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Reportagem Cultural

- Publicada em 26 de Maio de 2022 às 18:58

A história da Flower's, primeira boate gay de Porto Alegre

Entre 1971 a 1976, boate em frente à Praça Jayme Telles contribuiu com arte e atitude para uma visão mais plural da vida noturna na capital gaúcha

Entre 1971 a 1976, boate em frente à Praça Jayme Telles contribuiu com arte e atitude para uma visão mais plural da vida noturna na capital gaúcha


ACERVO PESSOAL DIRNEI MESSIAS/REPRODUÇÃO/JC
Visitar boates durante o dia pode ser uma experiência surpreendente. A combinação de silêncio, luzes acesas e ausência de público faz o espaço parecer menor e permite que sobressaiam odores e outras sensações. E se o empreendimento deu lugar a uma residência há muito tempo, a observação pode beirar o surreal. É o que acontece quando se adentra o número 72 da Praça Jayme Telles (divisa do bairro Santana com Santo Antônio), endereço que, entre 1971 e 1976, sediou a Flower's, um dos mais emblemáticos pontos de convergência da comunidade gay em Porto Alegre.
Visitar boates durante o dia pode ser uma experiência surpreendente. A combinação de silêncio, luzes acesas e ausência de público faz o espaço parecer menor e permite que sobressaiam odores e outras sensações. E se o empreendimento deu lugar a uma residência há muito tempo, a observação pode beirar o surreal. É o que acontece quando se adentra o número 72 da Praça Jayme Telles (divisa do bairro Santana com Santo Antônio), endereço que, entre 1971 e 1976, sediou a Flower's, um dos mais emblemáticos pontos de convergência da comunidade gay em Porto Alegre.
Os 170 metros quadrados da casa construída na década de 1940 e o aconchego de suas acomodações, recheadas de móveis e objetos típicos de um lar, não fornecem qualquer indício de um passado que a coloca no mesmo pedestal histórico da Esquina Maldita (Bom Fim) e de outros ícones da resistência à caretice na capital gaúcha. Há, porém, as memórias de seus protagonistas, a começar por uma figura lendária: Dirnei Messias, cujos 18 investimentos na atividade fizeram dele um dos imperadores do entretenimento noturno na cidade ao longo de quase seis décadas.
A estreia foi com o piano-bar Porão 700 (rua 24 de Outubro, diante do então futuro Parcão), em 1968. Mas Dirnei saiu de cena dois anos depois, ao ver a sua segunda boate, a Espantalho (rua Santo Antônio), entrar na mira de autoridades que viam naquele ambiente um antro subversivo. Intolerância, denúncias, achaques. A pausa estratégica não passou de oito meses: ainda em 1970 ele já comandava a Mirage, de um estouro incompatível com as dimensões acanhadas de suas dependências na esquina da José de Alencar com a Padre Cacique.
Hora de chamar o caminhão de mudanças. O advogado Nelson Oliveira, 80 anos, colabora: "Meus pais haviam adquirido o imóvel na Jaime Telles dez anos antes. No entanto, o financiamento era salgado, então decidiram alugá-lo e seguir com os três filhos para a Cidade Baixa. Nosso primeiro inquilino foi um italiano que ali abriu o dancing Paradise, mais tarde Caracol (a poucos passos do inferninho Balaio), durante uns três anos. Ao saber da desocupação, a amiga em comum Laine Ledur deu o toque e logo surgiu o Dirnei com seu espírito de aventura, no começo de 1971".
Se pessoalmente o futuro rei da noite ainda não havia "saído do armário", na esfera empresarial já tinha muito bem definido o conceito de sua nova investida: uma espécie de cabaré em estilo parisiense, com pista de dança e pequeno palco para shows, em uma atmosfera propícia ao livre exercício de afetos e sensibilidades artísticas, independente do gênero ou preferência sexual - bastando deixar do lado de fora qualquer ranço ou preconceito. Uma democracia considerável em meio ao período mais sórdido da ditadura militar que comandou o País de 1964 a 1985.
Faltava apenas o nome. Parceira de farras desde os tempos de Escola Irmão Pedro (bairro Floresta), Laine topara gerenciar a futura casa e, acompanhando o amigo na entrevista ao Serviço de Censura e Diversões Públicas da Polícia Civil, partiu dela a resposta de bate-pronto ao questionamento sobre como seria batizado o primeiro recinto assumidamente gay do Rio Grande do Sul: "Flower's, com apóstrofe!". Licença concedida, a dupla ouviu do delegado que era "melhor os viados reunidos em um lugar que possamos controlar, do que espalhados por aí". Nem tudo seriam flores. 

