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Publicada em 11 de Maio de 2026 às 00:25

Macrorregião Sul tem o pior PIB per capita do RS

Candiota, na Campanha, entretanto, possui um bom indicador, possivelmente influenciado pela usina termelétrica instalada na cidade

Candiota, na Campanha, entretanto, possui um bom indicador, possivelmente influenciado pela usina termelétrica instalada na cidade

Prefeitura de Candiota/Divulgação/JC
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Ana Stobbe
Ana Stobbe Repórter
A Macrorregião Sul, composta pelas regiões Sul, Centro-Sul, Campanha e Fronteira Oeste, concentra alguns dos piores indicadores econômicos e sociais do Rio Grande do Sul. Entre eles, está o baixo Produto Interno Bruto (PIB) per capita, influenciado por uma dependência econômica da agropecuária, bastante castigada pelo clima nos últimos anos, e uma industrialização ainda incipiente. 
A Macrorregião Sul, composta pelas regiões Sul, Centro-Sul, Campanha e Fronteira Oeste, concentra alguns dos piores indicadores econômicos e sociais do Rio Grande do Sul. Entre eles, está o baixo Produto Interno Bruto (PIB) per capita, influenciado por uma dependência econômica da agropecuária, bastante castigada pelo clima nos últimos anos, e uma industrialização ainda incipiente. 
Diferentemente de outras macrorregiões, os indicadores entre as áreas que compõem a faixa Sul do RS não variam abruptamente. Há apenas R$ 7,4 mil de diferença entre o pior PIB per capita, na Fronteira Oeste (R$ 40.088,79), e o mais elevado, na Campanha (R$ 47.493,45). Ao analisar o ranking dos Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes) organizados pelos valores do indicador, todos os territórios dessa porção do Estado ocupam a metade inferior da tabela. 
Entretanto, nem todos os municípios possuem indicadores negativos. Enquanto Candiota tem um PIB per capita elevado, possivelmente relacionado à economia gerada pela usina termelétrica instalada na cidade, Rio Grande e Pelotas têm uma maior industrialização, especialmente atrelada ao porto local. Mas, conforme o pesquisador do Departamento de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul (DEE-RS), Martinho Lazzari, há intensas variações na produtividade em virtude das demandas flutuantes do polo naval. 
Mas há diversos fatores que explicam as diferenças entre as macrorregiões gaúchas em termos de PIB per capita, conforme o economista: “Se pegar a agropecuária, a região de Passo Fundo, Cruz Alta e Erechim planta soja, milho e trigo, que são altamente produtivos. Os melhores indicadores também estão em áreas mais industriais do Estado, como Região Metropolitana, Serra, Vale do Taquari, e a porção Norte. E alguns municípios contam com serviços especializados, de maior valor agregado”, exemplifica.
Na equação, é fácil compreender. Crescem as áreas com alta produtividade agrícola e industrial — no caso do Rio Grande do Sul, muitas vezes, como parte de uma mesma cadeia, onde as indústrias estão associadas ao setor primário —, assim como as que se consolidam como polos de oferta de serviços especializados.
E quem também patina na industrialização, com indicadores que apenas superam o Sul, é a Macrorregião Central, que, no entanto, possui variações entre os Coredes que a compõem. "Teve crescimento nos últimos anos da produção de soja, que desceu das Missões para locais como Santiago e Cachoeira do Sul. Mas é uma região, como um todo, que tem pouca indústria. E, muitas vezes, os serviços qualificados, de maior valor agregado, têm relação com a atividade industrial", acrescenta Lazzari.

Serra possui o maior PIB per capita do Estado

Uma das áreas mais dinâmicas do Rio Grande do Sul, a macrorregião da Serra, tem se desenvolvido intensamente. Concentrando 17,20% do produto interno bruto (PIB) gaúcho, essa área do Estado também tem atraído população. E a combinação desses fatores resulta em uma alta produtividade, a transformando na porção do RS com o maior PIB per capita. 
Composta pelas regiões da Serra, Hortênsias, Campos de Cima da Serra, Paranhana e Encosta da Serra e Vale do Caí, a macrorregião se fortalece com base no forte polo metal-mecânico e em atividades de alto valor agregado. É com base nisso que se constrói o indicador. 
“A Serra engloba aquela região de Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Farroupilha e Carlos Barbosa, municípios que têm indústrias muito fortes, como a metal-mecânica e a moveleira. São empregos que geram uma produtividade maior e, consequentemente, uma produção e renda maiores. É uma área que tem atraído população exatamente pela oferta de trabalho”, explica o economista e pesquisador do Departamento de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul (DEE-RS), Martinho Lazzari. 
Ao analisar os Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes), classificação utilizada pelo governo estadual gaúcho e que divide o território gaúcho em 28 zonas, é perceptível a pujança justamente na região onde está a conurbação entre as cidades citadas pelo pesquisador. Afinal, o Corede Serra é o segundo no ranking do PIB per capita seguindo essa divisão, atrás apenas do Alto Jacuí, na Macrorregião Norte.

Regiões Norte e Metropolitana também possuem bons indicadores

Não é apenas a Serra que tem apresentado bom desempenho ao dividir o seu PIB pela sua população. “Ao olhar as regiões, é possível traçar uma linha e dividir o Estado, saindo da região de Santa Rosa e chegando na Metropolitana. E essa parte de cima é a área mais desenvolvida em termos econômicos e, de certa maneira, sociais também. Por outro lado, as porções sul, central e noroeste do RS têm indicadores menores”, analisa Lazzari. 
A Macrorregião Metropolitana é a que concentra as maiores fatias populacionais e econômicas do Estado. Enquanto 37,3% dos gaúchos residem lá, conforme os dados do último censo do IBGE, de 2022, 39,61% do PIB de 2023 estava nessa faixa que engloba a Região Metropolitana de Porto Alegre, o Vale do Sinos e o Litoral Norte. Mesmo assim, no PIB per capita, ela não lidera. 
“São regiões muito populosas. E as que têm o PIB per capita maior são áreas menos povoadas, que muitas vezes, têm uma alta concentração industrial numa região menor. E é uma parte do Estado que tem municípios muito ricos, como Porto Alegre, Canoas e Novo Hamburgo. Mas outros, como Alvorada e Viamão, têm uma condição bem inferior. Na média, acaba ficando para trás”, explica Lazzari.
A Macrorregião Norte ocupa a terceira posição, fruto de sua agropecuária com alto valor agregado, de indústrias ligadas ao setor primário — como a de máquinas e equipamentos — e a consolidação de algumas de suas cidades como polos de serviços especializados. Entretanto, áreas mais próximas à fronteira Noroeste apresentam indicadores menores.

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