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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 14/12/2018. Alterada em 13/12 às 23h00min

Ano de muitas incertezas para produtores de grãos

Safra 2018/2019 deve se tornar a mais cara da história, alerta Farsul

Safra 2018/2019 deve se tornar a mais cara da história, alerta Farsul


/ITAMAR AGUIAR/PALÁCIO PIRATINI/JC
Thiago Copetti

O agricultor brasileiro viverá um ano de muitas incertezas, oscilações e ameaças no horizonte da produção de grãos, mas também tem algumas boas perspectivas. As maiores dúvidas são sobre para onde vai o câmbio (cuja volatilidade tende a ser grande com a guerra comercial entre EUA e China) e como ficarão os preços do frete após a alta de 2018 e tentativa de tabelamento de preços, momentaneamente suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A Federação da Agricultura do Estado (Farsul) projeta aumento acima de 3% na safra ante 2018. O problema é quanto o produtor irá colher de lucros. Na compra dos insumos, o dólar chegou a R$ 4,20, tornando a safra 2018/2019 na mais cara da história, e deverá estar em patamar significativamente inferior no momento da venda, diz o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz,

Ainda que a guerra comercial entre EUA e China possa parecer benéfica aos sojicultor brasileiro, que teria mais mercado e melhores preços, Luz avalia que a instabilidade é prejudicial. "Além de reduzir o crescimento mundial, gera excessiva instabilidade no dólar. E o grande problema do câmbio não é o valor, mas a volatilidade", explica Luz.

Para Paulo Pires, presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias (Fecoagro), 2019 será um ano de ajustes. Caso siga valendo o tabelamento do frete e a moeda norte-americana continue em baixa, os ganhos do produtor serão mínimos ou nulos. "Será um ano de ajustes e nada fácil. Mas temos uma perspectiva melhor com o novo governo, que promete apoiar o setor", analisa Pires.

Para a Farsul, a maior queda de plantio será no arroz, com área plantada 6,5% menor em relação a 2018, quando já foi reduzida em 3,2% sobre 2017. O milho, apesar de uma área projetada com 3,4% de expansão, deve gerar receita quase 16% menor. Apesar da previsão de produção maior, os preços devem cair. O Valor Bruto da Produção (VBP) do grão deve ter a única queda entre os principais cultivos, de R$ 2,6 bilhões para R$ 2,2 bilhões. No somatório dos quatro principais cultivos, o VBP deve ficar em R$ 32,76 bilhões, alta de 1,5% em relação ao ciclo 2017/2018.

No âmbito do Mercosul, apesar da crise da Argentina, os espaços que poderiam beneficiar o Brasil estão sendo ocupado pelo Paraguai, como no caso da oferta de trigo. "Precisamos é permitir que o produtor também tenha acesso livre para a compra de insumos no Mercosul. Há produtos que chegam a custar 400% mais no Brasil", critica o presidente da Farsul, Gedeão Pereira.

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