Júlia Fernandes

Júlia Fernandes
Repórter

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Júlia Fernandes Repórter


South Summit

Fundadora do South Summit exalta inovação em prol do desenvolvimento do RS

María Benjumea destacou a maturidade do evento no País e a consolidação do Rio Grande do Sul como um polo relevante no cenário empreendedor
Ao final da quinta edição do South Summit Brazil 2026, em Porto Alegre, a avaliação de María Benjumea reforça o papel do encontro como catalisador de um ecossistema que já existia, mas que ganhou escala, densidade e projeção internacional ao longo dos últimos anos. Em entrevista exclusiva ao GeraçãoE, a fundadora da plataforma global de inovação destacou a maturidade do evento no País e a consolidação do Rio Grande do Sul como um polo relevante no cenário empreendedor brasileiro e também latino-americano.
Ao final da quinta edição do South Summit Brazil 2026, em Porto Alegre, a avaliação de María Benjumea reforça o papel do encontro como catalisador de um ecossistema que já existia, mas que ganhou escala, densidade e projeção internacional ao longo dos últimos anos. Em entrevista exclusiva ao GeraçãoE, a fundadora da plataforma global de inovação destacou a maturidade do evento no País e a consolidação do Rio Grande do Sul como um polo relevante no cenário empreendedor brasileiro e também latino-americano.
Logo ao revisitar o início da operação no Brasil, ainda em 2019, ela enfatiza o contexto desafiador da pandemia e a retomada que culminou na primeira edição, em 2022. “A evolução do South Summit foi maravilhosa”, afirma María, destacando que desde o começo houve uma mobilização consistente de diferentes setores da sociedade. “Desde a primeira edição vimos uma aposta clara de toda a sociedade do Rio Grande do Sul”, diz a fundadora, ressaltando que o Estado já possuía uma base sólida em inovação, mas carecia de uma plataforma capaz de conectar agentes, estruturar oportunidades e ampliar o alcance global das iniciativas locais.
Nesse sentido, o evento cumpriu o papel de organizar e potencializar essa energia. “Precisavam de uma plataforma como o South Summit para canalizar toda essa energia e, sobretudo, a colaboração entre todos os atores”, afirma María, apontando que o diferencial está justamente na capacidade de gerar negócios com visão internacional e de longo prazo. Para ela, o crescimento ao longo dos anos é visível tanto na atração de startups quanto na presença de investidores, corporações e líderes globais, o que fortalece a posição do Brasil no mapa da inovação.
Os números acompanham essa percepção. A participação internacional, que no início era reduzida, hoje já representa uma fatia significativa das startups presentes. “No início era muito pouco, era 10% ou 12%. Agora estamos em mais de 40%”, diz María, classificando o avanço como expressivo e consistente. Ainda assim, ela aponta um desafio central para o Brasil: ampliar sua presença fora das fronteiras. “Nos falta sair. O Brasil é extraordinário, mas o mundo é maior”, afirma a fundadora, defendendo que empreendedores brasileiros precisam se inserir mais no cenário global, inclusive com maior domínio do idioma dos negócios e abertura para novos mercados.
Essa visão está diretamente ligada à transformação do South Summit em algo além de um evento pontual. Segundo ela, o encontro evoluiu para uma plataforma contínua de inovação, com impacto em políticas públicas, formação de talentos e articulação institucional. “Temos que preparar as pessoas para serem internacionais”, afirma María, defendendo a necessidade de uma normativa que estimule esse movimento e incentive a internacionalização desde a base. Nesse contexto, ela destaca a conexão com o Instituto Caldeira, com quem compartilha origem e propósito. “Somos os mesmos. Vamos trabalhar juntos”, diz a fundadora, indicando uma atuação integrada no fortalecimento do ecossistema local e na construção de uma agenda de longo prazo.
A edição de 2026 teve como tema central Human by Design, colocando a Inteligência Artificial no centro do debate global. Para María, a tecnologia deve ser encarada como aliada estratégica, desde que mantenha o ser humano como prioridade. “As tecnologias são super positivas, mas a pessoa sempre tem que estar no centro”, afirma, ressaltando também a importância de considerar o impacto no planeta e nas relações sociais. Ela defende que a regulação deve atuar sobre possíveis danos, sem limitar o potencial transformador das ferramentas digitais. “Não têm que controlar o positivo, mas sim o dano”, diz a fundadora, reforçando a necessidade de equilíbrio entre inovação e responsabilidade.
Com o crescimento do evento e a marca de milhares de participantes ao longo das edições, surge o desafio entre escala e qualidade das conexões. Para María, o equilíbrio é essencial para manter a efetividade da proposta. “Para que os negócios sejam reais, não pode ser muito massivo”, afirma, explicando que é necessário preservar um núcleo onde as relações aconteçam de forma próxima e estratégica. Ao mesmo tempo, ela reconhece a importância de expandir o alcance do movimento como fonte de inspiração. “Pode ter volume, mas tem que haver um centro que permita conexões reais”, diz a fundadora, apontando para um modelo híbrido entre profundidade e amplitude.
Ao analisar a relação entre Europa e América Latina, María observa mudanças importantes no cenário europeu, especialmente após relatórios estratégicos que acenderam alertas sobre competitividade e inovação. “A Europa se conscientizou de que o caminho não estava bom”, afirma, apontando uma nova aposta em revisão de normas, integração de mercados e estímulo ao empreendedorismo. Ainda assim, ela reconhece que o continente enfrenta desafios para reter talentos, muitos dos quais acabam migrando para outros ecossistemas mais dinâmicos.
No contraste com o Brasil, o entusiasmo é evidente. María destaca o modelo colaborativo encontrado no Rio Grande do Sul como um diferencial raro. “A forma de fazer inovação aqui é espetacular”, afirma, mencionando a integração entre universidades, empresas, instituições e poder público como um ativo estratégico. “Todo mundo está implicado e isso é maravilhoso”, diz a fundadora, classificando esse alinhamento como algo difícil de replicar em outros mercados e como uma base sólida para crescimento sustentável.
Apesar disso, ela volta ao ponto central de sua análise, da necessidade de ampliar a ambição global. “Não somos só o Rio Grande do Sul, nem só o Brasil. Somos o mundo”, afirma María, defendendo uma mudança de mentalidade para posicionar o país como referência internacional em inovação e empreendedorismo. Para ela, o potencial já existe e o próximo passo é romper a casca do mercado interno e ocupar novos espaços com protagonismo.
Ao encerrar o South Summit Brazil 2026, a leitura da fundadora reforça um cenário otimista, mas também desafiador. O evento se consolida como uma plataforma estratégica de conexões e negócios, enquanto o ecossistema brasileiro demonstra força, articulação e capacidade de inovação. O futuro, segundo María, dependerá da capacidade de transformar esse potencial em presença global consistente.