Após rondar a estabilidade pela manhã desta sexta-feira (23) e no início da tarde, o dólar à vista se firmou em baixa nas duas últimas horas do pregão e rompeu o piso de R$ 5,00, encerrando nos menores níveis desde 9 de outubro. O real exibiu o melhor desempenho entre as principais moedas globais, em dia marcado por sinal predominante de alta da moeda americana no exterior.
Operadores relatam a possibilidade de entrada de fluxo estrangeiro para ativos locais e desmontagem parcial de 'hedge cambial' no último pregão antes da realização do segundo turno, diante da perspectiva de que Flávio Bolsonaro vença a corrida presidencial, de acordo com levantamentos informais.
Com mínima de R$ 4,9891, na reta final dos negócios, o dólar à vista terminou o pregão em queda de 0,92%, a R$ 4,9931 - menor valor de fechamento desde o dia 9 (R$ 4,9851), quando o mercado ainda vivia a euforia provocada pela dianteira surpreendente de Flávio no primeiro turno. A moeda americana encerra a semana com perdas de 1,58% frente ao real, após alta de 1,77% na semana anterior.
O diretor de Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, observa que, apesar do quadro de disputa acirrada desenhado pelas pesquisas, as apostas entre investidores em vitória de Flávio são amplamente majoritárias.
"É natural que as pessoas se posicionem na reta final para um cenário mais provável", afirma Weigt, lembrando que as expectativas de mudança da política fiscal estão depositadas no candidato da oposição. "Eu vejo um quadro bem assimétrico para o dólar no curto prazo. Pode cair um pouco com a vitória do Flávio e subir muito se o Lula ganhar."
No exterior, o dólar subiu em relação a outras moedas fortes, após dados acima das expectativas nos Estados Unidos reforçarem a robustez da atividade. Por volta das 17h, o índice DXY avançava 0,19%, aos 101,799 pontos. As cotações do petróleo voltaram a subir com o aumento das tensões no Oriente Médio. O contrato do Brent para dezembro encerrou em alta de 3,13%, a US$ 116,72 o barril, no maior nível desde abril.
O estrategista de mercados emergentes do Wells Fargo, Álvaro Vivanco, tem como cenário-base a vitória de Flávio, ao ver apenas 33% de chance de reeleição de Lula, e mantém posições "vendidas" em dólar contra o real. Vivanco tem como alvo um dólar a R$ 4,75 caso o candidato do PL conquiste o Palácio do Planalto. Já a recondução de Lula levaria a taxa de câmbio para R$ 5,30.
"É importante ressaltar que, em caso de uma vitória surpreendente de Lula, recomendaríamos fortemente posições compradas em real. Por exemplo, qualquer pico acima de R$ 5,30 na segunda-feira apresentaria uma oportunidade para aumentar a posição favorável ao real", afirma o estrategista.
Para Vivanco, os fundamentos das contas externas e o 'carry' vão seguir dando suporte à moeda brasileira mesmo em um novo governo Lula. "Na verdade, esperamos sinalizações pró-mercado por parte de Lula, especialmente sobre a contenção de gastos, em caso de uma vitória surpreendente neste fim de semana", afirma.