O Inter que entra em campo às 19h desta terça-feira (29) para enfrentar o Bolívar na segunda partida das quartas de final da Libertadores da América não é o mesmo Inter que encarou os bolivianos na altitude de La Paz. Pelo menos não no olhar da torcida colorada. Lá, nos 3.625 metros de altura em relação ao nível do mar, o time de Eduardo Coudet, que entrou em campo sob alguma desconfiança, subiu de patamar, mostrou que adquiriu uma casca, uma musculatura, um desejo candente de brigar o máximo que pode pela glória eterna de levantar pela terceira vez a Copa.
O desafio em La Paz, de certa forma, foi uma metáfora da vida em si. Quando nos falta o ar, é aí que nos agarramos à vida da forma mais insana. Viver é maior do que tudo, lutar até a última batida do coração, até o último movimento dos pulmões. E o Inter quis muito viver em La Paz. Quis tanto viver, que a vida, ahh essa vida maravilhosa, lhe presenteou com um triunfo.
Este jornalista escreveu na coluna de véspera do duelo de ida que o Colorado tinha de voltar vivo da Bolívia. E isso significava até perder o jogo por um placar mínimo. Mas o Inter fez mais. Não bastava sobreviver, era preciso viver. E o Inter viveu, vive e viverá na noite desta terça o sonho do tricampeonato junto com a sua calorosa torcida que irá, mais uma vez, lotar o estádio Beira-Rio.
Para confirmar a vaga entre os quatro melhores da competição, o time gaúcho precisa entender que não há nada ganho. Na prática, o jogo começa 1 a 0 para o Inter, mas o time da Bolívia já mostrou que é perigoso e pode trazer alguma dificuldade se os donos da casa não encararem o duelo com a seriedade necessária. É preciso deixar tudo em campo, com atenção máxima e intensidade nos 90 minutos.
Coudet não deve contar com Vitão na zaga, o que será um desfalque sentido. O esquema com três zagueiros usado em La Paz não deve ser visto nesta terça, com o Inter tendo um meio campo mais recheado, com vistas a comandar as ações em Porto Alegre.
Os ingressos para acompanhar o jogo no estádio se esgotaram em apenas duas horas, o que mostra o tamanho da empolgação da torcida vermelha para este jogo, mas não só para ele. O colorado que sofre com o jejum de 12 anos sem um grande título vislumbra a conquista da América no dia 4 de novembro, no Maracanã. Faltam quatro jogos para soltar o grito preso na garganta. Depois desta terça, se tudo der certo, faltarão três.
O poeta cearense e ícone da música popular brasileira Belchior escreveu em 1976 que “viver é melhor que sonhar”. Naquele ano, o Inter sonhou e viveu a conquista do bicampeonato brasileiro. Pois, agora, o Colorado está vivendo o sonho. Belchior que me desculpe, viver até pode ser melhor que sonhar, mas é o sonho que faz da vida algo mágico.


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