Símbolo de liberdade e vanguarda

Flower's consolidou-se como boate mais democrática da noite porto-alegrense

Flower's consolidou-se como boate mais democrática da noite porto-alegrense


/ACERVO PESSOAL DIRNEI MESSIAS/REPRODUÇÃO/JC
A pré-divulgação da Flower's envolveu uma jogada maquiavélica de Dirnei Messias e de sua gerente Laine Ledur. "Escolhemos a dedo quatro das bichas mais famosas de Porto Alegre para jantar conosco", detalham. "Após certo mistério, na hora da sobremesa confidenciamos aos convidados o plano de abrir uma casa noturna gay em cerca de 30 dias. Entretanto, pedimos segredo sobre a novidade. O que a gente menos queria era sigilo, então a tática deu certo, pois já nos dias seguintes todo mundo estava sabendo e saiu até nota na imprensa."
Em 8 de maio de 1971, quinta-feira, o desabrochar da mais ousada boate gaúcha gerou uma fila de 100 metros a beliscar a esquina com a Bento Gonçalves (o triângulo da Praça Jayme Telles tem no outro lado o final da rua Santana). O bafão seria reprisado semanalmente, de terça a domingo, por gente movida a liberdade, alegria e curiosidade - não só as minorias futuramente designadas LGBTQIA , como também colunistas, colunáveis, boêmios, intelectuais, anônimos, ilustres, assumidos, simpatizantes, enrustidos, casados, solteiros, desquitados, sozinhos ou acompanhados.
Cruzando-se o muro grafitado com o nome da casa, mais escada de 12 degraus e pequena varanda sob grande flor em metal, a porta se abria a uma espécie de realidade paralela, onde o moralismo era pendurado em algum cabide imaginário, não sem antes o crivo de Laine, que também cantava na casa. "Eu era conhecida como a 'Nossa Senhora das Bichas' e como bruxa, por barrar menores de idade", relembra ela no documentário Flores de 70, dirigido em 2007 por Vinícius Cruxen para o Nuances - Grupo pela Livre Expressão Sexual e que pode ser conferido na internet.
Nas noites de babado forte, 400 pessoas se aglomeravam ali dentro das 21h às 5h, enquanto outras dezenas esperavam na calçada, sem contar os retardatários que apareciam para um segundo tempo pós-noitada em boates mais ortodoxas da avenida Independência e outros points. O toca-discos rodava os últimos gritos da parada: Barry White, Santana, Caetano Veloso (Samba, suor e cerveja era praticamente um hino interno) e meia hora de hits românticos. Mas o encanto principal estava mesmo no palco, tendo Dirnei como mestre de cerimônias, ator e performer.
ACERVO PESSOAL DIRNEI MESSIAS/REPRODUÇÃO/JC

Dirnei Messias e Laine Ledur eram a dupla à frente da casa noturna | Foto: Acervo pessoal Dirnei Messias/Reprodução/JC

