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Porto Alegre, segunda-feira, 10 de abril de 2017. Atualizado às 20h43.

Jornal do Comércio

Panorama

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ESTREIA

Notícia da edição impressa de 11/04/2017. Alterada em 10/04 às 16h54min

Peça Valsa nº 6 estreia amanhã em Porto Alegre

Gisela Sparremberger estrela espetáculo baseado em texto de Nelson Rodrigues

Gisela Sparremberger estrela espetáculo baseado em texto de Nelson Rodrigues


Mariana Carlesso/JC
Michele Rolim
Em uma atmosfera de sonho e devaneio, a peça Valsa nº 6, escrita em 1951 pelo dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues, estreia amanhã para o público, às 20h30min, no Instituto Ling (João Caetano, 440). O único monólogo do autor será interpretado pela atriz Gisela Sparremberger com direção de Caco Coelho.
Coelho - que foi diretor da Usina do Gasômetro de 2005 a 2014 - é especialista em Rodrigues. Trabalhou em cerca de 20 espetáculos relacionados à obra do mesmo, como os mais recentes A mulher sem pecado (2011), realizado em Porto Alegre, e Vestido de noiva (2012), no Rio de Janeiro.
O diretor também é pesquisador do "anjo pornográfico". Caco publicou O baú de Nelson Rodrigues (2004), pela editora Cia. das Letras - os textos foram coletados entre 1928 e 1935, período em que Rodrigues trabalhou nos jornais A Manhã, Crítica e O Globo. O livro compila os melhores textos do início da atividade do então repórter e crítico.
Em Valsa, intitulada nesta concepção de Valsa #6, Caco propõe diversas polifonias ao público. A montagem instiga os espectadores a se vestirem com um macacão branco da cabeça aos pés e percorrer um espaço cenográfico diferenciado - vivenciam, assim, cheiros, vozes e sensações. 
O feminicídio é o ponto de partida do espetáculo, com a história da adolescente Sônia, assassinada enquanto executa a Valsa nº 6, de Chopin. Depois de morta, tenta montar o quebra-cabeça de suas memórias e reconstruir os acontecimentos de sua vida. Gisela incorpora, além de Sônia, sua mãe, o pai, o médico Junqueira, e o sedutor Paulo.
Para essa aproximação com as personagens um texto foi decisivo, segundo Caco: o romance O homem proibido (1951). "É a história da Valsa - no entanto, o que na Valsa está fragmentado, em O homem proibido está textualizado", afirma. Rodrigues redigiu o texto na mesma época de Valsa nº 6, mas sob o pseudônimo de Suzana Flag.
"Valsa nº 6 é, talvez, o maior poema dramático de Nelson", relata Coelho. Para ele, todo o teatro de Rodrigues é absurdo, assim como Samuel Beckett, considerado um dos maiores nomes do teatro do absurdo. Rodrigues enxerga pelo "buraco da fechadura". "Ele olha para, de lá, extrair uma verdade essencial, somente atingida através do delírio", conta o diretor.
O autor que escreveu Vestido de noiva (estreada em 1943), texto determinante para a dramaturgia brasileira, contou em entrevista a Sábato Magaldi para o Diário Carioca: "Entre as minhas peças, Valsa nº 6 foi talvez a de mais difícil execução, e possivelmente a mais bem realizada".
Para Caco existe, em certa medida, um paralelo entre Valsa nº 6 com Vestido de noiva, mas há, sobretudo, uma grande diferença entre ambas, que é o estado da morte. "A morte permite transitar em qualquer situação, há um sentido de liberdade", comenta Coelho.
Depois dessa montagem, o diretor planeja se dedicar à escrita de outro livro sobre o dramaturgo - o título provisório é Brasilidade ululante, percurso da obra de Nelson Rodrigues. "O livro vai falar do cerne da obra do Nelson, que é a brasilidade em todos os campos", finaliza.
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