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Reportagem Cultural

- Publicada em 24 de Março de 2022 às 19:08

Encouraçado Butikin dominou as noites de Porto Alegre por quase 40 anos

Sob o comando de visionários como Rui Sommer e Dudu Alvares, boate foi símbolo da boemia chique na cidade

Sob o comando de visionários como Rui Sommer e Dudu Alvares, boate foi símbolo da boemia chique na cidade


ACERVO MARCELLO CAMPOS/DIVULGAÇÃO/JC
Mais que lugares com fachada em neon, pista de dança, muita música, pouca luz, drinks à mesa e alvará na parede, boates são ambientes de convívio, entretenimento, romance e convergência. É impossível dissociar a vida social desses espaços, cuja configuração se mostra tão sortida quanto sedutora ao abraçar o mesmo espírito hedonista - os embalos de sábado à noite que o digam. Em Porto Alegre não foi diferente nas últimas sete décadas, com um cardápio de pelo menos 500 estabelecimentos que deixaram seu carimbo na história cultural de uma cidade que já sacolejou de segunda a domingo, não raro até a porta da rua mostrar os primeiros raios de sol.
Mais que lugares com fachada em neon, pista de dança, muita música, pouca luz, drinks à mesa e alvará na parede, boates são ambientes de convívio, entretenimento, romance e convergência. É impossível dissociar a vida social desses espaços, cuja configuração se mostra tão sortida quanto sedutora ao abraçar o mesmo espírito hedonista - os embalos de sábado à noite que o digam. Em Porto Alegre não foi diferente nas últimas sete décadas, com um cardápio de pelo menos 500 estabelecimentos que deixaram seu carimbo na história cultural de uma cidade que já sacolejou de segunda a domingo, não raro até a porta da rua mostrar os primeiros raios de sol.
Mesmo quem dorme cedo já ouviu falar: Cotillon, 1001 Noites, Clube da Chave, Piano Drink, Black Horse, Cote D'Azur, Baiúca, Crazy Rabbit, Vila Velha, Barroco, Lajos, Scavi, Wisky a Go-Go, Girasole, La Locomotive, Flowers, Discoate, Looking Glass, Maria Fumaça, Chipp's, Papagayu's, Água na Boca, Crocodillo's, Latmosphere, Theatro Mágico, Le Club, Fascinação, Ovo de Colombo, Taj Mahal, Porto de Elis, Fim de Século, Bere & Ballare, Lifeboy, Cord, Publicitá Café, Bucanero, Ópera Rock, Bunker, Lei Seca, Malibu, Manara, Elo Perdido, Strike, Mea Culpa, Santa Mônica, Roseplace, Dado Bier, La Camorra, Barbazul, Venezza, Doctor Jekyll, Notre Dame. E a síntese de tudo: Encouraçado Butikin.
O empreendimento inaugurado em setembro de 1965 no número 936 da avenida Independência não foi o primeiro, nem o maior. Mas tem vaga reservada como o melhor e mais icônico. Espécie de emblema charmoso de um estilo de vida hoje praticamente extinto na capital gaúcha, o casarão brindou a sociedade com artistas do primeiro time da música brasileira, ditou tendências e consolidou a boemia em black-tie. Também serviu de palco para esquetes teatrais e passarela para desfiles de moda, arte, beldades e colunáveis da burguesia local, em saborosa incoerência com a fonte de inspiração para seu nome - um filme socialista produzido na União Soviética.
Cruzando o mar do tempo sob a bandeira do divertimento noturno em altíssimo nível, a embarcação teve três etapas distintas ao longo de quatro décadas, cada qual com seus timoneiros: 1965-1971, 1972-1979 e 1981-2003. "Sobretudo na sua primeira fase, ali estava um ponto de encontro para badalações de ricos, intelectuais, gente da moda, estilosos, 'socialites', artistas, celebridades e outras figuras vip, inclusive de outras partes do Rio Grande do Sul", define o disc-jockey e memorialista Claudinho Pereira, 74 anos, piloto da cabine de som em dois momentos do Encouraçado na década de 1970. "Definitivamente, não era para qualquer um."

