* De Sapucaia do Sul
A empresa Friozem, especializada em armazenagem, distribuição e transporte de produtos alimentícios sob temperatura controlada, iniciou nesta quarta-feira (12) sua operação em Sapucaia do Sul. A instalação, no Ecoparque Lourenço&Souza, é fruto de um investimento conjunto entre os dois empreendimentos que soma R$ 100 milhões.
A relação negocial, considerada um modelo seguro para ambas as partes pelo sócio e diretor-presidente do Ecoparque, Vilmar Lourenço, está prevista para 30 anos. Em um primeiro momento, a Friozem ocupará um espaço de 17 mil metros quadrados, com uma expansão de mais 13 mil metros quadrados prevista para os próximos anos.
A ampliação gerará um novo aporte proporcional à área construída e dependerá da demanda de um mercado considerado aquecido por Filipe Christianetti, diretor de Negócios e Desenvolvimento do Ecoparque e diretor da Chico Imóveis, que é responsável pelo desenvolvimento e pela gestão do empreendimento. Ao todo, o condomínio logístico conta com 250 mil metros quadrados. E, além da recepção da Friozem, destaca-se pela operação do Mercado Livre.
Da esquerda para a direita: Vilmar Lourenço (Ecoparque Lourenço&Souza), Fábio Fonseca (Friozem) e Filipe Christianetti (Ecoparque Lourenço&Souza e Chico Imóveis)
FABIOLA CORREA/JC
No caso da Friozem, serão 30 docas para as operações logísticas, assim como 28 mil posições de pallet para os produtos a serem transportados. Além disso, há sete câmaras frigoríficas reversíveis, que podem operar cargas climatizadas ou, até mesmo, produtos supercongelados. O projeto conta com alta capacidade de movimentação e flexibilidade operacional.
Na unidade gaúcha, a paulista Friozem atende a diversas marcas. Nas câmaras congeladas, mantidas entre -18ºC e -22ºC, são conservados produtos como sorvetes, sucos concentrados e vegetais congelados em uma operação drive-in que comporta até seis pallets de profundidade a cada corredor de prateleira. Os produtos mais próximos das datas de vencimento são colocados à frente para embarcarem primeiro nas operações de logística.
Os profissionais que atuam no local podem permanecer no máximo por 40 minutos dentro do setor, devido ao frio, e, em seguida, precisam passar pelo processo de degelo. As baixas temperaturas, aliás, são capazes de congelar as cortinas plásticas que dividem as câmaras do restante da planta e até mesmo formar uma camada de gelo no piso.
Já as câmaras resfriadas são mantidas entre 0 e 5ºC e, no caso das visitadas pela reportagem, são dedicadas aos clientes de “picking”. Ou seja, aqueles nos quais a empresa aluga o espaço e contrata a operação logística da Friozem. Entre eles, estão marcas como a Dália Alimentos e a Vigor. A indústria de laticínios Tirol, por sua vez, em alguns dos ambientes, também realiza a operação logística.
Chegada da empresa paulista ao Ecoparque foi motivada por questões climáticas
Até o momento, a Friozem possuía um centro de distribuição em Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre, mas que foi impactado pelas enchentes de 2024. A partir de então, passou a ser buscada uma alternativa que desse a segurança necessária para a manutenção do empreendimento, fator que foi relembrado pelos dirigentes do Ecoparque e da Friozem.
A história vivida pela Friozem, aliás, fez com que o fundador Fábio Fonseca, hoje aposentado, se lembrasse de quando iniciou o empreendimento em solo paulista, no ano de 1976. Em ambos os casos, conforme ele, o apoio gaúcho foi essencial.
Ele relata que, em 1975, viajou ao Rio Grande do Sul com o pai, após a casa da família ter sido dada ao banco como garantia do pagamento dos fornecedores da empresa que estava instalando — e que seria inaugurada como Friozem no ano seguinte.
Fundador da Friozem, Fábio Fonseca, relembra do apoio que recebeu dos gaúchos em 1975, quando estava estruturando a empresa em São Paulo
FABIOLA CORREA/JC
"O fabricante de equipamentos, que era o que ainda faltava para começarmos a operar, fez uma reunião e o presidente disse ‘guri, botamos fé em você porque seu pai foi muito corajoso em colocar a casa dele na sua mão, se ele fez isso, eu também vou fazer, volte aqui quando estiver com o cliente faturando e, aí, me paga’. Me deu seis meses de crédito e forneceu 100% dos equipamentos da Friozem", comenta o empresário.
A impressão que o Rio Grande do Sul deixou ao paulista foi a melhor possível: "Ali eu fiquei com uma impressão do que era realmente ser gaúcho. Eles provaram que acreditar num empresário faz a diferença. Conquistei muitos clientes e paguei eles. E agora, nas enchentes, meus filhos tiveram que fazer a mesma coisa, pedir para os gaúchos para inaugurar isso aqui. E eles aguentaram”, acrescentou.
Seu filho, homônimo e, hoje, diretor-presidente da Friozem, também relembrou o momento. Mas o destaque de sua fala foi justamente para a questão climática: “No momento em que estive em Esteio, entre maio e junho do ano passado, foi uma visão de guerra que presenciei. Um clima totalmente insalubre na unidade, com os produtos todos deteriorados e os funcionários trabalhando com equipamentos dos pés à cabeça e máscara de oxigênio para respirar aquele ar insalubre. Isso nos trouxe muita motivação para poder seguir em frente”, acrescentou.
Durante o impasse, entre o fim das operações em Esteio e o início em Sapucaia do Sul, o Ecoparque Lourenço&Souza serviu como base das operações de transporte da Friozem de maneira improvisada, com contêineres para armazenagem dos produtos dos clientes. “Nós socorremos a Friozem, que estava lá, atingida por duas enchentes sucessivas, amargando grandes prejuízos. E eles nos socorreram de forma a acelerar essa grande obra, a transformando na maior arrecadação de Sapucaia do Sul”, considerou o sócio e diretor-presidente do Ecoparque, Vilmar Lourenço.
Seu filho, homônimo e, hoje, diretor-presidente da Friozem, também relembrou o momento. Mas o destaque de sua fala foi justamente para a questão climática: “No momento em que estive em Esteio, entre maio e junho do ano passado, foi uma visão de guerra que presenciei. Um clima totalmente insalubre na unidade, com os produtos todos deteriorados e os funcionários trabalhando com equipamentos dos pés à cabeça e máscara de oxigênio para respirar aquele ar insalubre. Isso nos trouxe muita motivação para poder seguir em frente”, acrescentou.
Durante o impasse, entre o fim das operações em Esteio e o início em Sapucaia do Sul, o Ecoparque Lourenço&Souza serviu como base das operações de transporte da Friozem de maneira improvisada, com contêineres para armazenagem dos produtos dos clientes. “Nós socorremos a Friozem, que estava lá, atingida por duas enchentes sucessivas, amargando grandes prejuízos. E eles nos socorreram de forma a acelerar essa grande obra, a transformando na maior arrecadação de Sapucaia do Sul”, considerou o sócio e diretor-presidente do Ecoparque, Vilmar Lourenço.