefes da operação. Os cookies custam a partir de R$ 15,00. 
A La Cookiearacha oferece mais de 20 sabores de cookie | JÚLIA FERNANDES/ESPECIAL/JC
A La Cookiearacha oferece mais de 20 sabores de cookie JÚLIA FERNANDES/ESPECIAL/JC
Segundo Paulo, a receita base dos cookies mudou e melhorou com o passar dos anos. Atualmente, o empreendedor dá preferência a produtos mais selecionados. "Hoje, usamos a baunilha em fava, manteiga, o que a maioria das receitas de cookies substitui por um tipo de gordura inferior, chocolate nobre e cacau belga. Optei por produtos mais caros para melhorar a receita final", explica o empreendedor. De acordo com ele, o interesse pelo curso de barista, segue nessa mesma linha de entregar qualidade e informar o consumidor. 
"Preciso explicar para as pessoas sobre o meu produto e por que ele é mais caro do que um cookie de supermercado. Da mesma forma, acontece com o café especial, que custa mais caro por ser um produto de maior qualidade, com origem.
Na parte de cafés quentes, o local oferece o tradicional passado, o V60, affogato e cappuccino. Entre os gelados, estão o iced mocha, iced caramel, orange coffee e iced latte. Os cafés variam entre R$ 8,00 e R$ 24,00.  

De 20 a 400 cookies por dia

A primeira cozinha do negócio de Paulo e Rafaela Florence, namorada e sócia do empreendedor, começou no apartamento do casal. "Em 2019, começamos a fazer alguns testes com cookies e docinhos e vendíamos no Gasômetro, mas sem experiência nenhuma em gastronomia", conta o proprietário da La Cookiearacha. 
Doutor em biologia molecular, Paulo abandonou o pós-doutorado e decidiu apostar no negócio de cookies. Mesmo sem terem experiência no segmento gastronômico, os empreendedores arriscaram. Na época, Rafaela atuava como técnica de enfermagem da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Covid, no hospital matriz do Grupo Hospitalar Conceição e estudava enfermagem, e os cookies também foram uma forma de escapar do período difícil. 
"A receita original da massa é da Rafaela, ela que começou a coisa. Teve um momento que falei 'deixa eu fazer um teste com outros ingredientes e outro processo'", conta Paulo, comentando que no mesmo tempo em que a bolsa de estudos acabou, o casal começou a vender os preparos em aplicativos de delivery
"Trouxe um pouco da experiência de laboratório, de insistir, mudar a receita até dar certo. Brinco que nosso investimento inicial foi de R$ 40,00. Compramos uma manteiga no mercado, uma farinha, tínhamos algumas coisas em casa", relata o empreendedor, detalhando que os demais ingredientes foram comprados a partir das vendas dos primeiros cookies. 
O negócio que começou com vendas só para amigos, familiares e conhecidos, passou a atender um público maior. Com isso, o casal foi se equipando melhor e buscando novas receitas. Para acompanhar o crescimento da demanda, eles decidiram dar um passo maior. "No final de 2021, pensamos em fazer uma aposta, alugar uma loja. Em 2022 viemos para cá, todo mundo botou a mão", lembra Paulo. A mudança para o ponto físico exigiu adaptações e em novembro daquele ano, a loja ficou pronta e os atendimentos começaram de forma simples.
"Começamos quase como crianças vendendo limonada. Botamos uma mesa em frente à loja, com uma pequena estufa, e ficávamos atendendo as pessoas desse jeito", conta o empreendedor.
Desde então, a criatividade passou a ser uma das marcas da operação. Paulo explica que gosta de desenvolver novas receitas e testar combinações, muitas vezes inspiradas por sugestões dos próprios clientes. "Faço docinhos, tenho ideias e posso testar as receitas, e isso é muito divertido. O pessoal dá sugestões, os clientes, e eu vou explorando", diz.
A base de toda a produção continua sendo a mesma criada nos primeiros anos do negócio. "O primeiro produto foi a massa do cookie de baunilha, que vira todos os outros cookies. Todos partem da mesma base", explica.
A La Cookiearacha trabalha com os cafés da Baden Torrefação  | JÚLIA FERNANDES/ESPECIAL/JC
A La Cookiearacha trabalha com os cafés da Baden Torrefação JÚLIA FERNANDES/ESPECIAL/JC
O crescimento da produção acompanhou a popularidade da marca. Se no início eram preparados apenas 24 cookies por dia em uma pequena batedeira doméstica, hoje o cenário é outro. "Compramos aquela batedeira com o dinheiro das primeiras vendas. Depois começamos a precisar fazer mais de uma massa por dia, às vezes até três. Tivemos que comprar uma maior", lembra.
Atualmente, a produção chega a cerca de 400 cookies por dia e conta com equipamentos industriais e um sistema de organização que permite congelar e armazenar parte da produção sem comprometer a qualidade. "Faz parte do processo o congelamento, porque isso ajuda na organização e na padronização", explica o empreendedor.
O próximo passo já está sendo pensado, mas sem pressa. Segundo o empreendedor, a ideia é estruturar o negócio para, futuramente, trabalhar com franquias ou fornecer produtos para outros estabelecimentos. "Já pensamos em um modelo de franquia ou em vender os produtos para outros lugares, mas cheguei recentemente nessa receita que considero ideal. Então vamos devagar", afirma.