Ponto de encontro para vips e estilosos

Aquarela de Vitorio Gheno é retrato dos tempos dourados do Encouraçado Butikin

Aquarela de Vitorio Gheno é retrato dos tempos dourados do Encouraçado Butikin


AQUARELA VITORIO GHENO/REPRODUÇÃO NÁDIA RAUPP MEUCCI/DIVULGAÇÃO/JC
Sócio em banca de advocacia na Rua da Praia, em meados da década de 1960 o montenegrino Rui José Sommer (1937-1972) recebera uma bolada em causa judicial contra a União, quando seguiu o conselho do professor e futuro comunicador Roberto 'Tatata' Pimentel (1938-2012), contemporâneo da Faculdade de Direito e parceiro de boemia: "Em vez de gastar por aí nas boates, por que não abrimos uma? Tu entras com a grana e eu com o know-how". Só faltava o lugar, escolha que recairia - quase por acaso - sobre um casarão construído em 1913 no número 936 da avenida Independência.
Durante uma exposição na galeria de arte que a decoradora Emília Schneider (1922-1992) mantinha naquele endereço, o mentor da ideia percebeu no subsolo um espaço rústico de 100 m2 e tijolos à vista. Bingo! No dia seguinte, Sommer foi ao Rio de Janeiro acertar o aluguel com a proprietária e logo o imóvel passou por reforma capaz de transformá-lo em casa noturna, tarefa do arquiteto e ator Milton Mattos (1934-2020), cofundador do Teatro de Equipe. Nova planta: boate no porão, sob um térreo dividido entre a galeria (que depois atravessaria a rua, com destino ao hall do Teatro Leopoldina) e, à direita, um apartamento para Rui.
Nada mal para um jovem de 27 anos, origem alemã, criado em família simples no Vale do Caí e até então sem grandes interações diretas com a elite cultural porto-alegrense. "Boa parte do projeto foi discutida na casa onde eu e Milton morávamos depois de casados e na qual ele tinha escritório, no final da rua Duque de Caxias", relata a jornalista Ivette Brandalise, 83 anos. "E depois seria a nossa vez de frequentar a 'ala residencial' do Encouraçado, pavoneando com estrelas como Elizeth Cardoso, Vinicius de Moraes e Maysa, em laços que extrapolavam a questão profissional."
O viajado Tatata também tinha suas conexões cariocas, de forma que não foi difícil convencer a cantora Nara Leão a estrelar o show inaugural, em clima de gala e com plateia lotada na noite de sábado, 4 de setembro de 1965. "Eles enviaram convites para toda a cidade", conta o marchand, artista plástico e jornalista Renato Rosa, 76 anos e que também atuava na época como ator, produtor e divulgador. Ele aproveita para mencionar o fato de ter sido um dos poucos negros a frequentarem o local naqueles tempos: "A casa foi pensada desde sempre para o PIB local".
Com o sucesso da empreitada, manteve-se a fórmula. Pelos anos seguintes, o navio receberia bambas da velha e nova guarda, da veterana Aracy de Almeida aos Mutantes, passando por Chico Buarque, Maysa, Vinicius de Moraes, Maria Bethânia, Dorival Caymmi, Elis Regina, Roberto Carlos, Gal Costa, Wilson Simonal, Jorge Ben e Elizeth Cardoso, além de atrações locais como Túlio Piva e estrangeiras, incluindo a francesa Dalida e o americano Chris Montez. Sem contar os astros em temporada no Teatro Leopoldina que davam um pulo ao Butikin, ao balanço dos melhores scotchs.
Quem também pintou de bate-pronto foi a ditadura instalada desde 1964 e que se fez representar por agentes do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), desconfiados do nome-trocadilho com O Encouraçado Potemkin (1925), filme-símbolo da Rússia socialista. Para não perder a viagem, confiscaram um cartaz do longa-metragem, mero enfeite "subversivo" em meio a tijolos à vista, arcos romanos e elementos em metal ou madeira (a começar pela escada de acesso). Mas passou batido o brasão: uma rechonchuda sereia com quepe da Marinha soviética, em desenho do cartunista Ziraldo.
Sem identificação na fachada em cinza-claro, o nome da boate era sinalizado no pequeno hall de entrada por uma placa modernista de 1,2 metro de largura, produzida pelo escultor gaúcho Xico Stockinger (1919-2009) com porções soldadas de ferro, cobre e bronze cuja montagem alude à textura de um casco náutico. Esse objeto de arte exclusivo permaneceu afixado à parede por anos a fio, até ser adquirido em uma galeria pelo casal Milton-Ivete - recentemente, ela encaminhou a peça a um escritório de leilões, com lance inicial de R$ 32 mil e um bom número de interessados.
Havia também o som mecânico e seus intrépidos discotecários a manobrarem LPs, compactos e fitas-rolo. Giba, Nariz, Claudinho, Ademir Lemos. O consultor Gilberto Dieterich, 74 anos, foi um dos primeiros na função. "O Encouraçado tinha um mês de funcionamento quando uns conhecidos da casa pediram que eu copiasse umas fitas por lá, à tarde, já que eu mexia com gravações", recorda. "Ao saber que o DJ faltaria, Sommer me convidou a assumir a cabine, ao lado da chapelaria. Mesmo menor de idade e sem experiência, topei. Meu pai teve que permitir no Juizado."
Ele permaneceria na função até o começo da década seguinte. "Foi uma escola. A gente tocava do romântico ao dançante, em um repertório variado de Beatles, músicas francesas, italianas, americanas e fitas com novidades importadas pela boate carioca Le Bateau, que nos revendia duplicatas. O Tatata também arriscava, colocando faixas eruditas para encerrar os trabalhos", acrescenta Dieterich, que logo se formaria em Direito, advogando por 15 anos até se reconciliar com a noite na década de 1990, com os piano-bares Porto's e Wunderbar, mais a boate Bucanero.

