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Infraestrutura

Notícia da edição impressa de 14/12/2018. Alterada em 13/12 às 23h00min

Obras bilionárias chegam à área de transmissão

Há dúvida ainda se projetos eólicos gaúchos poderão participar de certames no próximo ano

Há dúvida ainda se projetos eólicos gaúchos poderão participar de certames no próximo ano


VISUALHUNT/DIVULGAÇÃO/JC
Jefferson Klein
Quem gosta de futebol sabe que o único consolo para um torcedor, quando seu time perde um campeonato importante, é que poderá tentar novamente no ano seguinte. Sensação parecida é vivida pelos agentes da área de energia no Rio Grande do Sul. Depois de verem frustradas as expectativas de que a Eletrosul iniciasse uma série de importantes obras de transmissão no Estado, a perspectiva é que essas ações sejam conduzidas por outros empreendedores já a partir de 2019.
A estatal brasileira não teve fôlego financeiro para ir adiante com esses projetos e teve malsucedida sua tentativa de repassá-los para a chinesa Shanghai Electric. No final, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu relicitar o direito de fazer essas obras e o leilão será disputado no dia 20 de dezembro deste ano ainda. O edital do certame foi aprovado em novembro e prevê a contratação de 7.152 quilômetros de novas linhas de transmissão espalhadas pelo Brasil.
O total dos lotes compreendem investimentos nos estados do Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. A estimativa é de que as empresas vencedoras invistam R$ 13,17 bilhões nas linhas, com geração de 28 mil empregos. Entre esses empreendimentos que serão oferecidos, estão as linhas no Rio Grande do Sul cujo contrato com a Eletrosul teve caducidade declarada.
Os complexos que seriam feitos pela estatal foram inseridos nos lotes 10 a 13 do próximo leilão e preveem investimentos de cerca de R$ 4 bilhões na construção de linhas e subestações para o atendimento na Região Metropolitana de Porto Alegre e o escoamento de geração dos projetos termelétricos e eólicos do Estado. Além das obras que seriam realizadas pela Eletrosul, no certame foi acrescido um novo lote, o de número 14, abrangendo obras que ligam os sistemas de transmissão gaúcho e catarinense. O investimento nessas estruturas é estimado em cerca de R$ 1,2 bilhão.
A secretária estadual de Desenvolvimento Econômico e de Minas e Energia, Ciência e Tecnologia, Susana Kakuta, está confiante que, no próximo ano, as linhas e subestações começarão a sair do papel. A dirigente comenta que "fatiar" em lotes as obras, como será feito na disputa do dia 20 de dezembro, possibilita que um número maior de players ingresse no negócio, reduzindo os riscos. Susana enfatiza que esses empreendimentos são fundamentais para que novos projetos gaúchos de energia, principalmente na área eólica, voltem a disputar leilões de geração. Sem esse conjunto de linhas e subestações, o Rio Grande do Sul encontra-se com sua capacidade de escoamento de eletricidade praticamente esgotada.
O presidente do Sindicato das Empresas de Energia Eólica do Rio Grande do Sul (Sindieólica-RS), Guilherme Sari, brinca e diz que vê "bons ventos" para 2019. Entre as perspectivas positivas, o dirigente cita justamente a realização das linhas e subestações que anteriormente seriam feitas pela Eletrosul. Porém, Sari comenta que algo que não está muito claro é como serão negociados pela estatal todos os seus projetos de licenciamentos ambientais já feitos com o novo empreendedor que assumir as obras.
O presidente do Sindieólica-RS reforça que, do ponto de vista empresarial, não faz sentido perder esses ativos. "Mas o que pode acontecer é uma supervalorização e o novo investidor decidir fazer seus próprios estudos", supõe Sari. Esse cenário poderia implicar mais demora para a realização das obras, apesar de a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) já estar a par dos empreendimentos. Se tudo transcorrer sem contratempos, o presidente do Sindieólica-RS acredita que é possível antecipar a finalização dos complexos (pelo edital, os lotes de 10 a 13 teriam prazo de 48 meses para serem concluídos).

Participação em leilões é incerta

Apesar das expectativas otimistas, o presidente do Sindieólica-RS, Guilherme Sari, admite que não é possível afirmar com certeza se projetos eólicos gaúchos poderão participar de leilões de energia no próximo ano. Isso porque os cronogramas dos empreendimentos de geração precisariam seguir em paralelo aos das obras de transmissão que serão feitas no Estado. Não adiantaria, por exemplo, concluir os parques eólicos sem ter condição de fluir a energia desses complexos.

O que pode ocorrer é que iniciativas eólicas no Rio Grande do Sul fiquem impedidas de participar de disputas que exigem mais rapidez para a entrega de energia (como o A-3, que prevê três anos para iniciar o fornecimento) e concorrerem em certames de maior prazo como o A-5 (cinco anos para gerar a eletricidade).

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