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Publicada em 27 de Outubro de 2026 às 18:07

Ibovespa estende perdas com petróleo e maior aversão ao risco pós-eleição

Índice caiu 0,51%, aos 175.710,05 pontos

Índice caiu 0,51%, aos 175.710,05 pontos

ARTE/JC
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Agências
Depois de registrar o pior desempenho desde março de 2020, o Ibovespa prosseguiu em ajuste negativo nesta terça-feira (27), em um movimento de acomodação após o tombo da véspera e acompanhando a baixa do petróleo, que trouxe pressão adicional à Petrobras. No fim da sessão, o principal índice da B3 cedeu 0,51%, aos 175.710,05 pontos, depois de tocar a mínima em 175.130,23 pontos perto do fim dos negócios. O índice segue nos menores níveis desde agosto.
Analistas e operadores continuam atribuindo a performance ao aumento do prêmio de risco para investir em ativos de risco em meio ao grande ceticismo com a agenda econômica do governo Lula a partir de 2027. Além disso, o dia também foi marcado pelo recuo de 1,20% do petróleo Brent - referência para a Petrobras -, para US$ 109,41 o barril. Na combinação de fatores, a estatal teve baixa de 2%.
Além da desconfiança sobre a agenda fiscal, há dúvidas também sobre os nomes que vão compor ministérios e a articulação política necessária com um Congresso muito mais alinhado à direita.
"A governabilidade é um tema relevante, é um processo delicado com o Congresso mais à direita e vai demandar aliança grande com o Centrão", afirma o estrategista da Empiricus, Matheus Spiess. "O mercado ainda estará sensível e de olho nos novos sinais da nova equipe econômica. Isso faz com que negociemos de forma deslocada do exterior."
Outras grandes ações além da Petrobras seguiram no campo negativo no dia, caso dos grandes bancos, como Itaú e Bradesco, que tiveram perdas acima de 1% no pregão. Profissionais reforçam que a queda desses papéis dá o tom do ajuste de carteiras que ainda está em curso, especialmente no caso dos estrangeiros, na renda variável local.
"O fluxo estrangeiro também continua sendo um ponto importante. Depois do movimento recente, esse capital não tende a sair de uma só vez, inclusive pela própria liquidez do mercado. Por isso, esse processo de reposicionamento pode acontecer de forma mais gradual", afirma o analista de investimentos do Andbank, Fernando Bresciani.
O mercado de ações também não acompanhou o alívio visto no dólar e nos juros futuros porque um eventual cenário de política monetária mais restritiva, como eventual consequência de um cenário fiscal menos austero e de poucos sinais de melhora, leva o mercado a confiar menos numa recuperação das ações, avalia o fundador da Akros Consultoria, Glauber Sá.
"A bolsa não acompanhou o alívio do câmbio e dos juros, porque o investidor de ações passou a considerar juro alto por mais tempo e a queda de expectativa de crescimento de lucros. Depois de uma queda de quase 14%, o preço parece baixo, mas pode permanecer nesse patamar por bastante tempo, já que o cenário mudou", diz.
Segundo o estrategista global da Avenue, Fernando Saad Benati, movimentos técnicos intensificaram as perdas da véspera e o encerramento de posições acaba forçando um efeito bola de neve. "Os próximos dias serão cruciais para entendermos qual será a nova aposta do mercado e qual cenário passará a ser precificado", afirma.
O dólar caiu quase 1% frente ao real nesta terça-feira em aparente correção e ajuste de posições após a valorização de 8,21% na segunda - a maior alta porcentual diária desde janeiro de 1999 -, diante da surpresa com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Para o diretor de tesouraria do Braza Bank, Bruno Perottoni, os preços dos ativos locais já incorporaram a reeleição de Lula no pregão de segunda-feira, quando houve um desmonte de apostas "muito otimistas" em torno da possibilidade de a oposição conquistar a Presidência. "Voltamos agora ao 'status quo' de antes da eleição, mas com o governo enfrentando uma forte oposição no Senado. O mercado busca agora uma acomodação e já sinalizou a Lula que espera uma mudança na política fiscal", afirma Perottoni, ressaltando que houve forte internalização de recursos por parte dos exportadores ontem.

Após rondar os R$ 5,34 ao longo da tarde, o dólar terminou a sessão em baixa de 0,97%, a R$ 5,3506, na contramão do comportamento da moeda americana no exterior. A taxa de câmbio chegou a flertar com o rompimento do piso de R$ 5,30 pela manhã, quando registrou mínima de R$ 5,3078.

Apesar da valorização de 3,39% em outubro, no ano o dólar ainda recua 2,52% frente ao real. Entre as divisas latino-americanas, apenas a moeda brasileira e o peso colombiano, que ostenta ganhos de mais de 15%, têm desempenho positivo em 2026.

O analista de câmbio Michael Pfister, do Commerzbank, trabalha com a possibilidade de continuidade do movimento de correção do câmbio nos próximos dias, à medida que investidores digerem o resultado da eleição.

Lá fora, o índice DXY - referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes - operou em alta e subia 0,35% por volta das 17h, aos 102,311 pontos. A expectativa majoritária é que o Federal Reserve anuncie na quarta, 28, a manutenção da taxa de juros na faixa atual, mas dê sinais de que pode voltar a apertar a política monetária em dezembro.

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