Luzes apagadas

Nomes como Dorival Caymmi fizeram espetáculos no auge do Encouraçado Butikin

Nomes como Dorival Caymmi fizeram espetáculos no auge do Encouraçado Butikin


ACERVO MARCELLO CAMPOS/DIVULGAÇÃO/JC
Alçado ao status de personalidade, Rui fez a fama e deitou na cama, montando no térreo sua ala residencial, eventualmente utilizada como camarim e que chegou a hospedar a cantora Maria Bethânia e outras divas. "A curiosidade da vizinhança sobre o que acontecia ali durante o dia nos incentivava a inventar episódios escabrosos, por pura farra, só para ver até aonde a fofoca chegaria, na base do telefone-sem-fio", deleita-se Ivete Brandalise. "Numa dessas histórias, o Rui aparecia em trajes íntimos com uma cantora no pátio de casa, o que jamais aconteceu, até porque ele era gay."
Mas o barco começou a adernar. A advocacia já se tornara praticamente uma segunda atividade para Sommer, ocupado em conciliar vida boêmia e administração de um negócio com faturamento cada vez mais apertado para sustentar tamanho glamour. Some-se aos rombos no casco o bem-sucedido, mas dispendioso, desembarque de uma filial em galpão alugado na praia de Imbé (com direito a multa de ICMS) e o resultado foi a falência do comandante e sua nave, que em março de 1971 precisou lançar âncora sobre uma fase que deixaria saudades.
A intempérie ainda se encarregaria de outra má notícia, tal como bilhete engarrafado que chega à orla. "Falido e de família sem posses, Rui recebia guarida em meu apartamento quando veio o diagnóstico de câncer de esôfago", narra o amigo e colunista Paulo Gasparotto, 85 anos. Acarinhado por um restrito círculo de afetos, o ex-dono da noite ainda tratou das dívidas (inclusive leiloando seu sítio e um Opala, únicos bens restantes) antes de sair de cena, aos 33 anos, na tarde de domingo, 10 de dezembro de 1972, dois meses após a reabertura do Encouraçado por outros personagens.
“O Rui era um ótimo rapaz, moderno, de bom gosto e que vivia se atrapalhando com os cheques que recebia, muitos pré-datados ou mesmo sem fundos”, diverte-se o artista plástico Vitório Gheno, 98 anos, responsável pela decoração da casa nos primeiros e últimos tempos do Encouraçado. “Como éramos amigos, ele seguidamente me pedia emprestado algum cheque na quinta-feira para segurar as pontas com os fornecedores, garçons e tal. A compensação demorava até 48 horas, então dava tempo de ele pegar o faturamento de sábado, quitar as despesas e eu buscar meu cheque no banco.”

