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Publicada em 01 de Abril de 2026 às 11:33

Para presidente da Movergs, logística é entrave ao desenvolvimento da Serra Gaúcha

Enchentes de 2024 aumentaram os problemas logísticos, diz Vitor Agostini

Enchentes de 2024 aumentaram os problemas logísticos, diz Vitor Agostini

Tânia Meinerz/JC
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Ana Stobbe
Ana Stobbe Repórter
As enchentes de maio de 2024 ainda ressoam na Serra Gaúcha, por meio de obras de reconstrução de estradas ainda não finalizadas. A isso, somam-se problemas logísticos anteriores à catástrofe climática. É por isso que o presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs), Vitor Agostini, considera a questão como um dos principais entraves ao desenvolvimento econômico da Serra.
As enchentes de maio de 2024 ainda ressoam na Serra Gaúcha, por meio de obras de reconstrução de estradas ainda não finalizadas. A isso, somam-se problemas logísticos anteriores à catástrofe climática. É por isso que o presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs), Vitor Agostini, considera a questão como um dos principais entraves ao desenvolvimento econômico da Serra.
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“Se compararmos o Rio Grande do Sul com uma bota, nós (da Serra) somos a sola. Tudo que tem que trazer de matéria-prima é um grande desafio”, destacou o executivo nesta terça-feira, 31 de março, durante evento do Mapa Econômico do RS em Veranópolis, do qual participou como painelista.

Para o dirigente, uma alternativa viável seria a das ferrovias, cuja malha foi considerada por ele como “sucateada”. “Poderíamos nos beneficiar muito se pudéssemos trazer comida, chapas, aço, etc., de trem. Traríamos tudo a um custo logístico menor e bem mais rápido”, considerou.

Outro entrave apontado por ele diz respeito ao contexto macroeconômico: o endividamento da população, a partir de empréstimos e jogos de aposta – as famosas “bets”. “Precisamos de uma política de financiamento para o consumo de móveis com juros acessíveis. Hoje, além dos juros serem muito altos, temos um problema gigante de inadimplência”, avaliou.
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Para Agostini, o ano será repleto de outras questões que deverão ser enfrentadas. Entre elas, a preocupação com um período eleitoral que se avizinha e a implementação da reforma tributária, que caminha a passos largos.

Entretanto, ele também pontuou oportunidades de desenvolvimento regional. Especialmente, as ligadas à tecnologia e à inovação.

“No nosso setor, falamos muito em tecnologia e em inovação. Precisamos investir em máquinas. Temos que buscar melhores financiamentos. É necessário termos sistemas e processos que agilizem as operações das indústrias. Para que possamos produzir melhor, com mais qualidade, e chegarmos mais competitivos no mercado”, defendeu o líder da Movergs.

Outro ponto de atenção é o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que será aplicado provisoriamente a partir do dia 1º de maio e é visto com bons olhos por Agostini, que considera que a decisão facilitará a compra de maquinários do outro lado do Atlântico e abrirá novas portas ao Estado: “É difícil entrar no mercado europeu, mas tem muita oportunidade para o setor moveleiro”, destacou.
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O posicionamento trouxe uma divergência com o painelista Ubiratã Rezler, que preside a Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul. Na sua visão, há setores que, diferentemente do moveleiro, terão dificuldades com a aproximação dos blocos econômicos, como o de hortifrutigranjeiros e o de vinhos.

Agostini, entretanto, manteve as esperanças, destacando o potencial de crescimento da Serra em suas considerações finais. “É um mar de oportunidades, precisamos colocar as pessoas certas nos lugares certos”, concluiu.

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