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Construção Pesada

Notícia da edição impressa de 25/05/2018. Alterada em 25/05 às 11h06min

Setor de construção pesada encolhe junto com investimentos em infraestrutura

CLAITON DORNELLES/JC
A leve recuperação no cenário econômico, sentida por alguns setores, ainda está longe de chegar à construção pesada. Extremamente dependentes dos investimentos públicos em obras de infraestrutura, as empresas foram atingidas em cheio pelo corte de recursos promovido pelos governos em nome do ajuste fiscal. Segundo dados do Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Rio Grande do Sul (Sicepot), havia cerca de 120 empresas atuantes no Estado, antes da crise. Hoje, esse número caiu para cerca de 80. E pode cair ainda mais, já que muitas estão reduzidas e podem fechar, outras estão mudando o ramo de atuação.
O presidente do Sicepot, Ricardo Nunes, afirma que o fomento à atividade só ocorre de três maneiras: com investimentos públicos em infraestrutura, o que é o mais comum, por meio de concessões ou de PPPs. No entanto, segundo ele, o ritmo dessas três modalidades está lento ou parado, deixando o setor à míngua. Em função da burocracia que envolve os processos de licitação e orçamento, os últimos lotes de concessões na área de logística, por exemplo, foram um fracasso retumbante, na opinião de Nunes. Várias empresas devolveram depois de um longo e penoso empurra-empurra com os Tribunais de Contas.
"Enquanto a Emenda Constitucional limita o teto de investimento em infraestrutura, duas contas incontroláveis, que são a previdência e os gastos com pessoal, continuam crescendo. Portanto, o primeiro passo para voltarmos a pensar em sobreviver é fazer as reformas", salienta Nunes. Ele acrescenta ainda que os gastos com obras públicas não podem ser demonizados, já que geram muitos empregos e riquezas, além de melhorar o dia a dia das pessoas que vivem nas cidades e no campo. "Quando tivermos a BR-116 pronta, a sociedade gaúcha terá o retorno de todo o investimento em apenas dois anos, pelo aumento médio da velocidade dos caminhões na pista. Com isso, o preço dos fretes cai e reduz os custos em todas as cadeias", afirma.
Diante desse cenário, as empresas gaúchas se equilibram. Com a demanda baixa, muitas tentam cumprir os projetos com os orçamentos defasados que não podem ser revistos - o que não dá certo, conforme Nunes. O resultado são obras ruins ou inacabadas.
Para o presidente do Sicepot, a solução passa obrigatoriamente pela eleição deste ano - que, segundo ele, já está perdido para o setor. Para que haja alguma esperança em 2019, é preciso que o País faça as reformas estruturais necessárias, liberando recursos públicos para serem aplicados em obras de infraestrutura em todos os níveis, desde o conserto de buracos nas vias centrais das cidades até obras de grande porte.
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