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Entrevista

Notícia da edição impressa de 25/05/2018. Alterada em 23/05 às 17h35min

'Passamos por crise sem precedentes', afirma Gilberto Petry

Entrevista com o presidente da Fiergs, Gilberto Petry

Entrevista com o presidente da Fiergs, Gilberto Petry


/MARCO QUINTANA/JC
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Gilberto Petry, analisa com cautela os sinais econômicos recentes. Para o dirigente, o processo de recuperação da economia será lento, e a expectativa para 2019 é de avanço em temas como a reforma da Previdência.
Jornal do Comércio - O senhor acredita em uma recuperação consistente do setor industrial?
Gilberto Petry - A produção industrial ainda está muito abaixo do nível pré-crise. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o faturamento real encerrou o ano passado 22,8% abaixo do nível de 2013. A recuperação está sendo lenta e gradual. Alguns setores já começam a apresentar resultados mais positivos, puxados principalmente por empresas que conseguem acessar os mercados internacionais. Uma recuperação consistente da economia levará tempo. Passamos por uma crise sem precedentes, que foi resolvida apenas parcialmente. Com a aprovação da chamada PEC do Teto do Gastos, o governo conseguiu ganhar tempo para resolver os desequilíbrios das finanças públicas. Porém a relação dívida/PIB continua em nível muito preocupante, e realizar uma reforma da Previdência é uma condição necessária para que a estabilidade econômica se consolide.
JC - Quanto o crescimento das exportações contribui para o setor?
Petry - A retomada das exportações está sendo importante para reativar a atividade em diversos segmentos da indústria. Por exemplo, o setor de fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias cresceu 29,9% as suas exportações no primeiro trimestre. Toda uma cadeia de matérias-primas, partes e peças começa a reagir também. O cenário externo continuará relativamente favorável, e esperamos fechar 2018 com crescimento nas exportações.
JC - Que setores deverão ser os destaques positivos da indústria?
Petry - Precisamos entender que cada setor tem o seu ritmo de expansão. De maneira geral, além da fabricação de veículos automotores, impulsionada pela retomada do consumo interno e das exportações, o segmento de celulose e papel, que teve um 2017 muito difícil, já mostra reação. A indústria de alimentos também passou por um momento difícil no ano passado, mas tende a apresentar expansão neste ano. Por outro lado, a construção civil, o setor moveleiro e todas as demais atividades que estão ligadas à decisão de consumo de longo prazo das famílias devem melhorar numa intensidade menor.

Lei trabalhista gera novos contratos

A nova legislação trabalhista já trouxe benefícios para as indústrias brasileiras, na visão do presidente da Fiergs. "Nos quatro meses de vigência da nova lei, foram geradas 10.193 vagas de trabalho intermitente, 3.791 vagas no trabalho parcial e 119 vagas na modalidade teletrabalho, também conhecido com home office. Além disso, o saldo de empregos formais no acumulado em 12 meses passou de -271 mil em outubro de 2017 para 102,5 mil em fevereiro de 2018. Em sondagens realizadas com os empresários, verificamos que essas novas modalidades de contratações tendem a crescer", afirma Petry.
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