Novos timoneiros

Sereia rechonchuda e com quepe da Marinha soviética foi criada pelo cartunista Ziraldo

Sereia rechonchuda e com quepe da Marinha soviética foi criada pelo cartunista Ziraldo


/ACERVO CLAUDINHO PEREIRA/DIVULGAÇÃO/JC
À deriva por um ano e meio, o número 936 na avenida que liga os bairros Centro e Moinhos de Vento voltou a receber lenha na caldeira, com mudanças no layout e um perfil menos hermético de clientela, responsável por fila quilométrica na noite reinaugural de 13 de setembro de 1972. O leme passara ao comando de figuras como o advogado e arrozeiro Roberto Faillace e os empresários Afif El Kik, Enio Schullas Nonnenmacher (do ramo de restaurantes) e Miguel “Mickey” Preter, conhecido por sua loja que atraía a juventude na Rua da Praia com a venda de calças em jeans legítimo.
“Também havia nomes ocultos”, ressalva o médico Reinaldo Petter, 76 anos e que entrou na sociedade em 1975-1977, depois de garçom, maître e gerente. Enquanto a cozinha fornecia camarões-gigantes com arroz à grega e o melhor estrogonofe da cidade, havia uma agenda bacana de shows, exposições e eventos, ao som do hit parade mundial e acompanhando a explosão da discotèque. São desse período duas coletâneas produzidas em LP pelo DJ Claudinho Pereira sob assinatura do Encouraçado – iniciativa repetida pela boate Looking Glass (1978-1981).
Com quase 15 anos, a embarcação ainda passou por novas mexidas em seus tripulantes, mas voltou a fazer água, com dificuldades para manter a blindagem e o poder de fogo em meio a ondas de despesas e uma esquadra de concorrentes com outras opções para o pessoal que dorme tarde. As luzes já se apagavam em 1979 quando subiu ao convés um almirante disposto a religar motores com propulsão máxima: Dudu Alvares, um especialista. Na bagagem de mão, 200 mil dólares em dinheiro-vivo aos sócios remanescentes:
“Depois de entregar a bolada pelo direito locatício, levei a papelada à dona do casarão, que continuava no Rio de Janeiro. O pessoal teve que esperar algum tempo, porque fiz uma baita reforma com a ajuda do Vitório Gheno e repassei o ponto ao Magro Miguel [radialista e ex-proprietário da Discoate], mas a parceria durou poucos meses. Aí eu assumi de fato o negócio, que mantive por dez anos sob o nome de ‘Encouraçado 936’ e um perfil mais democrático”.
Dono do imóvel desde 1983, Dudu manteve tudo de vento-em-popa até 1991, quando já concentrava sua artilharia nos altos do bairro Bela Vista com o Cord Night Club (1990-2012), outro ícone do que a cidade já ofereceu de melhor. O Encouraçado então alternaria ciclos de abertura e fechamento, até atracar em definitivo no estaleiro, com o aluguel do endereço a outro navegante, Vitor Lucas, e seu Porão do Beco (2003-2017), todo preto por fora e com perfil mais underground.

Navegação retomada

Série sobre casas noturnas marcantes terá 10 grandes reportagens

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LUMA POA/DIVULGAÇÃO/JC

E o píer 936 da Independência ainda se mostra encorajador de novas aventuras. Durante a produção desta reportagem, nova garrafa de champanhe foi quebrada contra a fuselagem, sob o apito a anunciar, em 12 de março, a boate Lume PoA, com novidades que não se resumem à fachada inteiramente branca: pela primeira vez na história da cidade, o nome da casa noturna está afixado em neon a uma parede interna que pode ser vista da rua através de janelas-vitrines.

