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Jornal do Comércio

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Formação

02/09/2018 - 16h58min. Alterada em 02/09 às 19h10min

Expointer se transforma em uma grande sala de aula

Camilo Pereira Feijó está no curso de técnico em zootecnia

Camilo Pereira Feijó está no curso de técnico em zootecnia


MATHEUS PICCINI/ESPECIAL/JC
Patrícia Comunello
Quem vê Camilo Pereira Feijó na lida pesada dos animais no pavilhão dos grandes animais na Expointer jamais vai dizer que ele está prestes a concluir o curso técnico em Zootecnia na Zona Sul do Estado. Feijó, 27 anos, é um típico estagiário como muitos que percorrem a área da feira agropecuária. Por nove dias, a principal mostra de genética da pecuária na América do Sul também vira uma imensa sala de aula a céu aberto, que vai da formação técnica ao Nível Superior. Para os estudantes das áreas ligadas ao campo, não há lugar melhor para conseguir experiência.  
"Trabalho como se fosse o cabaneiro. Limpo as camas dos animais, coloco o penico paro aparar o coco e o xixi", lista o jovem, que continua a descrever. "Mantenho a areia rastilhada e a alimentação. Dou banho nos animais. Passo os dias em função deles", resume o jovem. A diferença frente a outros programas de estágio, é que o da lida campeira não é remunerado. Na feira, estagiários têm local para dormir e alimentação. Faz parte da formação fazer seis meses de prática.
A abertura para os alunos mostra que as propriedades cada vez precisam mais dos técnicos. "Hoje não querem alguém sem um diploma para atuar como campeiro", detecta o futuro profissional. Feijó comenta que o setor está mais valorizado e abrindo vagas. O piso é de R$ 3,5 mil. No Estado, as fazendas 'pagam menos', diz ele, que está de olho no mercado do Mato Grosso e Nordeste, que pagam mais. "Mas quero ser freelancer para trabalhar em vários locais. Quero ter esta flexibilidade", explica o ainda estudante.  
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Cesca veio ao parque com grupo de alunos de Zootecnia do instituto federal de Sertão 
Já Darlan Cesca, 24 anos, está no sexto semestre da graduação em Zootecnia no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFRS), campus Sertão, Norte do Estado. Cesca estreou em estágio e também na lida na Expointer, vindo com mais 15 colegas. "Limpo corredores, trato gado, cuido do banho. Na formação, a gente trabalha nisso e em melhoramento genético", observa o futuro zootecnia. "O mercado está bem aquecido mesmo. Minha ideia é abrir um negócio próprio, trabalhar com ovinos e gado de corte. Quero empreender, não quero ficar de empregado não", avisa o estudante de Sertão.  
Jasmyne Robattini e os colegas Pâmela Dallarosa, Paola Juchem, Rogan Kummer, Gabriella Velho e Leonardo Paul que cursam Medicina Veterinária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), eram avistados facilmente nas incursões pelo parque. Andavam sempre em grupo e vestindo macacões azuis. Os estagiários da Ufrgs percorriam pavilhões auxiliando nos cuidados com os animais. "É uma grande oportunidade, sair um pouco da sala de aula e colocar a mão na massa", diz Jasmine. Rogan Kummer lembra que um dos maiores ganhos é a experiência. "Não tem comparação. Interagimos com quem está há mais tempo no curso", cita Kummer.
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Jasmyne (segunda da esq/dir) com os colegas 
O professor de Medicina de Bovinos da Veterinária da Ufrgs André Dalto disse que 2018 registrou recorde de estagiários no programa de extensão que é feito há 30 anos na exposição. No total, 93 alunos se inscreveram e foram distribuídos em turnos para garantir cobertura nos nove dias de feira e 24 horas do dia. O trabalho é voluntário e é aberto a interessados que esteja cursando qualquer semestre da faculdade. Toda a atuação tem supervisão de Dalto.
O professor observa que o projeto de extensão permite que os alunos atendem casos muito diversos de problemas, a maior parte ligada ao estresse causado pelo transporte e permanência na feira, que afeta o metabolismo dos animais. "É a oportunidade de colocar em prática toda teoria que têm em sala de aula e ver casos que só aprendem em livros", ressalta Dalto. "Muitos não têm contato com animais que vivem no interior." Terminado o estágio, os alunos e professores fazem a discussão de todos os casos, para reforçar o aprendizado. 
O presidente da Associação Gaúcha de Professores Técnicos de Ensino Agrícola (Ageptea), Fritz Roloff, reforça a importância do estágio e cita que a entidade fez novas instalações na sede no parque para receber os alunos. Roloff diz que 15 das 26 escolas agrícolas estaduais mandaram alunos este ano. O dirigente acredita que mais unidades podiam ter projetos na feira, mas o segmento vive esvaziamento, redução de alunos, professores e verbas.
"Cerca de mil alunos se formam por ano, mas já foram 1,4 mil até meados dos anos 2000", compara Roloff. Além disso, falta motivação para muitos estudantes quererem fazer os estágios. Mesmo quem completa a formação agrícola, acaba não buscando a área. Para o presidente da Ageptea, é preciso mais integração entre as pastas da Educação, Agricultura e Desenvolvimento Rural para melhorar as escolas e atrair mais anos. "As áreas não se integram. Isto tem de ser prioridade", cobra Roloff. Um grupo de trabalho for criado há dois anos pelo Estado, mas há pouco avanço em ações práticas.
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