Faltando cerca de uma hora para o fechamento das urnas, parte do eleitorado porto-alegrense se reuniu nos gramados do Parque Farroupilha para desfrutar da tarde ensolarada que se deu neste domingo (27). Rafael Andrade, de 25 anos, e Gabriel Martins, de 28 anos, não fizeram diferente. Ambos resolveram votar no horário do almoço e, posteriormente, resolveram se encontrar para curtir o fim de tarde na praça.
Falando um pouco das suas experiências nas urnas, os dois relataram agilidade no processo eleitoral. Rafael afirmou não ter pego nenhuma fila: “só cheguei, votei e saí”. Indo na mesma direção, Gabriel deu ênfase para essa rapidez, afirmando que não leva mais do que 30 segundos para votar todos os anos.
Quando questionados sobre as abstenções observadas nessas eleições, Gabriel disse ver na falta de representatividade o cerne da questão. “As pessoas não se sentem representadas, não acreditam nesse sistema e, então, acabam não exercendo seu direito, apesar de ser algo de tão fundamental”, disse Martins. Rafael foi ao encontro da declaração do amigo e reiterou a notoriedade que o voto têm para a democracia. Segundo ele, “escolher o menos pior faz parte do jogo da democracia, mesmo votar branco ou nulo é muito mais significativo do que se omitir”.
Já Edila Leal, que também foi aproveitar o entardecer no parque, enxerga nas abstenções o reflexo de uma descrença generalizada na política. “As pessoas estão cansadas desse processo todo, estão cansadas de se decepcionarem. Precisamos achar uma maneira de atualizar a política, os assuntos e as formas de debate”, é o que diz a eleitora de 56 anos. A partir disso, ela aponta para um conformismo por parte da população, que deveria se fazer mais presente no processo eleitoral. Entretanto, fazendo um contrapeso, Edila afirmou que também compreende o sentimento de desesperança. Segundo ela, “os políticos parece que são sempre os mesmo, às vezes ficamos sem muita alternativa mesmo”.
Carolina Saraiva foi outra que já tinha hora e local marcado para acompanhar a apuração. Para a eleitora de 23 anos, polarização é a palavra chave dessas eleições. "Acredito que temos dois extremos e, por isso, acabamos tendo que votar em pessoas que não nos representam", disse a jovem, que vê nesse cenário a explicação para tantas abstenções. Por outro lado, ela também vê a omissão como prejudicial para o processo eleitoral. "Apesar de nem sempre conseguirmos ser totalmente leais ao que acreditamos, precisamos ir para as urnas para fazer parte dessas decisões", afirmou Carolina.