Se durante décadas a Vila Belga foi conhecida como um símbolo da memória ferroviária de Santa Maria, nos últimos anos o conjunto histórico passou a atrair um novo perfil de ocupação. Ao lado dos moradores que preservam a história do local, empreendedores têm apostado no potencial turístico e cultural da região para abrir negócios que ajudam a movimentar o bairro.
Foi o caso do casal Cristina Calil e Daniel Pereyron, proprietários do Empório Belga. Instalado em uma das antigas residências da Vila, o espaço reúne produtos gourmet, cestas temáticas, souvenires e uma galeria de arte mantida pela família.
"Trabalhamos aqui há cerca de três anos e meio. A ideia era criar um espaço que reunisse diferentes atividades. Além do empório, mantivemos a galeria de arte que era do meu pai. Ele faleceu no ano passado, mas o espaço continua preservado", conta Cristina.
A escolha pela Vila Belga não foi por acaso. Arquiteto e atuante na área de patrimônio histórico, Daniel afirma que o conjunto sempre despertou interesse. "Sempre tive um carinho muito grande pela Vila Belga. Quando surgiu a oportunidade de comprar a casa, também enxergávamos um potencial importante ligado ao Distrito Criativo. Acreditávamos que a economia criativa começaria a se consolidar aqui", explica.
O casal percebe uma mudança gradual na circulação de pessoas pela região. Embora parte das vendas aconteça pela internet, o movimento presencial cresceu nos últimos anos, especialmente em dias de eventos.
Empório Belga é gerido pelo casal Cristina Calil e Daniel Pereyron
Daniel Pereyron/Arquivo pessoal/JC
"A Vila Belga recebe muito turismo por ser um dos principais pontos turísticos da cidade. Durante a semana o movimento é mais tranquilo, mas existe. Já em dias de eventos e, principalmente, nos dias de Brique, o fluxo cresce bastante", afirma Cristina.
Segundo Daniel, a revitalização também começa a ser percebida em áreas próximas, especialmente na avenida Rio Branco. "Vieram novos empreendimentos nos últimos anos... Durante muito tempo, essa parte da cidade carregou uma sensação de abandono. Hoje já é possível perceber uma retomada", celebra.
A poucos metros dali, outro empreendimento ocupa um espaço ainda mais diretamente ligado à história ferroviária da cidade. O V Belga Food Hall funciona no prédio que abrigou a antiga cooperativa dos ferroviários, onde trabalhadores recebiam salários e benefícios.
O empresário Marcelo Fialho conta que a proposta surgiu após a reforma do imóvel, iniciada por volta de 2020. "A estrutura já possuía características que favoreciam a instalação de diferentes cozinhas. A partir disso surgiu a ideia de criar um espaço onde grupos de amigos, famílias e empresas pudessem encontrar várias opções gastronômicas em um único local", recorda.
Hoje, o empreendimento reúne operações de pizza, hambúrguer, sushi, carnes, massas e petiscos, além de um bar inspirado na temática ferroviária. Para Fialho, abrir o negócio na Vila Belga significou participar de um processo maior de recuperação da região.
"A cidade cresceu a partir da ferrovia e da estação. Então nada mais natural do que contribuir para a recuperação dessa área que representa as origens do desenvolvimento local", pondera.
O empresário acredita que a consolidação da Vila Belga e da Gare como polo turístico depende da continuidade dos investimentos e da ocupação dos espaços históricos. "É um processo que exige persistência, mas vejo muito potencial. Se houver continuidade nesse trabalho de revitalização, a região tem todas as condições de se consolidar como um dos principais polos turísticos e culturais de Santa Maria.