Júlia Fernandes

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Repórter

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Novidade

Com aporte de R$ 12 milhões, empreendedor da rede Di Paolo abre vinícola no Vale dos Vinhedos

A Paulo Geremia Vino & Cucina une vinícola e espaço gastronômico em Bento Gonçalves
Fundador da rede de restaurantes Di Paolo, o empreendedor Paulo Geremia, inaugura, na quinta-feira (12), a Paulo Geremia Vino & Cucina no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves. O negócio, que une uma vinícola e um espaço gastronômico, é fruto da sociedade entre Geremia e Paulo Bruschi. O foco será a experiência harmonizada com os rótulos da vinícola e os pratos elaborados a partir da consultoria do chef Rodrigo Bellora.  
Fundador da rede de restaurantes Di Paolo, o empreendedor Paulo Geremia, inaugura, na quinta-feira (12), a Paulo Geremia Vino & Cucina no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves. O negócio, que une uma vinícola e um espaço gastronômico, é fruto da sociedade entre Geremia e Paulo Bruschi. O foco será a experiência harmonizada com os rótulos da vinícola e os pratos elaborados a partir da consultoria do chef Rodrigo Bellora.  
O novo empreendimento recebeu um investimento milionário. Entre a aquisição da propriedade onde fica a  vinícola, a construção do prédio e do restaurante, estrutura, máquinas e compra de uvas, foram R$ 12 milhões investidos. Implantado em outubro de 2025 com consultoria do enólogo Silvano Michelon, o vinhedo de dois hectares reúne cerca de 8 mil mudas, sendo 5 mil de Chardonnay e 3 mil de Merlot cultivadas dentro dos critérios técnicos exigidos pelo Vale dos Vinhedos. 
Com a produção inicial de 15 mil litros de vinho, a Paulo Geremia Vino & Cucina terá capacidade para produzir 23 mil litros de vinho ao ano a partir de 2027. O restaurante da vinícola conta com 160 lugares, entre espaços internos e externos. “Temos cerca de 50 lugares reservados ao jardim do local. Na parte superior do restaurante, os clientes contam com uma vista para a vinícola”, destaca Geremia. A casa funcionará com almoço de terça a domingo e jantar de terça a sábado, com atendimento das 11h às 22h.
Situado na primeira região do País a conquistar a Denominação de Origem para vinhos finos, o empreendimento nasceu a partir de uma realidade vivenciada por Geremia desde a infância. “Diria que, desde a minha infância, assim como meus pais, sempre trabalhei na roça. Tínhamos uma cultura muito diversificada, além dos parreirais, onde se produzia muitas uvas, algo em torno de 80 mil quilos ao ano”, conta o empreendedor, afirmando que, na época, a matéria prima era vendida para cooperativas e tinha como destino final a vinícola Aurora. “A gente também elaborava vinhos, mas para consumo e vendas regionais. Vivenciei muito aquele sistema antigo, onde se fazia o vinho, depois o próprio vinagre”, explica. 

Virada de chave

O empreendedor destaca que tudo era ainda realizado de maneira muito artesanal, e que a energia elétrica, assim como a tecnologia eram uma realidade distante na produção. Com o passar dos anos, Geremia se consolidou no segmento gastronômico, a partir da criação do Di Paolo há mais de 30 anos. Com isso, o vinho seguiu presente na realidade do empresário, mas distante dos parreirais. “Há uns oito anos, eu estava em uma consultoria de carreira e me disseram ‘tu tens que trabalhar com alguma coisa com terra, com natureza, algo que te realize’, acredito que pela minha origem e pela origem do meu primeiro negócio”, comenta. 
Quando veio a decisão de qual segmento investir, Geremia não tinha dúvidas. “Já tínhamos uns vinhedos plantados, então a ideia de elaborar vinhos me alegraria muito. Acredito que o vinho tem uma característica diferente do que qualquer bebida que tu fabricas”, comenta o empreendedor, sobre sua paixão pela bebida. “O vinho se elabora, tem um negócio de alma, de vida. São vários micro-organismos que se transformam durante o processo de fermentação, envelhecimento a fim de buscar o melhor equilíbrio entre eles”, detalha. 
Antes de levantar o prédio onde ocorre toda a operação, foi realizada uma perfuração de sete metros abaixo do solo para criar um espaço subterrâneo, com o clima ideal para o processo de envelhecimento dos vinhos. “Depois começamos a subir o prédio e fazer o restaurante em cima. A nossa cozinha tem como principal característica a harmonização com os vinhos”, declara Geremia, explicando que o restaurante conta com opções à la carte. Assim como o Di Paolo, a Paulo Geremia Vino & Cucina conta com galeto e grelhados. 
Com mais de 3 mil m² distribuídos em cinco andares, a vinícola foi projetada
pela arquiteta Letícia Zanesco. Com estilo minimalista e contemporâneo, o projeto é marcado pela verticalidade e pelo uso de concreto, cimento aparente, madeira e ferro. Todos os processos produtivos são abertos à visitação, do recebimento das uvas por gravidade à cantina, tanques de
fermentação, câmara fria, cave de barricas e estoque.

Primeiras safras

De acordo com o empreendedor, o negócio já conta com duas safras elaboradas em parceria com a Vinícola Valmarino, de Pinto Bandeira, responsável pelo vinho da casa da rede Di Paolo. “Já temos vinhos da marca Paulo Geremia envelhecendo na Valmarino, com toda a expertise que eles têm”, comenta.
Além de comercializar os rótulos no novo estabelecimento, eles estarão disponíveis nas casas Di Paolo e no e-commerce da marca. Segundo o empreendedor, a ideia não é trabalhar com varejo ou com qualquer outra forma de distribuição que não seja a venda direta ao consumidor final. 
Sobre estar localizado em uma região onde a produção de vinhos é tão pujante, Geremia entende que há ainda muito espaço no segmento. “O Brasil produz muito pouco vinho pela capacidade que tem. É um mercado que está ainda muito pequeno em relação à oportunidade que tem”, destaca o empresário, afirmando que a linha do negócio será a produção de vinhos de alta qualidade com tecnologias importadas da Europa. 
Geremia ainda destaca que a nova marca será favorecida pela imagem já construída e consolidada da Di Paolo. “Acredito que teremos uma facilidade na comercialização a médio prazo, já que não vamos depender unicamente desse negócio”, explica, afirmando que o contexto é positivo, pois não há necessidade de acelerar o processo de envelhecimento, por exemplo, já que existem recursos que possibilitam respeitar o tempo do vinho.