Júlia Fernandes

Júlia Fernandes
Repórter

Júlia Fernandes

Júlia Fernandes Repórter


Agenda

"Você não vê guerra no lugar em que a mulher também senta junto", diz Luiza Helena Trajano sobre lideranças femininas

A presidente do Conselho Administrativo da Magazine Luiza e do Grupo Mulheres do Brasil projeta 50% de lideranças femininas até 2030
Diversidade dentro de grandes companhias não é uma discussão atual. Há alguns anos, as organizações identificaram que não olhar para essa agenda gera prejuízos sociais e financeiros para os negócios. Porém, não basta apenas incluir: há também a necessidade de olhar para as posições que essa diversidade ocupa. A presidente do Conselho Administrativo da Magazine Luiza e do Grupo Mulheres do Brasil, Luiza Helena Trajano, está entre as painelistas da nona edição da Gramado Summit. Em uma entrevista coletiva, a executiva defendeu a presença de mulheres em altos cargos das companhias.
Diversidade dentro de grandes companhias não é uma discussão atual. Há alguns anos, as organizações identificaram que não olhar para essa agenda gera prejuízos sociais e financeiros para os negócios. Porém, não basta apenas incluir: há também a necessidade de olhar para as posições que essa diversidade ocupa. A presidente do Conselho Administrativo da Magazine Luiza e do Grupo Mulheres do Brasil, Luiza Helena Trajano, está entre as painelistas da nona edição da Gramado Summit. Em uma entrevista coletiva, a executiva defendeu a presença de mulheres em altos cargos das companhias.
As mulheres já tiveram um avanço muito bom, mas ainda há muita coisa para fazer e acreditamos que, quando tivermos 50% de mulheres (em cargos de liderança), vamos ter muito mais união, paz e equilíbrio”, afirmou a empresária, que também salientou que a meta não significa se opor aos homens, mas construir espaços mais igualitários.
Atualmente, a Magazine Luiza conta com 45% de mulheres na liderança. No Brasil, esse número cai para 32%. A aposta da executiva é que esse percentual cresça nos próximos quatro anos. Para incentivar e fomentar esse movimento por meio do Grupo Mulheres do Brasil, Trajano realizará o primeiro Summit Mulheres nas Profissões, que ocorrerá em agosto, em São Paulo. “Temos um objetivo claro. O evento contará com 10 arenas, mais de 15 áreas de profissões, desde serviços gerais, justiça, saúde e política. Eu sei que é ousado, mas queremos ter, até 2030, 50% de mulheres em altos cargos. É uma grande disparada que o Grupo Mulheres do Brasil já está fazendo e estou bastante impressionada com a adesão”, destacou a executiva.
A presidente do Conselho Administrativo da Magazine Luiza acredita que o movimento também se coloca como uma ação importante na luta contra a violência à mulher. “Acredito que, se a gente tiver mais mulheres no poder, nós vamos conseguir trabalhar isso muito melhor, não só isso, mas outras agendas também”, observou a empresária, afirmando que, dessa forma, é possível realizar mudanças de maneira mais tranquila e segura. “Você não vê guerra no lugar em que a mulher também senta junto”, reforçou.
Para além das lideranças femininas, Luiza salientou que existe quase uma crença de que os trabalhos realizados sobre diversidade perderam força nos últimos tempos. Segundo ela, essa preocupação ainda está presente e não deve ser ignorada pelas empresas. “Se nas nossas 1,2 mil lojas alguém tratar mal uma pessoa negra, ela pode ter cinco seguidores, mas, no fim do dia, todo mundo está sabendo”, exemplificou. “Resgatar isso é muito mais caro. Quem está querendo diversidade, mais humanização, mesmo sem ter consciência, é o próprio consumidor final.”
Durante a coletiva, a executiva também defendeu a permanência das lojas físicas em um cenário cada vez mais digital. Para ela, os dois modelos precisam caminhar juntos. “A loja física não vai acabar, ela tem que estar junto com o digital. O digital é uma cultura, mas as pessoas querem se encontrar”, afirmou. O posicionamento acompanha movimentos recentes da empresa, como a inauguração da Galeria Magalu, em São Paulo, espaço que une experiências presenciais e digitais em um mesmo ambiente.
Outro ponto destacado por Trajano foi a relação entre gerações dentro do mercado de trabalho. Segundo ela, as mudanças aceleradas no comportamento pós-pandemia exigem que as empresas revejam antigos formatos de contratação e gestão de pessoas. “Nós não temos idade para sair, temos programas para 50+ no nosso saque. Acontece que, pós-Covid, as pessoas mudaram muito, principalmente a Geração Z. Ela não quer trabalhar sem parar, ela quer ter hora de lazer, ela quer estar em lugar que tem propósito, não está mais trabalhando por trabalhar”, comentou Trajano, afirmando que manter os mesmos modelos de recrutamento de anos anteriores pode afastar novos profissionais. “As coisas mudaram, e as pessoas não são mais como eram antes. A geração jovem muda muito rápido”, disse.