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Publicada em 14 de Novembro de 2025 às 17:49

Supermercados projetam fim de ano com cautela nas vendas, apesar do 13º salário

Meses de novembro e dezembro representam, juntos, 22% do faturamento anual dos estabelecimentos gaúchos

Meses de novembro e dezembro representam, juntos, 22% do faturamento anual dos estabelecimentos gaúchos

PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
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Gabriel Margonar
Gabriel Margonar
Mesmo com os cerca de R$ 23 bilhões do 13º salário que devem entrar na economia gaúcha até o fim de 2025, segundo projeção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o setor supermercadista não trabalha com expectativas de forte expansão nas vendas de fim de ano. A avaliação é da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), que vê o período como positivo, mas marcado por um consumidor mais pressionado - tanto pelo endividamento quanto por mudanças recentes no comportamento de gastos.
Mesmo com os cerca de R$ 23 bilhões do 13º salário que devem entrar na economia gaúcha até o fim de 2025, segundo projeção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)o setor supermercadista não trabalha com expectativas de forte expansão nas vendas de fim de ano. A avaliação é da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), que vê o período como positivo, mas marcado por um consumidor mais pressionado - tanto pelo endividamento quanto por mudanças recentes no comportamento de gastos.
Segundo o presidente da entidade, Lindonor Peruzzo Júnior, historicamente os supermercados abocanham cerca de 20% do montante do 13º. Neste ano, porém, o otimismo é mais contido. 
“O setor normalmente abarca cerca de 20% do valor total do 13º injetado na economia, sobretudo com a compra de produtos para as festas de fim de ano e presentes de Natal. Em 2025, entretanto, estamos menos otimistas, devido a questões conjunturais como os gastos da população com bets e o endividamento crescente, sobretudo com os empréstimos consignados”, afirma.
A projeção para o tíquete médio é de avanço apenas dentro da inflação, sem ganho real: “Não haverá aumento de vendas em volume ou em valores financeiros reais. Mesmo assim, as festas são a melhor data de vendas para os supermercados no ano”, acrescenta Peruzzo.
Tradicionalmente, os meses de novembro e dezembro representam, juntos, 22% do faturamento anual dos estabelecimentos gaúchos. É nesse período que o setor intensifica campanhas e ativações típicas da temporada natalina: panetones, espumantes, produtos para ceias, cestas e pequenos presentes devem liderar a demanda neste ano. “Estes são alguns dos carros-chefes”, resume o dirigente.
O impacto das enchentes de 2024 ainda aparece de maneira desigual no Estado. Em parte das regiões atingidas, as lojas conseguiram reabrir, mas perderam parte da clientela devido ao deslocamento de famílias. “Há locais em que a economia do bairro ou da cidade ficou prejudicada de forma contínua, mesmo após o desastre passar. Tivemos mais de 300 lojas afetadas no RS, mas entendemos que precisamos virar a página deste episódio triste da história gaúcha e cobrar soluções dos poderes públicos para que não haja repetição dos erros”, afirma.
Nesse sentido, para a Agas, o fim de ano deve ser de oportunidades, mas não de forte expansão no faturamento. “O supermercadista é um otimista por natureza, mas pensamos que será um Natal e Ano-Novo de compartilhamento entre as famílias, de comemorações com certeza, mas de muita atenção e pesquisa do cliente no ponto de venda. Acreditamos em um fim de ano com boas vendas, mas sem um crescimento muito significativo em relação ao ano passado”, conclui Peruzzo.

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