A Serra Gaúcha concentra, sozinha, 11,55% do produto interno bruto do Rio Grande do Sul, devido a uma atividade sólida principalmente em virtude do ramo de serviços, do turismo, e de uma forte indústria moveleira e metal-mecânica. Entretanto, para alavancar o desenvolvimento econômico da região, ainda há entraves que precisam ser superados.
Para o presidente da Associação Comercial, Cultural e Industrial (Aciv) de Veranópolis, Neivaldo Della Giustina Carvalho, há dois grandes desafios estruturais que limitam o crescimento regional no cenário atual. Por um lado, as dificuldades logísticas. De outro, a escassez de mão de obra.
A Aciv recebeu nesta terça-feira (31) o primeiro evento da quarta temporada do Mapa Econômico do RS.
“Mão de obra qualificada em si não é um problema. O que é um desafio é a mão de obra não qualificada, para qualificarmos de acordo com a necessidade de cada ramo da economia. Porque tem uma diversidade muito grande de pequenas, médias e grandes empresas”, analisa Carvalho.
O dirigente, entretanto, destaca a logística como o principal fator de perda de competitividade das empresas da região. Principalmente, considerando que as consequências da enchente de maio de 2024, que chegou a deixar a cidade de Veranópolis isolada, ainda são sentidas. Entre elas, as obras na BR-470, cujas restrições nos horários de tráfego têm elevado custos tanto para a chegada de insumos quanto para o escoamento da produção, conforme Carvalho.
Há, ainda, desafios que fogem da alçada da região: os macroeconômicos, que afetam o País como um todo, mas que, localmente, respingam nas atividades das empresas. Para Carvalho, o principal é a alta taxa de juros, de 14,75% ao ano. “Muitas empresas não conseguem buscar recursos nos bancos porque os juros estão muito altos, muitos investidores preferem deixar o dinheiro no banco do que investir na produção”, analisa o presidente da Aciv.
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A isso, soma-se o contexto geopolítico internacional que, devido à guerra no Irã, encareceu os combustíveis globalmente. “É um problema para qualquer empresa em qualquer cidade do País, porque não tem lugar que não dependa do combustível, seja diesel, gasolina ou gás. E atrapalha a dúvida de não saber até quando isso vai acontecer”, pontua Carvalho.
Entretanto, o dirigente da Aciv destaca que há pontos positivos. Em especial, o forte empreendedorismo da região, que a leva a se desenvolver economicamente mesmo em momentos de dificuldade. “O empresário da Serra não desiste, continua buscando alternativas e inovando”, destaca.
Sobre as perspectivas de crescimento, Carvalho aponta a tecnologia como caminho inevitável, visto que o avanço da inteligência artificial, da automação e da robótica já impacta o setor industrial e deve ganhar ainda mais espaço nos próximos anos. Ainda assim, ele reconhece a dificuldade de prever quais segmentos terão maior expansão no curto prazo.
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