Já o ambiente interno tem bar, pista de dança e espaço lounge, em um aproveitamento que já não se resume ao subsolo. "Investimos R$ 2 milhões para montar uma boate diferente neste ponto já consagrado", salienta o sócio Saul Leite, 50 anos, coprotagonista de sucessos recentes como Pixy e Be Happy. Se os idealizadores do Butikin fossem transportados para hoje em uma máquina do tempo, talvez não reconhecessem o lugar. Mas ali encontrariam o mesmo espírito festivo.

Reinado noturno

Dudu Alvares deu ao Encouraçado um perfil mais democrático

Dudu Alvares deu ao Encouraçado um perfil mais democrático


/MARCELLO CAMPOS/DIVULGAÇÃO/JC
O catálogo das casas noturnas de Porto Alegre é uma coleção de sujeitos audaciosos o suficiente para assumir os riscos de navegar em águas sempre sujeitas a turbulências e temporais, não raro remando contra a maré. Todos a bordo: Luiz Alves de Castro. Ovídio Chaves. Carlos Heitor Azevedo. Rui Sommer. Fábio Reis. Pedro Mello. Fernando Vieira. Gilberto Dieterich. Dirceu Russi. Marcos Kersting. José Cássio Soares. Edson Dutra. José Antônio Faillace Krause. Dirnei Messias, o comendador. E o incansável Dudu Alvares, com seus 24 restaurantes, bares e boates em 42 anos.
Nascido José Eduardo Alvares em 6 de setembro de 1946 na cidade de Arroio dos Ratos, o primogênito dos nove filhos de um pneumologista vindo de Sergipe fez de tudo na vida, principalmente após a mudança para Porto Alegre, aos 12 anos. Estudou nos colégios Dores e Paula Soares, foi office-boy, vendeu roupas e perfumes, foi transportador escolar e bacharel em Direito pela PUCRS, mas as qualidades de empreendedor noturno - transparência, criatividade e visão comercial aguçada - acabaram prevalecendo.
"Quando a gente fazia festas no porão da casa da família na Duque de Caxias, eu era adolescente e já cuidava de tudo", relembra. A experiência influenciaria o já adulto Dudu a buscar, com 24 anos, um financiamento para o primeiro bar tipo "pub" na cidade, o Bond'Eu (1970). Em seguida vieram a boate Byllyskão (1971) e o restaurante Chez Dudu (1972). "Todos funcionaram até o dia em que eu quis", garante, emendando com Play Dudu, RG 53, Encouraçado 936, Ovo de Colombo, Piazzolla, Lifeboy, Cord, Sthude Bar e tantos outros.
Amiga há quatro décadas, a fotógrafa Nádia Raup Meucci não poupa elogios: "É impressionante a força e personalidade desse cara autêntico, vanguardista e imbatível em sua época". Pai, avô, colecionador de carros antigos e abstêmio desde sempre, Dudu ainda não se aposentou, mesmo após encerrar a carreira de homem da noite, em 7 de julho de 2012 - mesma data em que ingressara no ramo, 42 anos antes. Hoje atuando como consultor, sua expertise continua a serviço de quem pretende investir na noite: "Sempre fui o último a ir embora".
 

Em meio às comemorações dos 250 anos de fundação da capital gaúcha, o Jornal do Comércio inaugura a série “Porto Noite Alegre”, com dez reportagens – sempre na última sexta-feira de cada mês – sobre algumas das casas noturnas que marcaram a história cultural da cidade nas últimas décadas.

* Marcello Campos, 49 anos, é formado em Jornalismo, Publicidade & Propaganda (ambas pela PUCRS) e Artes Plásticas (UFRGS). Tem seis livros publicados, incluindo a biografia de Lupicínio Rodrigues e do Conjunto Melódico Norberto Baldauf. Há mais de uma década, dedica-se ao resgate de fatos, lugares e personagens porto-alegrenses.
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