O menu era sortido, com números de dublagem, dança e strip-tease, esquetes teatrais, versões compactas de filmes de Hollywood ou musicais da Broadway e concursos em clima de programa de auditório (a mais bonita transformista, o machão da noite), com júri de personalidades (Gilda Marinho, Roberto Gigante, Maria Thereza Goulart). Nem que fosse preciso sentar no chão, ninguém queria perder as peripécias artísticas das travestis Dani Dubois, Susie Parker, Natalie Delon, Rebecca McDonald, Valéria Del Rio e outras estrelas, sem cachê mas remuneradas com copa livre.
Improviso e profissionalismo costuravam o espírito irreverente de um espaço cujas paredes zebradas em preto e branco realçavam o colorido de uma gente louca para brilhar e ser feliz. Sob direção do irmão Darcílio Messias e de outros dramaturgos locais, não faltavam versões hilárias para enredos manjados como Romeu & Julieta, O poderoso chefão e Cabaret, "com muita frescura", diverte-se Dirnei, fazendo jus aos slogans 'A glória do gênero' e 'Venha e desbunde'. Mas tudo levado a sério e com semanas de ensaio, a exemplo do espetáculo Isto é Flower's, que excursionou pelo Interior do Estado.
Na plateia também reluziam coadjuvantes inesquecíveis para quem viveu o período. Foi o caso do inseparável grupinho conhecido como "As Três Marias" (Roberto Rayfone, Silvino Pires e Zeca Martins), de mesa cativa e figurinos do mais puro glamour em meio ao sortido leque de frequentadores: maquiagem sofisticada, cabelos armados em laquê, joias finas, carteiras coloridas, blusas transparentes e calças boca-de-sino em estilo palazzo-pijama, em modelos desenhados de forma exclusiva por estilistas chiquérrimos com tecidos de lojas como a Casa das Sedas.
O designer de interiores Paulo Zoppas, 71 anos, também estava entre os habitués. "A boate era divertida, eclética e ótima para encontrar amigos ou fazer outros, em um ambiente sem drogas, brigas e confusão", compartilha. "Para mim, há também uma dupla importância em termos de realização pessoal. Primeiro como decorador iniciante (é dele a ideia do padrão zebrado nas paredes), cujo reconhecimento me levaria a repetir a dose na Papagayu's, Água na Boca, Le Club e outros ícones da noite. E depois com uma carreira meteórica nas artes cênicas."
Ele explica melhor essa história: "Uma espécie de covardia me levava a guardar em segredo o sonho de ser ator, até saber que seria montada na Flower's uma paródia de Cleópatra - A Rainha do Egito. Criei coragem para me candidatar a um papel e acabei incumbido de encarnar Júlio César, tendo Dirnei como Marco Antônio e o maquiador Luiz Abreu (1934-2006) no papel da rainha, tudo ensaiado de forma exaustiva e apresentado com fantasias parecidas com as de carnaval. Saí plenamente satisfeito dessa que foi minha primeira e última vez em um palco."
E se antes não havia fora dos guetos uma alternativa segura de entretenimento para a "irmandade", a existência permitida de um recinto onde se podia manifestar abertamente a sua sexualidade (beijar na boca pessoas do mesmo gênero, inclusive) não demorou a atrair a curiosidade de famosos em turnê pela capital gaúcha - Jair Rodrigues, Maysa, Agildo Ribeiro, Rogéria, Emílio Santiago. Também inseriu a Flower's no mapa-múndi, com seu nome listado em um guia americano de endereços imperdíveis para turistas gays. Nada mal para um negócio de escasso investimento em publicidade.

Luzes acesas

Espírito irreverente acabou criando problemas com a ditadura

Espírito irreverente acabou criando problemas com a ditadura


/ACERVO PESSOAL DIRNEI MESSIAS/REPRODUÇÃO/JC
Pioneira, ousada, divertida, eclética, corajosa, transgressora, plural. Com tamanha combinação de adjetivos, a Flower's nunca teve seus calcanhares a salvo da ditadura militar. E de nada servia o inédito alvará de "boate gay" afixado à parede, tampouco a ausência de atividades políticas no local ou a proximidade pacífica (menos de 200 metros) entre o quartel-general do arco-íris e uma unidade do Exército: o fato é que a relativa tolerância dos primeiros anos foi cedendo terreno a investidas cada vez mais ostensivas por parte dos órgãos de vigilância e controle.
A Aids ainda não havia chegado, mas o preconceito sempre foi pandêmico. Não bastasse a submissão obrigatória dos scripts à Polícia Federal (incluindo análise prévia dos espetáculos em sessões exclusivas para censores com poder de veto a falas, figurinos e outros aspectos), houve um momento em que a boate mais democrática de Porto Alegre passou a ser constrangida por batidas de frequência cada vez maior. Agentes da repressão chegavam de surpresa para um festival de luzes acesas, safanões e até algemas, em nome dos bons costumes e outras pretextos.
Certa madrugada de 1975, Dirnei Messias comandava um espetáculo com casa cheia, quando um aturdido garçom o interrompeu em pleno palco com o aviso de que o lugar estava sob novo ataque: "Era uma verdadeira força-tarefa, com agentes estaduais e federais, censores, juízes de menores, o diabo. Na tentativa de colaborar, fui ao microfone pedir que todo mundo se sentasse, pois estávamos recebendo a visita das autoridades. Mal concluí o recado e acabei dentro de um camburão com destino ao Palácio da Polícia, absurdamente acusado de desacato".
A esse tipo de incidente se somava a questão logístico-comercial. Se a localização discreta havia sido conveniente no início, a distância em relação à zona mais central da cidade acabara dificultando melhor desempenho financeiro em uma cena local que já incluía outras duas boates do próprio Dirnei - a Maxim's ("um lugar na avenida Osvaldo Aranha onde as meninas dançam juntas", indicava o guia de serviços Programa) e a L'Alcazar, montada no segundo semestre de 1976 na avenida Independência, duas casas à esquerda do Encouraçado Butikin (1965-2003).
 

