Rafael Liporace, co-fundador e CEO da Tardezinha, e Rafael Zulu, ator e sócio do espetáculo, participaram de um dos painéis do primeiro dia da Gramado Summit 2026. O espetáculo musical que tem como astro o cantor e compositor Thiaguinho completou 10 anos em 2025, consagrando-se como a maior turnê nacional. “A Tardezinha é a maior turnê brasileira da história. Foram 920 mil ingressos vendidos nesta última edição. Também somos a segunda maior, com 710 mil ingressos na turnê de 2023”, comentou Liporace, durante o painel. A marca só perde o terceiro lugar para a turnê de reencontro dos irmãos Sandy e Junior.
Em 10 anos de negócio, a Tardezinha gerou mais de 150 mil empregos e totalizou R$ 340 milhões em faturamento. O negócio, que começou em 2015 a partir da ideia de Rafael Zulu e Thiaguinho, ganhou forma e escala quando Liporace entrou na história. Hoje, o evento que roda o Brasil e o exterior é reconhecido como um “império do entretenimento”.
De acordo com os sócios da marca, a Tardezinha começou um movimento hoje já comum entre outros eventos, festas e shows que começam pela tarde. A ideia de inverter a ordem veio por meio de uma percepção das necessidades de um público que não tinha mais muito interesse em virar a noite em festas e que também estava amadurecendo.
“Quando você fala desse movimento diurno, eu realmente acho que a gente causou uma disrupção no mercado. A Tardezinha já nasceu com a ideia de realizar o evento durante o dia, porque a gente, há 10 anos, já percebíamos que a noite não era mais tão atrativa. Era um público que, naquela época, era 30+ e hoje já é 40+”, explicou Zulu, observando que já tinha um movimento healthiness, onde o público prezava pelo bem-estar.
Zulu ainda ressaltou que esse público em potencial tinha outras demandas, sendo elas a qualidade de estrutura e artística. “Na realidade, a gente teve a ousadia de entender que a galera estava ficando velha”, brincou Liporace. “Se o Zulu não tivesse a ousadia de fazer acontecer, não estaríamos aqui contando essa história”, reforçou o CEO, garantindo que ousadia é parte chave do sucesso.
Os sócios acreditam ainda que o negócio se diferenciou do que a indústria vinha oferecendo, porque se propôs a entregar o simples bem feito. "A gente não reinventa a roda. Temos uma simplicidade muito grande para tratar as coisas. A Tardezinha não requer uma mesa de 10, 15 pessoas para tomar uma decisão. Essa decisão é tomada por nós. Ótima ideia todo mundo tem, mas a que teve um grande diferencial foi essa", salientou Zulu em entrevista exclusiva ao GeraçãoE, afirmando que vários elementos fizeram com que o projeto ganhasse destaque, como a presença de Thiaguinho. "Temos um protagonista que é o maior do Brasil, além de uma inteligência do nosso negócio e pessoas muito talentosas trabalhando por trás", completou.
Liporace destacou que é preciso ter inteligência para filtrar as ideias e coragem para apostar. "Muita gente fala que uma bacia de ideias vale 10 centavos, mas se a gente não tiver alguém que saiba escolher a ficha de um centavo daqueles 10 para acreditar, a ideia não sai do papel. Além da pessoa que acredita na ideia, é necessário alguém para executar", disparou o empreendedor, afirmando que Zulu foi essa pessoa.
Depois de entender as demandas e a carência de um público que estava buscando novas possibilidades de entretenimento, os sócios precisaram descobrir como fidelizar esse consumidor. Para eles, a resposta está em algo simples: entender exatamente quem é o cliente e se colocar no lugar dele. “A inteligência do negócio da Tardezinha pode ser aplicada em qualquer lugar. A partir do momento que a gente identifica o nosso cliente, sabe exatamente o gosto dele”, defendeu Zulu.
Segundo os empresários, a equipe investiu em ferramentas de BI para compreender hábitos de consumo, horários de chegada, preferências e comportamento do público em diferentes cidades. Mas, para além da tecnologia, os dois garantem que a essência do projeto continua sendo a sensibilidade. “Se a gente só se colocasse no lugar do consumidor, conseguiria resolver muita coisa. A Tardezinha cultiva o público porque a gente também é cliente”, complementou Liporace.
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A estratégia deu resultado. Ao longo dos anos, a turnê passou a lotar estádios e criar uma comunidade fiel. Um dos exemplos citados no painel foi o show realizado no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre. Segundo Liporace, a organização abriu setores extras de arquibancada conforme os ingressos esgotavam. “Nunca teríamos a ousadia de abrir todo o estádio, mas os setores foram acabando um atrás do outro”, lembrou.
Liporace destacou o momento em que a marca deixou de ser apenas um evento e se tornou um negócio escalável. "A Tardezinha de 2019 foi um divisor de águas em nossas vidas. Ter lotado o Maracanã depois de 162 edições mostrou para gente que aquilo seria ainda maior", refletiu o CEO.
Apesar do sucesso das edições, os sócios reconheceram alguns erros no caminho que precisaram ser corrigidos com o tempo para garantir que o público seguisse satisfeito. "Acho que o nosso erro mais caro foi em 2023. Realizamos um show no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. Foram 85 mil pessoas e foi incrível, só que falhamos em um pedaço do evento. Em um evento desse tamanho, se você falha em ¼ do público, você compromete pelo menos 20 mil pessoas e a gente falhou", compartilhou Zulu. Em 2025, para recuperar a confiança dessas pessoas que ficaram insatisfeitas em 2023, foi realizada uma segunda edição da Tardezinha no mesmo local. "Fizemos um evento impecável, só que para ficar impecável o Liporace precisou abrir a carteira e gastar muito dinheiro", contou o empreendedor, comentando que o público prejudicado na edição anterior ganhou os ingressos para o segundo espetáculo.
Para os sócios, o sucesso também está ligado à capacidade da marca de manter a essência mesmo diante do crescimento. “A gente não procura ser maior, procura ser melhor. Consequentemente acabou ficando maior”, disse o CEO. Atualmente, a Tardezinha movimenta hotéis, restaurantes, salões de beleza e o turismo das cidades por onde passa.
O crescimento também chamou atenção das marcas. Se até 2023 apenas duas empresas fora do segmento de bebidas patrocinavam a turnê, em 2025 o cenário mudou completamente. Uber, Bradesco, Citroën e Nívea estão entre as companhias que passaram a associar suas marcas ao projeto. “As marcas precisam entender que a gente entrega Brasil. A Tardezinha fala com o brasileiro de A a Z”, destacou Liporace. Mesmo se consolidando como referência para outros projetos musicais no Brasil, os sócios garantem que a essência continua sendo a mesma do início: um pagode entre amigos.

