Além da famosa campanha de conscientização contra o câncer de próstata, o novembro azul, o penúltimo mês do ano é marcado por outra jogada de marketing voltada à promoção de saúde. Trata-se do Novembro Roxo, iniciativa focada em alterar a população sobre a prematuridade, tema que segue entre os maiores desafios da saúde materno-infantil.
No Brasil, cerca de 11% dos nascimentos ocorrem antes das 37 semanas de gestação, o que representa mais de 300 mil bebês prematuros por ano, segundo o Ministério da Saúde. O País está entre os dez com maior número de partos prematuros no mundo.
A campanha Novembro Roxo, que ganhou força global a partir de 2011 e foi oficializada no Brasil pela Lei nº 15.198/2025, busca conscientizar sobre os fatores de risco, a importância do pré-natal adequado e os cuidados especializados que garantem a sobrevivência e o desenvolvimento saudável dos prematuros.
“É uma campanha de sensibilização, para trazer foco para a prematuridade. O objetivo é trazer conhecimento para o público sobre o assunto”, destacou Cristine Oliveira, uma enfermeira da UTI Neonatal do Hospital Divina Providência.
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Um dos principais focos da campanha é a prevenção. Segundo a especialista, a prevenção da prematuridade depende, em grande parte, de um acompanhamento pré-natal bem feito e rigoroso. Segundo ela, isso é essencial, especialmente para gestantes que possuem doenças prévias, como a hipertensão e outras condições maternas, pois se não forem bem controladas, podem acarretar o parto prematuro.
A rigorosidade no acompanhamento visa evitar que tanto o bebê quanto a mãe sofram alguma intercorrência clínica que possa gerar um nascimento prematuro. “Um acompanhamento pré-natal bem feito e bem rigoroso, com todas as consultas realizadas, pode evitar que tanto a mãe quanto o bebê tenham alguma intercorrência clínica, que possa gerar algum nascimento prematuro”, explicou Cristine.
O tema da campanha deste ano é “Garanta aos prematuros começos saudáveis para futuros brilhantes”, que busca enfatizar que atitudes simples, como realizar o pré-natal completo, adotar hábitos saudáveis durante a gestação e buscar informações de qualidade, podem salvar vidas.
Segundo a especialista, essa mensagem é importante porque reforça a ideia de que um começo saudável - ou seja, o cuidado inicial bem ofertado, baseado em evidência e na ciência - tem o poder de garantir um futuro brilhante para os prematuros.
Assim, a Rede de Saúde da Divina Providência promoveu a Jornada da Prematuridade, um evento que reuniu profissionais de saúde, estudantes e famílias para debater os cuidados, desafios e avanços no atendimento a recém-nascidos prematuros.
As atividades aconteceram no Hospital Divina, em Porto Alegre, e no Hospital Estrela, no Vale do Taquari. Durante os eventos, foram abordados temas como prevenção do parto prematuro, método canguru, cuidados intensivos neonatais, importância do vínculo familiar e acolhimento pós-alta. A programação incluiu palestras, rodas de conversa e relatos de quem vivencia a prematuridade todos os dias.
Segundo Cristine, a iniciativa serviu como um fórum para reunir especialistas e garantir que a oferta dos cuidados iniciais aos prematuros seja atualizada. “Houve uma troca bem legal de conhecimento, garantindo que esses cuidados sejam ofertados de uma forma que andem junto com a ciência e com as melhores referências. Isso pode garantir que esses prematuros tenham desfechos melhores. Através dessa troca, é possível garantir uma prática baseada em evidência, e, assim, a gente consegue promover essa conscientização de que o cuidado vai de fato proporcionar começos saudáveis para essas crianças”.
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Por fim, Cristine reforçou a importância de uma campanha como a do Novembro, direcionando um apelo a dois públicos especificamente. Para os profissionais de saúde, ela destacou a importância de manter a prática baseada em evidência e alinhada à ciência. Para as famílias, ela ofereceu uma mensagem de empoderamento e afeto, destacando que o amor e o cuidado podem ter papéis “terapêuticos” na prevenção da prematuridade.
“Gosto de dizer que as famílias são a potência do nosso cuidado. O amor é terapêutico. O prematuro é muito forte e o amor da família também é forte. Então, quem tiver passando por tudo isso, acho que o que a família mais pode ofertar é uma gestação saudável, um acompanhamento intenso para que tudo ocorra da melhor forma possível”, enfatizou Cristine.