Isadora Jacoby

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Editora do GeraçãoE

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Gastronomia

Consumidor gaúcho estará mais criterioso ao escolher onde comer fora, aponta Sebrae-RS

Gastronomia afetiva e atendimento de excelência são os pontos-chave para o setor em 2026
O consumidor gaúcho seguirá fazendo refeições fora de casa em 2026, mas de forma criteriosa. É isso que aponta o Sebrae-RS através do levantamento sobre Alimentação Fora do Lar (AFL). Francine Danigno, analista de articulação e projetos do Sebrae-RS, garante que o ano exige cautela dos estabelecimentos gastronômicos, que deverão investir no atendimento como diferencial. 
O consumidor gaúcho seguirá fazendo refeições fora de casa em 2026, mas de forma criteriosa. É isso que aponta o Sebrae-RS através do levantamento sobre Alimentação Fora do Lar (AFL). Francine Danigno, analista de articulação e projetos do Sebrae-RS, garante que o ano exige cautela dos estabelecimentos gastronômicos, que deverão investir no atendimento como diferencial. 
Isso porque, segundo a especialista, o consumidor gaúcho não deixará de frequentar restaurantes, mas deve desacelerar, de modo que essa escolha passará por mais pontos. "Os bares e restaurantes precisam estar antenados em 2026, com bastante cautela em relação aos custos e ao desperdício, porque as pessoas estão com limitação de recursos. Não quer dizer que elas não irão se alimentar fora, mas estarão mais receosas, vão sair menos. É importante que o restaurante, quando ele se torna a opção desse cliente, tenha um foco e um cuidado para que ele tenha um bom atendimento e não tenha desperdício", indica Francine. 
Os empreendedores do segmento também devem dar atenção para o calendário de 2026, marcado por feriados prolongados e por eventos especiais, como a Copa do Mundo. Francine pondera que, de forma geral, o segmento da gastronomia consegue aproveitar esses momentos, mas, ainda assim, é preciso analisar o cenário. "Tem estabelecimentos que optam por aproveitar os feriados. Se o feriado tem uma relação com o que é servido ou se é possível fazer uma ação promocional em cima daquela data, ele deve se planejar para aproveitar esse momento e vender mais. Mas se ele não tem essa condição pelo caráter do negócio não ser relacionado ao calendário, o melhor é que ele cuide bastante de seus estoques para que ele tenha sempre o estoque mínimo", ressalta. 
Mesmo com o pé no freio em relação aos gastos, o custo não está no centro da decisão sobre o assunto, garante a especialista. A essência do negócio será mais definidora na hora do cliente escolher onde ir. "Um ponto importante é que as pessoas estão preocupadas com o preço, mas o preço não é o caráter principal. Estão cuidando se o que a empresa apresenta se conecta com elas. Se o propósito da marca é aderente ao propósito que o cliente tem. Isso precisa estar bastante representado enquanto propósito de marca, que vai ajudar no processo decisório do cliente de optar por um restaurante ou outro", afirma. 
Nessa esteira, o Sebrae-RS aponta como uma tendência para o mercado de gastronomia em 2026 a valorização da gastronomia afetiva. A clientela tende a buscar mais por aquilo que gera conexão, tem memórias e histórias, e não focar tanto em modismos. "As pessoas estão buscando se conectar com uma alimentação que relembre algo sobre elas", diz a especialista. Mesmo que o ano não vá se marcado pelo destaque às novidades, é preciso entender que uma gastronomia mais inclusiva — com opções vegetarianas, veganas ou para restrições alimentares — já não é mais tendência, é realidade. "O restaurante precisa ter a opção, porque uma pessoa vegana, vegetariana ou com restrição retira uma mesa inteira do restaurante", alerta.

Segurança alimentar em pauta

Em 2025, ações da vigilância sanitária que interditou temporariamente operações conhecidas de Porto Alegre viraram pauta nas redes sociais. Com o tema ganhando enfoque, a especialista afirma que é preciso mostrar para o cliente a preocupação do estabelecimento com as regras sanitárias, comunicando iniciativas que garantam segurança para o consumidor. "A segurança alimentar, principalmente em Porto Alegre, é um assunto que temos trabalhado bastante, especialmente pelos acontecimentos do ano anterior. Percebemos que, agora, o cliente também olha isso, se tornou fator decisivo para ele também. É muito importante que as empresas mantenham a sua frequência de cuidados em relação a legislação, e também tenham uma forma de demonstrar isso para o cliente, mas que não seja só com aquele objetivo comercial. Comunicar os cuidados, como ela procede, os treinamentos que a equipe faz é uma forma que a empresa tem de mostrar que está cuidado do cliente, e, ao mesmo tempo, cuidando da equipe", indica. 

Delivery segue com competição de preço

Se nos espaços físicos o atendimento e a experiência são os diferenciais, no delivery a competição por preço segue ditando a escolha dos clientes. "O delivery tem alguns aspectos diferentes, porque normalmente se escolhe pela praticidade, o cliente não quer ir a um estabelecimento. Quando se olha para a questão da praticidade, tem outros elementos, como tempo de espera, de entrega, se está chegando numa padronização que é a esperada. Trabalha-se muito a competição pelo preço. Tem muitos mais fatores para administrar além do que o restaurante físico trabalha", compara. 

Parceiros locais

Deve estar no radar dos empreendedores de gastronomia a aposta em parceiros locais na hora da compra de insumos e produtos. Francine ressalta que proceder dessa forma garante vantagens em diferentes frentes, como poder trabalhar com estoques mais frescos e usar as conexões com outros negócios como estratégia de marketing. "Do ponto de vista financeiro, quando tem esse elemento local pode ter sempre um estoque mínimo, já que se tem uma proximidade com aquela empresa. O estoque se mantém na indústria, e o empreendedor só busca quando precisa de fato. Isso é um recurso para o restaurante não se encher de estoque, porque o produto está muito pertinho", afirma a especialista, destacando as vantagens estratégicas. "Quando a gente trabalha com uma vinícola local, por exemplo, tem uma chance de trabalhar de forma mais exponencial uma mídia, porque tu tens o teu parceiro local trabalhando junto, pode ser uma grande parceria. A conexão de marcas que se unem porque tem um propósito semelhante engradece muito a imagem dessas empresas para o público final", afirma Francine.