Pedro Pimenta comanda a Da Vinci Clinic, que atua na reabilitação de amputados por meio de próteses

Pedro Pimenta leva experiência como treta-amputado para negócio que promove reabilitação


Pedro Pimenta comanda a Da Vinci Clinic, que atua na reabilitação de amputados por meio de próteses

O empresário e economista Pedro Pimenta palestrou nesta terça-feira (21) à noite, em Porto Alegre, em evento promovido pela Entrepeneurs Organization (EO). A palestra teve como tema "Superar é Viver", em que ele contou sua história, que vai desde quando foi paciente, após ter meningite, com 18 anos, até se tornar empreendedor. 
A meningite o acometeu em 2009, e Pimenta foi internado com pouca chance de sobrevivência, seguido por dois comas. Passou por amputações nos joelhos e cotovelos, que foram realizadas acima das articulações, tornando a reabilitação mais difícil. Após passar por clínicas no Brasil e Estados Unidos, acabou realizando o processo de reabilitação com veteranos de guerra do Afeganistão e Iraque em solo americano.
Foi chamado para trabalhar na empresa em que realizou o processo, Hanger Inc. Corporate, na área de Business Development, onde ficou por 10 anos. Enquanto esteve lá, Pimenta visitava clínicas e fazia anotações, e foi durante esse período que decidiu criar uma empresa reunindo os pontos positivos e críticas de cada estabelecimento.
Inicialmente, o negócio foi idealizado apenas para ser um projeto de faculdade, mas,  posteriormente, culminou na abertura de uma empresa real, a Da Vinci Clinic. Depois de uma extensa pesquisa, abriu o negócio durante a pandemia de Covid-19. A empresa atua na reabilitação de amputados por meio de próteses e órteses.
Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, Pimenta apresenta ensinamentos para empreendedores e conta sua história de superação.
GeraçãoE - Qual o foco das palestras que tu realizas para a EO?
Pedro Pimenta - As minhas palestras sempre seguem uma linha-mestra, que é minha história de superação. As pessoas estão lá para ouvir, querem saber e têm curiosidade, e causa um impacto por si só. Mas, cada lugar que eu vou demanda uma temática um pouco diferente, e ajusto certas passagens, mas principalmente a construção de uma mensagem final para o que esse público está mais interessado. Hoje, ganha destaque na minha história como eu saí de um paciente, nas clínicas de reabilitação de amputados, para um empresário do setor. Como um paciente, eu nem tinha ideia do que estava acontecendo, e na verdade, tudo aquilo estava contribuindo para eu construir uma visão de quem de fato usa esse serviço, para poder oferecer um serviço melhor na minha empresa.
GE - A EO destaca bastante o fato de tu ser o primeiro tetra-amputado a levar uma vida plena. Quais são as barreiras quando a gente fala de vida plena para pessoas tetra-amputadas?
Pimenta - A gente está acostumado com plug and play, então, não adianta você querer colocar a prótese e achar que vai sair andando. É igual você subir numa perna de pau. Você vai ter que treinar equilíbrio, treinar seu corpo, abdômen, estrutura. E quanto mais amputações você adiciona, pior vai ficando. Quem perde as duas pernas não tem o dobro da dificuldade da pessoa que perde uma. Potencializa. Você tem uma perna, e ali é seu porto seguro. Se não tem nenhuma das duas, não é duas vezes mais difícil, é muito mais difícil. Perdeu acima das articulações, mais difícil ainda. E você substituir uma perna até vai, mas uma mão? A mão humana é tão precisa. Se trata muito mais de uma adaptação da pessoa à tecnologia, do que da tecnologia já chegar funcionando como ela poderia. Quem possibilita esse funcionamento é a pessoa. O que mais conheci são pessoas na cadeira de rodas com próteses do valor de um carro guardadas no armário.
GE - E a empresa que fornece essas próteses, tem alguma estratégia que poderia adotar para diminuir esse atrito entre a pessoa e a prótese?
Pimenta - A primeira estratégia é ter uma equipe técnica com experiência suficiente para fazer próteses confortáveis. Porque o que acopla uma prótese à sua perna, que chama encaixe, é o molde da sua perna. Só que não o molde exato, porque precisa apertar em alguns lugares e soltar em outros. Então, precisa de algo que encaixe na perna dela, e seja apertado o suficiente para não soltar, mas também solto o suficiente para não machucar. Uma boa clínica começa em fazer um bom encaixe. Só nisso você descarta 95% das clínicas hoje.
GE - E desde quando começou com a Da Vinci Clinic, quais aprendizados você teve, como empreendedor gerindo um negócio?
Pimenta - Eu me considero como uma empresa. Se eu quero fechar uma palestra com um pessoal como a EO, eles precisam conseguir me encontrar. Então, eu preciso ter um marketing e um site, mas, no início, eu não tinha funcionários. E a Da Vinci Clinic foi minha primeira experiência gerindo pessoas. A partir do momento que você abre uma empresa, e tem folha de pagamento, fornecedores, custo de mercadoria vendida, aí é outra história. Mas é óbvio que temos que ter um "tino" para isso, não é para todo mundo, e tá tudo bem. Hoje há uma pressão para empreender, como se fosse o caminho abençoado e que em qualquer forma de emprego você não estaria nesse caminho. Isso é uma besteira. Empreender não é fácil, tem que ter estômago, e a maior das habilidades que precisamos ter é controle emocional. E talvez um grande aprendizado que fica é que, ao empreender, você está lidando com pessoas. O grande coração da empresa são as pessoas que fazem parte dela. Se você entende que a pessoa não é uma máquina, que não é só porque você paga em dia que ela vai fazer o que você quer, aí começa a entender como desenhar uma equipe, como contratar, que perfil você quer e como fazer essa orquestra funcionar.


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