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Porto Alegre, quinta-feira, 23 de junho de 2016. Atualizado às 19h32.

Jornal do Comércio

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literatura

Notícia da edição impressa de 24/06/2016. Alterada em 23/06 às 16h53min

Artistas ilustradores da Livraria do Globo ganham livro e exposição no Margs

Grafismo irreverente marca livro sobre os artistas ilustradores da antiga Livraria 
do Globo

Grafismo irreverente marca livro sobre os artistas ilustradores da antiga Livraria do Globo


fotos FABIO DEL RE / CARLOS STEIN/VIVAFOTO/DIVULGAÇÃO/JC
Luiza Fritzen
Ilustrações e imagens dos principais artistas que atuaram na Livraria do Globo na primeira metade do século XX são tema do livro A modernidade impressa: Artistas ilustradores da Livraria do Globo - Porto Alegre (Ed. Ufrgs, 656 págs., R$ 180,00), que será lançado neste sábado, às 11h, no Margs (Praça da Alfândega, s/nº). Junto ao evento, acontece a abertura da exposição homônima, na pinacoteca do museu, que pode ser visitada gratuitamente até 21 de agosto, de terça-feira a domingo, das 10h às 19h.
Com 1.368 imagens, o livro conta em mais de 600 páginas a história da Livraria do Globo a partir de sua produção gráfica, dando ênfase aos artistas que trabalharam na legendária Seção de Desenho sob a gerência do designer alemão Ernst Zeuner (1895-1967). Dentre eles, João Fahrion, Edgar Koetz, Nelson Boeira Faedrich, Sotero Cosme, João Faria Viana, João Mottini, Gastão Hofstaetter, Roswitha Wingen-Bitterlich e Ernst Zeuner, responsáveis pelas capas, ilustrações, vinhetas e identidades visuais da empresa. Em cinco capítulos, A modernidade impressa relembra a trajetória da livraria desde seu surgimento em 1883, passando pela criação da Revista do Globo, em 1929, por sugestão de Getúlio Vargas, tornando-se um veículo de propaganda do presidente.
Crítica e historiadora da arte, professora e pesquisadora do Instituto de Artes da Ufrgs e formada em Jornalismo, a autora do livro, Paula Ramos, conta que seu objetivo é mostrar como a Globo foi fundamental para a afirmação da história cultural do Rio Grande do Sul em relação ao campo cultural brasileiro e sua importância na compreensão do valor dado ao livro ilustrado e à literatura infantojuvenil. "A ideia é mostrar o lado editorial, cultural e político da livraria tão desconhecidos pelas pessoas."
Em grande formato, a publicação traz reproduções fotográficas de Fabio Del Re e Carlos Stein, projeto gráfico de Sandro Fetter e de Paula Ramos. O livro e a exposição são resultados da pesquisa de mestrado e doutorado da autora, desenvolvidos pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Ufrgs. Segundo Paula, a curiosidade pelo tema surgiu de uma relação pessoal com o objeto e o contato com os livros da editora desde a infância.
Vencedor do edital Petrobras Cultural 2012 - Memória das Artes, o projeto teve três anos de produção e, segundo a autora, sua importância se dá ao apresentar a história do patrimônio localizado na antiga Rua da Praia. "A Livraria do Globo não era apenas uma livraria ou editora, e sim uma empresa que congregava os mais importantes e atuantes intelectuais e artistas plásticos do Estado", afirma.
Reconhecida não apenas no Sul do País como em sua extensão e também no exterior, a livraria ganhou fama ao revolucionar o cenário editorial e a linguagem gráfica brasileira, trabalhando com questões inovadoras do design e soluções geométricas e tipográficas. Graças à empresa, foram traduzidos para o português, pela primeira vez, textos de autores como Thomas Mann e Virginia Woolf, e revelados aclamados escritores gaúchos, como Erico Verissimo, Mario Quintana, Augusto Meyer e Dyonélio Machado.
As capas de livros e a maioria das ilustrações são oriundas do acervo pessoal da autora, que afirma ter mais de 500 exemplares em sua biblioteca. Outras peças que integram a exposição foram cedidas por coleções públicas (Margs, Pinacoteca Aldo Locatelli da prefeitura de Porto Alegre e Pinacoteca Barão de Santo Ângelo do Instituto de Artes da Ufrgs) e privadas (Fundacred e coleções particulares).
Inicialmente uma modesta papelaria, a Livraria do Globo tornou-se a Editora Globo, uma das mais prósperas empresas sulinas do século XX. Entre seus grandes investimentos editoriais estão a edição da Comédia humana (1946-1955), de Honoré de Balzac, em 17 volumes, considerada um marco editorial brasileiro. Ao todo, mais de dois mil títulos fizeram da editora a segunda maior do Brasil entre as décadas de 1930 e 1940.
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