Em um cenário onde a inovação e a sustentabilidade são cada vez mais valorizadas, a ProspectaBio, uma deep tech de Porto Alegre, busca transformar a agricultura por meio de tecnologia microbiana. Fundada em 2021 e instalada no Parque Tecnológico da Pucrs (Tecnopuc), a empresa atua na interseção entre pesquisa acadêmica e inovação prática, desenvolvendo bioinsumos customizados para o agronegócio. O negócio será agraciado com o prêmio O Futuro da Terra, promovido pelo Jornal do Comércio e pela Fapergs na Expointer.
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Desde o início, a missão da marca é gerar impacto real na cadeia produtiva com produtos inéditos e sustentáveis. “Nós trabalhamos com controle biológico de insetos, nematoides, fitopatógenos e também com a fertilidade do solo. Além disso, temos projetos na linha de descarbonização e mitigação de gases de efeito estufa”, explica a sócia administrativa Lídia Mariana Fiúza.
Com uma equipe formada por cinco sócios, três conselheiros e bolsistas de projetos, a ProspectaBio construiu dois laboratórios próprios. Um deles é voltado à prospecção e identificação de micro-organismos e outro dedicado ao desenvolvimento de protótipos e produtos. Essa estrutura foi viabilizada a partir de aportes de sócios e à conquista de projetos de subvenção econômica, que possibilitaram a montagem do espaço e a realização de testes em campo.
De acordo com Lídia, um dos grandes desafios enfrentados pela deep tech é transformar o conhecimento científico em soluções escaláveis. “A empresa trabalha com pesquisa na bancada. A partir de uma coleção própria de micro-organismos, fazemos experimentos contra os alvos, como insetos e nematoides, e ensaios em campo para avaliar a atividade nutricional das plantas”, detalha.
O diferencial da Prospecta está no pioneirismo. Enquanto grande parte do mercado agrícola gira em torno de poucos micro-organismos já conhecidos, a empresa amplia essa base, identificando novas espécies e moléculas. “Não produzimos mais do mesmo. Trabalhamos com blends de três, quatro ou cinco micro-organismos. Isso garante múltiplas funcionalidades, um mesmo produto pode controlar uma praga e, ao mesmo tempo, ativar o sistema nutricional da planta”, explica.
Todos os produtos desenvolvidos pela ProspectaBio são registrados no Ministério da Agricultura. “O que desenvolvemos não existe no mercado. Passamos por todas as etapas de validação toxicológica, de bioensaios e de registros oficiais. Hoje temos dois produtos em fase final de registro, que devem sair até o fim do ano para a fase industrial com nossos parceiros”, conta a sócia, afirmando que a empresa compromete-se com o processo regulatório que conduz. “Desenvolvemos todo o processo fermentativo, a formulação e a validação junto a laboratórios credenciados, tanto em toxicologia quanto em testes ambientais. Depois disso, depositamos um dossiê no Ministério da Agricultura e só então obtemos o registro. É um processo demorado e custoso, mas que garante segurança e qualidade.”
Esse cuidado assegura que os produtos da empresa não sejam apenas mais uma oferta no mercado agrícola, mas soluções novas e patenteadas. Como ressalta a sócia, muitos bioinsumos comercializados no Brasil são variações de micro-organismos já conhecidos, replicados em diferentes marcas por meio da chamada “extensão de uso”. A ProspectaBio, ao contrário, aposta em descobertas próprias, que fortalecem a posição da empresa como protagonista em inovação.
Outro eixo central da atuação da empresa é a contribuição para a redução dos impactos ambientais da agricultura. Em parceria com as universidades Pucrs e a Ufrgs, a empresa desenvolve projetos voltados à mitigação de gases de efeito estufa. “Quando aplicamos um bioestimulante no solo, ele melhora o enraizamento e a fisiologia da planta. Isso aumenta a produtividade, mas também reduz a necessidade de aplicações químicas e, consequentemente, o uso de maquinário e combustível. Tudo isso é contabilizado no cálculo de emissões evitadas”, afirma Lídia.
Atualmente, a ProspectaBio concentra seus projetos em culturas estratégicas, como milho e soja, mas já vislumbra demandas para café e cana-de-açúcar. O modelo de negócio é B2B, em parceria com indústrias e distribuidoras, que assumem as etapas finais de envase e distribuição dos produtos.
A sócia reconhece que um dos gargalos ainda é o marketing, dado o caráter inovador da empresa. “Estamos entrando nessa fase agora, mas o reconhecimento científico já é muito expressivo”, destaca. Mesmo jovem, a empresa já conquistou espaço importante no ecossistema de inovação brasileiro. Projetos como o InovaDoc e o Tecnova 3, nos quais alcançaram o primeiro lugar em concorrência nacional, demonstram o potencial do trabalho realizado. “Nós acreditamos que a ciência precisa sair da bancada para chegar ao campo. Cada reconhecimento que recebemos reforça que estamos no caminho certo”, afirma Lídia.
Reconhecimento com o Prêmio Futuro da Terra
A conquista do prêmio O Futuro da Terra, do Jornal do Comércio, é considerada um marco pela equipe. “Para nós é um reconhecimento incalculável. Desde 2021 finalizamos diversos projetos apoiados por instituições como Fapergs, Sebrae e Finep. Esse prêmio consolida todo o esforço que temos feito para transformar pesquisa em soluções sustentáveis para o agro brasileiro”, afirma Lídia.
Com uma trajetória ainda jovem, mas marcada por conquistas, a ProspectaBio se posiciona como um agente estratégico na construção de uma agricultura mais inovadora e sustentável. “A nossa predição no mercado é entregar produtos inéditos, com registro próprio, que tragam ganhos de produtividade e, ao mesmo tempo, respeitem o meio ambiente. Essa é a nossa forma de contribuir para o futuro da terra”, resume.