New Flower's City

Dirnei Messias segue em plena atividade na vida noturna de Porto Alegre

Dirnei Messias segue em plena atividade na vida noturna de Porto Alegre


/ACERVO PESSOAL DIRNEI MESSIAS/REPRODUÇÃO/JC
Passados cinco anos e sete meses desde a inauguração, em janeiro de 1977, Dirnei Messias achou por bem dar novos ares à Flower's, antes que tudo murchasse ou ficassem só espinhos. "O contrato foi encerrado e minha família voltou a morar na casa, onde permaneço desde então", depõe o advogado e ex-delegado Nelson Soares de Oliveira, 80 anos, segundo dos três filhos do senhorio original. "Desde então, uma série de reformas devolveu a configuração residencial, de modo que não se consegue perceber aqui qualquer resquício de um passado tão glorioso."
Achar um destino para a boate não havia sido problema. Pelo contrário. A instalação da L'Alcazar no número 908 da Independência - já famoso pelo Barroco Night Club (1967-1976) - deixara de nariz torcido boa parte do público da Flower's, que achava muito elitistas o ponto e a decoração, assinada pelo figurinista Dirson Cattani (1929-2006). Foi quando Dirnei voltou a mostrar arrojo empresarial: unindo necessidade e oportunidade, em março assumiu o risco de migrar para esse endereço, com nova nomenclatura: New Flower's City - trocadilho com a carioca New York City Discoteque.
Deu certo. A ousadia dobrou as resistências do pessoal, mantendo a clientela já fiel e trazendo novos discípulos. Teve muita música dançante na onda da disco music, show do grupo brasileiro Gengis Khan, visita do norte-americano Village People e outros baratos. Como a ocasião em que Dirnei foi aos jornais para desmentir rumores de que daria guarida ao movimento colorado Inter-Flower's, tentativa de concorrência com a torcida gremista Coligay (baseada na casa noturna Coliseu, da avenida João Pessoa). "Nem tenho como aderir à iniciativa, afinal sou tricolor!", protestou.
O globo de espelhos girou no teto até 1979, quando a inesgotável energia de seu dono já abraçava mais duas realizações: Kokeluche e Papagayu's. Em moto contínuo, a multicolorida trajetória de um dos soberanos da noite porto-alegrense o levaria de cetro, capa e coroa a novos desafios nas décadas seguintes. São 18 casas noturnas no currículo, duas gestões à frente da Associação dos Empresários de Diversões Públicas do Rio Grande do Sul, diploma de Jornalismo (Ufrgs/1984) e honrarias como a comenda da Legião de Honra Giuseppe Garibaldi por serviços à cultura.
Pai de três filhos de três casamentos convencionais antes de assumir publicamente no início da década de 1990 a sua homossexualidade, ele divide apartamento na avenida Cristóvão Colombo com Darcílio, um de seus sete irmãos. Profissionalmente, tem colocado seu talento a serviço da produção e apresentação como concursos de beleza e outros agitos "para todas as idades e categorias", em estabelecimentos como Sauna Plataforma (Floresta), Mixx Bar (Navegantes) e Café Fermata (Santana). "A casa fica com a copa e a gente com a bilheteria", sorri.
"Todas as casas noturnas abertas em Porto Alegre nas últimas décadas guardam dentro de si um pedacinho da Flower's, que foi a mãe de todas e uma verdadeira escola", emociona-se. "A pandemia de coronavírus não permitiu que comemorássemos em 2021 o cinquentenário de um lugar tão mágico na história de nossa cidade. Mas, ainda neste semestre, faremos uma grande festa temática no Le Jardin Club, da avenida Alberto Bins." Em breve, a data deve ser anunciada na comunidade temática Flower's Forever, da rede social Facebook.
Antes de fechar a cortina, o showman puxa do baú - às gargalhadas - mais um episódio simbólico dos tempos da boate na Praça Jaime Telles: "Cumprindo expediente à tarde em meu escritório na Flower's, atendi um casal desconhecido e que apareceu pedindo ajuda porque a filha estava de casamento marcado com um rapaz de atitudes 'meio suspeitas'. Eles então me mostraram uma foto do noivo, que logo reconheci como uma das bichas mais assíduas da casa. Refleti por alguns instantes e, enfim, respondi que jamais tinha visto aquele sujeito".
 

