A produção na Dubai Alimentos, em Ijuí, no Noroeste do Estado, está em plena expansão. São R$ 30 milhões aportados neste ano, dando sequência a outros R$ 25 milhões investidos em 2023, para ampliar a produção em suas duas fábricas no município e para a construção de uma terceira unidade, em Augusto Pestana, a 17 quilômetros de Ijuí. O avanço justifica-se. O crescimento da produção de aveia branca, e a valorização do mercado de cereais, especialmente fora do Rio Grande do Sul, têm estimulado a pesquisa e a qualificação da aveia industrializada. Desde 2014, quando a Dubai Alimentos iniciou as suas operações, a capacidade produtiva saltou de três mil para 60 mil toneladas por ano.
"O mercado aceita muito bem a aveia gaúcha, pelo seu sabor, e essa era uma percepção que tínhamos já lá em 2014, quando víamos o plantio ser difundido, mas a aveia branca saindo do Rio Grande do Sul em grão, sem o processo de valorização industrial. Iniciamos a produção e passamos a gerar empregos e impostos com um produto de excelência e em constante avanço em termos de pesquisas e qualidade", explica o diretor da Dubai Alimentos, Dante Maurício Tissot.
Segundo ele, 95% da produção da empresa é vendida para fora do Estado. Todo o produto é fornecido para outras indústrias - seja para a venda na forma de cereal puro ou como base para outros produtos. E aí, além dos estados brasileiros, especialmente na Região Sudeste, a exportação da Dubai Alimentos já chega a praticamente toda a América do Sul e avança para países como a África do Sul, Costa Rica e Panamá.
Produção de proteínas
Neste ano, a empresa chega a 200 funcionários, com 30 novos contratados dentro do plano de expansão. Para 2025, a perspectiva é contratar outras 40 pessoas. Eles estarão divididos entre as estruturas da Dubai Alimentos que, em Ijuí, mantém duas fábricas. Em uma delas, a produção de aveias e outros cereais, como linhaça e farinha de arroz, atende ao mercado tradicional e orgânico. Na outra, toda a produção é feita sem glúten.
A maior parte dos investimentos deste ano, em torno de R$ 20 milhões, porém, é dedicada ao projeto de Augusto Pestana. Lá, a empresa desenvolve uma planta industrial para produção de proteína concentrada de grãos como a ervilha.
“Nesta planta, acontece a moagem do grão e, a partir de aeroaspiração, se obtém frações com mais proteína ou fibra. Há um mercado em crescimento, por exemplo, para o consumo vegano, que demanda o uso de produtos mais concentrados”, explica o diretor.
No primeiro momento, porém, agora com o final da safra de inverno, a unidade de Augusto Pestana já atua com o recebimento de grãos para toda a produção da Dubai, garantindo o dobro da capacidade anterior de armazenamento.
Segundo levantamento da Emater, até o final de outubro, mesmo com pequena redução de área plantada com aveia branca no Estado neste inverno, a produção garantiu 878,1 mil toneladas a mais do que em 2023, uma alta de 50% em relação à colheita anterior.
Não à toa as indústrias do Norte do Estado, em conjunto com as universidades da região, têm investido também em pesquisa e desenvolvimento das plantas. No ano passado, entre os R$ 25 milhões desembolsados pela Dubai, foi criado o centro de pesquisa e desenvolvimento da empresa, com seis especialistas dedicados ao melhoramento da aveia e a possíveis novos usos na indústria.
FICHA TÉCNICA
Investimento: R$ 30 milhões
Estágio: Em execução
Empresa: Dubai Alimentos
Cidades: Ijuí e Augusto Pestana
Área: Indústria
Investimentos em 2023: R$ 25 milhões