O ano de 2025 deverá ser de significativas mudanças no cenário das relações internacionais, com possíveis impactos importantes para o Brasil, principalmente no que diz respeito à economia e, mais especificamente, ao comércio exterior. A principal mudança irá ocorrer a partir do dia 20 de janeiro, quando o republicano Donald Trump irá tomar posse como presidente dos Estados Unidos.
É de se esperar que a gestão de Trump seja diferente do governo de Joe Biden. Enquanto o democrata se envolveu em conflitos longe de casa, especialmente na Ucrânia e as ações de Israel em Gaza, Trump deve colocar em prática o discurso que carrega desde a campanha que o elegeu para o primeiro mandato em 2016: "America First", ou, América Primeiro.
Ou seja, o presidente eleito dos EUA deve focar suas ações para dentro do país, evitando se envolver em disputas externas. Esse olhar "para dentro" do republicano irá, certamente, modificar o andamento dos conflitos internacionais. Por outro lado, esse modo de governar pode, porém, respingar no Brasil, afetando, principalmente, a indústria exportadora brasileira.
Em entrevista, Trump disse que as tarifas brasileiras aos produtos norte-americanos são muito altas - "o Brasil cobra caro", afirmou ele - e que, em contrapartida, os Estados Unidos deverão, de forma recíproca, também elevar os impostos cobrados dos produtos brasileiros.
Não chega a ser uma novidade a intenção do novo presidente norte-americano de aumentaras taxas das mercadorias importadas, na medida em que ele afirmou na campanha eleitoral que esse seria um caminho para fortalecer a indústria local e gerar mais empregos. A novidade está na citação ao Brasil.
Assim, caberá ao governo brasileiro negociar com a Casa Branca para evitar que a balança comercial nacional saia prejudicada. O peso do mercado dos Estados Unidos para a economia brasileira é grande. Em 2023, o Brasil vendeu para os EUA US$ 29,9 bilhões, superando as exportações para o bloco europeu (US$ 23,5 bilhões) e para o Mercosul (US$ 19,4 bilhões).
A ameaça de Trump pode ter relação com a intenção do bloco dos Brics de criar alternativas ao dólar na realização de seus negócios, cogitando, inclusive, criar uma moeda própria. O novo titular da Casa Branca já afirmou que poderia taxar em 100% as importações de países do bloco que substituírem o dólar em transações. De fundo, tudo envolve o desejo de manter a hegemonia da moeda dos EUA no mercado mundial. Quem produz no Brasil, porém, não pode ser penalizado. Será preciso achar soluções negociadas.