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Publicada em 04 de Novembro de 2026 às 18:49

Ibovespa avança mais de 1% com melhora global após eleições nos EUA

Índice subiu 1,23%, aos 167.563,47 pontos

Índice subiu 1,23%, aos 167.563,47 pontos

ARTE/JC
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Agências
O Ibovespa interrompeu a sequência de seis quedas seguidas e se sustentou na faixa dos 167 mil pontos nesta quarta-feira (4), impulsionado pelo ambiente de maior propensão à tomada de risco no exterior. Nos EUA, o avanço dos Democratas na Câmara e no Senado elevou as expectativas de uma gestão menos turbulenta de Donald Trump ou de um eventual novo governo em termos comerciais e geopolíticos, elevando as expectativas de uma melhora da inflação global e, consequentemente, de uma política monetária menos restritiva no mundo.
No fim dos negócios, o Ibovespa subiu 1,23%, aos 167.563,47 pontos, depois de se aproximar dos 168 mil pontos na máxima (+1,48%). O giro financeiro no dia foi de R$ 32 bilhões.
A leitura dos profissionais de mercado é que, com uma oposição mais forte aos Republicanos, há maior chance de enfraquecimento da retórica bélica dos EUA com o Irã, com possibilidade de uma resolução nos conflitos no Oriente Médio que vêm interferindo nos fluxos globais e nos preços de energia. A escassez do petróleo levou os preços do barril a superar os US$ 100. Hoje, o contrato do Brent para janeiro cedeu 8,66%, a US$ 94,62 o barril.
Os papéis da Petrobras tombaram significativamente no dia, acompanhando a performance do petróleo e impedindo o Ibovespa de obter ganhos maiores. Outras empresas do setor, caso da Prio e Brava Energia, seguiram a tendência. Com a reprecificação do cenário inflacionário, porém, houve maior procura por outros grandes papéis da bolsa, caso dos bancos e da Vale, muito negociados inclusive pelos grandes alocadores estrangeiros.
"Temos as eleições de meio de mandato nos EUA, e um cenário mais desfavorável a Trump e mais favorável aos Democratas reduz um pouco o ruído político por lá. A percepção é de que Trump terá que negociar mais com o Congresso. Isso fechou um pouco a curva de juros americana e trouxe mais apetite para mercados emergentes", afirma o gestor de renda variável da Selo Capital, Júlio César de Paula.
Em Nova York, o EEM (iShares MSCI Emerging Markets), maior ETF ligado a ações desses mercados, com Taiwan, China, Coreia do Sul e Índia com maiores pesos, avançou 0,82%.
"Petrobras pressiona a Bolsa, mas o restante das ações acaba sendo beneficiado por esse viés de melhora da inflação. Com os juros futuros caindo, isso beneficia todas as empresas sensíveis a juros. É cedo para dizer até onde isso vai, mas o cenário é um pouco melhor", afirma a gestora de renda variável do Fator, Isabel Lemos.
Ao mesmo tempo, analistas e operadores continuam destacando que o cenário fiscal no Brasil e as dúvidas para a condução da economia no novo governo Lula ainda são impeditivos para as ações se manterem em ritmo positivo. Sem sinalizações críveis para solucionar o nível de endividamento do País, o ambiente internacional favorável a mercados mais arriscados não será capaz, sozinho, de amparar ganhos sustentáveis para a renda variável.
Nesta quarta-feira, a decisão de política monetária pelo Banco Central será um importante teste de credibilidade, diante dos desafios na frente fiscal. "Apesar do alívio no pregão, o cenário doméstico segue exigindo cautela. Nesse contexto, marcado também pelas incertezas fiscais, o mercado espera uma pausa no ciclo de flexibilização monetária, com manutenção da Selic em 13,75% ao ano", afirma a head de Produtos e Alocação da HCI Advisors, Luise Coutinho.
"A atenção estará concentrada no tom do comunicado após a decisão e, posteriormente, nos detalhes da ata. Esses documentos ajudarão a avaliar como o Copom (Comitê de Política Monetária) incorpora a piora do balanço de riscos e quais as condições considera necessárias para os próximos passos da política monetária", pontua ela.

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