No complexo mundo dos negócios, no qual decisões cruciais são tomadas a cada momento, a integração entre os departamentos financeiro e contábil transcende um simples ajuste organizacional para se estabelecer como um dos pilares fundamentais para o sucesso das companhias.
A convergência dessas duas esferas, que frequentemente trabalham lado a lado, mas nem sempre de maneira coordenada, demonstra-se cada vez mais vital para a eficiência operacional, tomada de decisões embasadas e alcance dos objetivos estratégicos.
De acordo com a Sondagem das Micro e Pequenas Empresas, realizada pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), 52% das micro e pequenas empresas brasileiras estão sem reservas financeiras, sendo que 12% estão com dificuldades de pagar as contas em dia.
Os dados mostram que cuidar das finanças e ter um olhar estratégico sobre a contabilidade são fatores que contribuem diretamente para o sucesso corporativo. Já a falta de uma atuação integrada pode gerar problemas sérios que, dependendo da complexidade, levam a penalidades fiscais e prejuízos financeiros, podendo chegar a à falência.
Assim como acontece em outras áreas, a comunicação entre os setores financeiro e contábil é fundamental para promover um fluxo contínuo e transparente de informações relevantes para o negócio.
Enquanto o departamento financeiro se concentra na gestão dos recursos monetários, o setor contábil registra e interpreta esses movimentos de acordo com as diretrizes contábeis vigentes. A coleta e compartilhamento eficiente desses dados proporciona um panorama holístico da saúde financeira e econômica da empresa, permitindo que os gestores tomem decisões embasadas e antecipem cenários desafiadores.
Adriana Matos, diretora da Person Consultoria, afirma que para que os processos e a comunicação fluam, é fundamental ter os papéis bem definidos. "O financeiro está atrelado com o planejamento do negócio, ou seja, comprar, vender, captar ou aplicar recursos, faturamento, entre outras atividades. Já a contabilidade acompanha todas as transações e analisa os resultados de acordo com o perfil e objetivos da empresa", explica.
A diretora traz um exemplo prático dessa atuação: "se o financeiro identifica que é necessário fazer algum empréstimo, financiamento ou investimento, a contabilidade é indispensável, porque é ela que será a responsável por fornecer os dados para avaliar essas ações. Enquanto um lado é mais estratégico, o outro é mais analítico", completa.
A integração entre os setores financeiro e contábil também é vital para o cumprimento das obrigações fiscais. Ao garantir que os registros contábeis estejam em conformidade com as normas vigentes, as empresas podem evitar penalidades e sanções desnecessárias.
A colaboração entre os profissionais de ambas as áreas é essencial para a precisão das declarações e relatórios, mantendo a reputação e a credibilidade da empresa perante autoridades e stakeholders.
Outro fator que reforça a importância da parceria entre financeiro e contabilidade tem a ver com o uso cada vez mais comum das tecnologias, recursos que facilitam a integração no dia a dia. As empresas que adotam essas soluções tecnológicas não apenas aprimoram a eficiência, mas também conseguem ter uma análise mais profunda dos dados, revelando insights valiosos para a tomada de decisões estratégicas.
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São Paulo aposta no mercado de créditos de ICMS acumulado
As empresas que pagam mensalmente o ICMS no estado de São Paulo podem se beneficiar do mercado de créditos do imposto e adquirir, com deságios atrativos, a depender da negociação e da utilização, os créditos gerados por outras empresas, a fim de compensarem, parcial ou integralmente, o ICMS devido.
Para o Martinelli Advogados, essa operação, que é totalmente regulamentada pela Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo, representa uma oportunidade para quem compra, ao aliviar o impacto do recolhimento do tributo no caixa das empresas, mas também é uma vantagem para os detentores desses créditos.
"Uma vez esgotadas todas as formas de utilização dos créditos previstas pelo Regulamento do ICMS do estado de São Paulo, o dinheiro a que muitas empresas têm direito - e que pode chegar a somas expressivas - fica parado e se deprecia com o tempo, pois não é corrigido pela Selic", destaca Rodrigo Oliveira, especialista em Gestão de Incentivos Tributários do Martinelli.
Em São Paulo, foi criado o e-CredAc, um sistema que viabiliza a validação, a homologação, a apropriação e utilização dos créditos acumulados de ICMS. Segundo Oliveira, mesmo o Estado sendo a unidade da Federação que possui o maior rol de hipóteses de geração de créditos acumulados e o que mais devolve créditos do imposto aos seus contribuintes, em que pese não ser um processo muito célere, muitas empresas acabam com um volume de créditos elevado.
Ele lembra que o ICMS é um imposto regido pelo Princípio da Não-Cumulatividade, que prevê a possibilidade de um contribuinte descontar, a título de créditos, o tributo que já foi pago pela pessoa jurídica anterior na cadeia. Quando os créditos obtidos nas operações anteriores são superiores ao imposto devido em um determinado período, o valor apurado é descontado dos créditos e o saldo restante carregado para a apuração do mês subsequente.
Para alguns setores que gozam de benefícios fiscais em São Paulo, como o automobilístico e o farmacêutico, ou, ainda, empresas que realizam muitas exportações, esse processo se repete, e os créditos vão se acumulando ao longo do tempo. Mesmo com as diferentes formas de utilização desses valores previstas pelo Regulamento do ICMS, as empresas detentoras de créditos acabam com saldos elevados e que não são corrigidos.
São alternativas, por exemplo, a transferência para empresas do mesmo grupo ou não interdependentes; a compensação do ICMS devido na importação de mercadorias cuja entrada e o desembaraço tenham ocorrido em território paulista; a liquidação de débitos próprios ou de terceiros junto ao Estado, e o pagamento de fornecedores de insumos, materiais intermediários e de embalagem, bens destinados ao ativo permanente como maquinários e caminhões.


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