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Porto Alegre, segunda-feira, 08 de maio de 2017. Atualizado às 21h22.

Jornal do Comércio

Panorama

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CINEMA

Notícia da edição impressa de 09/05/2017. Alterada em 08/05 às 16h56min

Terror extraterrestre: estreia Alien: Covenant nesta quinta-feira no cinema

Katherine Waterson e Michael Fassbender contracenam em novo Alien

Katherine Waterson e Michael Fassbender contracenam em novo Alien


FOX FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
Ricardo Gruner
Quando o diretor Ridley Scott lançou Prometheus (2012), muito se falou no tom pretensioso da narrativa, que se passa no mesmo universo e anos antes do clássico Alien, o oitavo passageiro - realizado pelo mesmo cineasta em 1979. Com estreia na quinta-feira, Alien: Covenant funciona como um episódio intermediário, para amarrar algumas pontas. O enredo se passa entre as duas histórias - e volta a tratar, de forma igualmente ambiciosa ao capítulo anterior, do debate sobre a relação entre ciência e fé.
A premissa tem bastante em comum aos outros dois títulos - a começar pelos personagens, tripulantes de uma nave em missão espacial. O objetivo da expedição é levar 2 mil humanos para colonizar um planeta já estudado e avaliado. Entretanto, quando um acidente acontece, o comandante Oram (Billy Crudup) é surpreendido por uma hipótese tentadora: desviar a rota para um local recém-descoberto pelo radar e com características geográficas muito semelhantes à Terra. Esse paraíso perdido, claro, também conta com seus males.
Além de Crudup, o elenco ainda conta com Danny McBride e Demián Bichir, mas são de Michael Fassbender e Katherine Waterson (que contracenaram em Steve Jobs) os personagens principais. O primeiro artista, assim como em Prometheus, interpreta um androide sintético, mas com visual de homem. Capaz de apreciar música e poesia, o robô é o responsável por auxiliar os viajantes em quaisquer que sejam suas necessidades. Já a atriz interpreta a subcomandante do veículo, Daniels. Ridley Scott havia demonstrado apreço por heroínas e repete a fórmula: da mesma maneira que Sigourney Weaver e a Noomi Rapace nos filmes anteriores, a protagonista da vez é uma mulher corajosa e disposta a enfrentar obstáculos de qualquer natureza.
Em tom e teor narrativo, também não há novidades. Alien, o oitavo passageiro definiu uma estética que se tornou parâmetro para a ficção científica de terror. Não será o mesmo cineasta que dispensará marcas que deixou para a história: está tudo ali, desde a fotografia escurecida dentro da nave, até as cenas em suspense ou o ritmo de algumas sequências. Seja com maior ou menor quantidade efeitos especiais, é inegável que hoje o capricho visual desempenha função básica no cinema hollywoodiano de gênero.
Se nesse sentido o novo filme da franquia traz mais do mesmo, o longa-metragem amplifica algumas discussões. Uma delas envolve a dinâmica entre criador e criatura, por exemplo. Os roteiristas destacam a invenção como uma espécie de poder supremo, uma possibilidade sedutora que permite tanto feitos inigualáveis como atos de vingança. A subordinação pode então ser revertida - e, dependendo dos princípios, alguém pode chamar essa mudança de evolução. Dilemas referentes a estes temas aparecem em citações diretas - o que denota que Ridley Scott não está interessado apenas em criar um clima de tensão ou dar sustos no espectador.
Mesmo que o trailer do longa-metragem entregue (ou pelo menos sugira) algumas das surpresas apresentadas ao longo de duas horas de narrativa, há de se salientar que Alien: Covenant é um filme que opera dentro de um contexto maior. Com início, meio e fim, a produção funciona se assistida de maneira isolada, mas tanto narrativa quanto tematicamente o título completa uma trilogia improvável. Não se pode dizer, portanto, que falta coerência nas ambições do diretor.
Entre deuses e astronautas, é verdade que os dois trabalhos que precedem cronologicamente a história de Alien (1979) vão longe demais em alguns pontos enquanto repetem-se em outros. Nesse sentido, há curiosidade na constatação que o trabalho com o qual Scott teve mais sucesso na ficção científica recentemente é justamente aquele com menos pretensão: Perdido em Marte (2015).
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