O Centro de Inteligência do Agronegócio (Centro Agro) marcou, nesta quinta-feira (24/7), sua retomada como articulador estratégico da inovação no campo gaúcho. Realizado no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, o evento reuniu representantes do governo, entidades e setor produtivo com o objetivo de integrar esforços e soluções para os desafios enfrentados pelo agronegócio no RS, especialmente após os impactos das enchentes de 2024. O objetivo é posicionar o RS como referência latino-americana em inovação no agro até 2035.
O evento contou com painéis temáticos e troca de experiências, apontando para a consolidação de uma governança colaborativa e a estruturação de uma política pública permanente. Criado em 2023, o Centro Agro havia tido sua atuação interrompida por eventos climáticos extremos. Agora, a iniciativa é reposicionada como ponte entre Estado, produtores, academia e entidades, com foco em inovação sustentável nas cadeias agropecuárias.
Na abertura do encontro, a secretária de Inovação, Ciência e Tecnologia, Simone Stülp, destacou a importância da articulação entre os elos da cadeia produtiva. Ela contou que já há R$ 133 milhões investidos em editais voltados ao setor, incluindo projetos em pesquisa, desenvolvimento e living labs, como o inaugurado em Caxias do Sul, que conecta o agro às cidades inteligentes.
O secretário da Agricultura, Edivilson Brum, definiu o Centro como um “laboratório de ideias”. E projetou: "Se o agro já responde por cerca de 40% do PIB do Estado, com trabalho conjunto o setor pode avançar para 50% de participação".
Ele reforçou a importância da união entre os atores diante dos eventos climáticos e ressaltou investimentos em recuperação de solos e infraestrutura rural.
Para o secretário-adjunto da Sict, Mário Augusto Freire Gonçalves, o Centro Agro deve atuar como “curador de soluções”, conectando demandas do campo às ofertas tecnológicas disponíveis. Ele defendeu que é hora de acabar com a “retórica no agro” e inserir inovação em cada segmento.
Andréia Dullius, diretora de Ambientes de Inovação da Sict, reforçou que o Estado não deve criar novas estruturas, mas sim articular e acompanhar resultados.
“A inovação é o caminho para que o agro gaúcho volte ao protagonismo”, afirmou.
Mesmo com limitações para encontros presenciais, o Centro seguiu fomentando ações inovadoras, como a produção de álcool a partir de alimentos afetados pela seca – caso do milho e da batata –, destacada por Gonçalves como exemplo de inovação resiliente.
“Mesmo quando a safra falha, pode virar energia.”
Antônia Scalzilli, presidente do Instituto Desenvolve Pecuária, defendeu que a maior inovação no setor é uma mudança de comportamento por parte dos pecuaristas. Segundo ela, apesar de uma elite tecnificada, muitos produtores ainda carecem de acesso a informação e estrutura.
“A carne gaúcha tem qualidade comparável à uruguaia e argentina, mas precisa de comunicação e política pública”, disse.
Joel Maraschin, chefe de gabinete da Secretaria da Agricultura e um dos integrantes do Comitê Estratégico do Centro de Inteligência, disse ao Jornal do Comércio que o evento é o marco de um novo ciclo de políticas públicas integradas. Para ele, chegou o momento de uma virada tecnológica no Estado, com foco em rastreabilidade, agricultura de baixo carbono e digitalização do uso do solo.
A agricultura familiar também foi contemplada. Romano Scapin, diretor-geral da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), defendeu o papel do Centro na inclusão tecnológica dos pequenos produtores, que representam 80% da mão de obra no setor. Ele apresentou o projeto da Feira Digital da Agricultura Familiar, que visa permitir a comercialização online de produtos agroindustriais durante todo o ano.
“Vamos aproximar produtor e consumidor pela tecnologia, gerando renda e ampliando o alcance dos alimentos”, afirmou.
Para o secretário-adjunto do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), Marcelo Camardelli, a integração entre ciência, tecnologia e gestão ambiental são pilares para um agronegócio mais sustentável, inovador e resiliente. Ele destacou que o encontro representa um passo decisivo na construção de um setor agropecuário adaptado aos desafios das mudanças climáticas, que afetam diretamente a produção e a segurança hídrica no Estado.
O secretário sublinhou o papel da Secretaria (SEMA) na transição para modelos produtivos que conciliem crescimento econômico e conservação ambiental. Entre as iniciativas promovidas pela pasta, ele mencionou o fortalecimento da gestão hídrica, a recuperação de áreas degradadas e a implementação de políticas de adaptação climática, alinhadas aos objetivos do Centro de Inteligência do Agro.
O secretário sublinhou o papel da Secretaria (SEMA) na transição para modelos produtivos que conciliem crescimento econômico e conservação ambiental. Entre as iniciativas promovidas pela pasta, ele mencionou o fortalecimento da gestão hídrica, a recuperação de áreas degradadas e a implementação de políticas de adaptação climática, alinhadas aos objetivos do Centro de Inteligência do Agro.
A assessora ambiental da Farsul, Paula Hofmeister, reforçou o papel das entidades como ponte entre campo e cidade e defendeu que a inovação precisa ser coletiva. Segundo ela, o agro gaúcho já adota práticas sustentáveis, como agricultura de baixo carbono e uso racional da água, e tem condições de ser novamente referência nacional.