Um forte vento no sentido sul castigou a Orla de Ipanema, em Porto Alegre, causando frio intenso e elevando o nível do Guaíba no final de tarde desta segunda-feira (23). Quem passava por lá podia ver as ondas batiam na estrutura de 45 cm que começou a ser erguida em outubro passado e tem conclusão prevista para o segundo semestre. O sistema ajudou a impedir o avanço da cheia em alguns pontos.
Pouco mais de um ano após as enchentes, os moradores do local revivem o drama da água que, pouco a pouco, ameaça se repetir nos últimos dias. E além de monitorar o nível do lago, também planejam uma nova saída, ainda com a expectativa de não precisar tirar a ideia do papel.
É o caso de Antonio Mauro, que mora em frente ao calçadão há 15 anos, e só retornou ao lar em fevereiro, oito meses depois da cheia de 2024. “Dessa vez acredito que não vamos precisar sair. Mas estamos atentos e já sabemos o que fazer. Erguer móveis e sair de carro, evitar as perdas maiores”.
Mauro relembra que, em 2023, a água já havia ameaçado, mas nunca viu nada igual ao ano passado. Foram cerca de R$ 60 mil investidos na recuperação dos bens, entre o veículo, que ficou submerso, e a casa. “O mais triste é quando você volta para casa, vê tudo que construiu destruído”, detalha. Foram 40 dias sem poder acessar o local, mesmo após esperar quatro dias com a água já instalada, no intuito de evitar os assaltos, que aumentaram na região.
De acordo com a medição das 18h do Departamento de Recursos Hidricos (DRH) da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), o nível do Guaíba está em 3,26m, na Usína do Gasômetro. O número significa um aumento de 7cm em 24h, e ainda está distante da cota de inundação — 3,60m. No Caios Mauá, a água já começou a invadir o perimetro em terra. A régua marca 2,82m e registra um aumento de 9cm em 24h.