Casas noturnas de Dirnei Messias

Uma das logomarcas utilizadas pelo empreendimento de Dirnei Messias

Uma das logomarcas utilizadas pelo empreendimento de Dirnei Messias


ACERVO PESSOAL DIRNEI MESSIAS/REPRODUÇÃO/JC
- Porão 700 (1968-1970) - Avenida 24 de Outubro nº 700
- Espantalho (1969) - Rua Santo Antônio nº 247
- Mirage (1970) - Rua José de Alencar esquina com Padre Cacique
- Flower's (1971-1976) - Praça Jayme Telles nº 72
- Maxim's (1974-1977) - Avenida Osvaldo Aranha nº 784
- L'Alcazar (1976-1977) - Avenida Independência nº 908
- New Flower's City (1977-1980) - Avenida Independência nº 908
- Papagayu's Tropical Club (1978-1982) - Avenida Cristóvão Colombo
- Kokeluche (1978-1980) - Avenida Osvaldo Aranha nº 784, com filial de verão em Tramandaí
- Madame Satã (1981) - Avenida Independência nº 908
- Casablanca (1982) - Avenida Independência nº 908
- B-52's (1982-1984) - Avenida Independência nº 908 (com filial de verão em Capão da Canoa)
- Romeu e Julieta (1982-1983) - Avenida Farrapos próximo ao Gruta Azul
- Pantheon (1984-1985) - Avenida Independência nº 908
- Rádio-Patrulha (1985-1987) - Avenida Plínio Brasil Milano nº 427
- Life Boy & Cia. (1988-1989) - Praça Conde de Porto Alegre nº 55
- Chiclete & Banana (1990) - Praça Conde de Porto Alegre nº 55
- Nexus 6 (1991-1993) - Praça Conde de Porto Alegre nº 55

Espaços de convívio

Espaços como Flower's cumprem importante função para a comunidade LGBTQIA+ no Estado

Espaços como Flower's cumprem importante função para a comunidade LGBTQIA+ no Estado


ACERVO PESSOAL DIRNEI MESSIAS/REPRODUÇÃO/JC
Militante do grupo Nuances - Grupo pela Livre Expressão Sexual (1991), o professor Célio Golim, 61 anos, destaca que os gays sempre recorreram a espaços alternativos para o exercício de sua sexualidade, ainda que muitas vezes de forma camuflada: "Em Porto Alegre não tem sido diferente, com uma história de bares, casas noturnas, pensões, saunas, clubes privês e apartamentos de encontros, em um panorama que é alvo de estudo por parte da nossa entidade e de pesquisadores ligados a instituições de ensino superior como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul".
Na linha do tempo das boates estão Cabana do Turquinho, Flower's, Coliseu, Vanda, Maxim's, Venezianos, Pantheon, Enigma, Romeu & Julieta, Discretus, Fly, Anjo Azul, Vitraux, Cabaret Indiscretus, Metro, Caliente, Sunga's, El Morisco, Liberty e outras tantas. Várias foram mapeadas em 2016 na exposição Uma Cidade Pelas Margens, promovida pelo Nuances no Museu Joaquim José Felizardo. "A lista é ampla e mostra que muitos locais com tal perfil permanecem invisíveis ao público em geral, não raro por conta de certa clandestinidade."

* Marcello Campos, 49 anos, é formado em Jornalismo, Publicidade & Propaganda (ambas pela Pucrs) e Artes Plásticas (Ufrgs). Tem seis livros publicados, incluindo a biografia de Lupicínio Rodrigues e do Conjunto Melódico Norberto Baldauf. Há mais de uma década, dedica-se ao resgate de fatos, lugares e personagens porto-alegrenses.
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