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Patrícia Comunello

Patrícia Comunello

Publicada em 30 de Junho de 2024 às 23:46

"Não é programa de manutenção de emprego. É o bolsa mancha", critica Bohn, da Fecomércio-RS

Bohn aponta uma incerteza: "Empreendedores se perguntam se vão perder de novo"

Bohn aponta uma incerteza: "Empreendedores se perguntam se vão perder de novo"

fotos: Carlos Macedo/Fecomércio/Divulgação/JC
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O governo deu mais prazo para empresas aderirem ao auxílio de dois salários mínimos. Mais que adiar, as empresas querem mais tempo, alerta o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, à coluna Minuto Varejo. Segmentos do comércio e dos serviços querem recursos a fundo perdido e regras trabalhistas mais flexíveis, principalmente para evitar demissões.Minuto Varejo - Dois meses depois das cheias, como está a retomada?Luiz Carlos Bohn - Mais que saber se vão conseguir se recuperar, os empreendedores se perguntam se vão perder de novo. Precisam se preparar de forma diferente. O fator pessoal pesa muito, pois muitos sofreram com os alagamentos. Uma empresa são pessoas acima de tudo. Além disso, muitos buscam dinheiro emprestado e não sabem se poderão pagar.MV - O que se espera do governo federal?Bohn - O governo está se fazendo de surdo ou está surdo. Vieram recursos para as pessoas, mas temos necessidade de bilhões de reais a fundo perdido. É dinheiro novo. A Fecomércio-RS reavaliou em R$ 20 bilhões as perdas, que antes eram de R$ 10 bilhões. Até dezembro, o PIB deve recuar 5%. Houve liberação de Pronampe, linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e auxílios a famílias, mas não fez nenhuma medida de flexibilização da legislação trabalhista. As empresas e as pessoas pagam bilhões de reais em impostos à União. É a hora que precisamos receber mais recursos. Propusemos parar de pagar impostos federais por 18 meses nas regiões atingidas.
O governo deu mais prazo para empresas aderirem ao auxílio de dois salários mínimos. Mais que adiar, as empresas querem mais tempo, alerta o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, à coluna Minuto Varejo. Segmentos do comércio e dos serviços querem recursos a fundo perdido e regras trabalhistas mais flexíveis, principalmente para evitar demissões.

Minuto Varejo - Dois meses depois das cheias, como está a retomada?

Luiz Carlos Bohn - Mais que saber se vão conseguir se recuperar, os empreendedores se perguntam se vão perder de novo. Precisam se preparar de forma diferente. O fator pessoal pesa muito, pois muitos sofreram com os alagamentos. Uma empresa são pessoas acima de tudo. Além disso, muitos buscam dinheiro emprestado e não sabem se poderão pagar.

MV - O que se espera do governo federal?

Bohn - O governo está se fazendo de surdo ou está surdo. Vieram recursos para as pessoas, mas temos necessidade de bilhões de reais a fundo perdido. É dinheiro novo. A Fecomércio-RS reavaliou em R$ 20 bilhões as perdas, que antes eram de R$ 10 bilhões. Até dezembro, o PIB deve recuar 5%. Houve liberação de Pronampe, linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e auxílios a famílias, mas não fez nenhuma medida de flexibilização da legislação trabalhista. As empresas e as pessoas pagam bilhões de reais em impostos à União. É a hora que precisamos receber mais recursos. Propusemos parar de pagar impostos federais por 18 meses nas regiões atingidas.
MV - O Pronampe Solidário está chegando em quem precisa?
Bohn - O programa é muito bom, mas é quase uma maldade. É cruel porque não tem para todos. Só R$ 1 bilhão com 40% de garantia e rapidamente esgotou. Os bancos também buscam o bom cliente. Pedimos para elevar a R$ 3 bilhões. 

MV - Qual será o futuro das empresas?

Bohn - Os empresários se recuperam, mas vai levar mais tempo. O que podia levantar com mais velocidade, vai levar três anos. Os empregos não vão voltar. Pequenos negócios não retornarão ou serão muito menores.  
MV - Por que dois meses de salário-mínimo são pouco? 
Bohn - Não é um programa de manutenção de emprego. É o bolsa mancha, pois atende áreas atingidas pelas cheias. Gramado e Serra que são afetados não estão no CEP da mancha, mas perderam clientes. A empresa tem de declarar que vai manter os empregos e comprovar que não teve condição de pagar a folha. Tem empresa que fez de tudo - não pagou fornecedor ou outra conta -, mas pagou a folha. As regras são tortas. Tinha de usar a Lei 14.437, que flexibiliza contratos, reduz jornada e salário. Mas se é o que tem, vamos avançar. Aumentar um mês e melhorar a abrangência.

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