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Publicada em 06 de Novembro de 2025 às 16:13

Fundador e diretor do Instituto McLuhan fala sobre legado da família no RD Summit

Andrew McLuhan subiu ao palco principal do RD Summit nesta quinta-feira (6), segundo dia de evento

Andrew McLuhan subiu ao palco principal do RD Summit nesta quinta-feira (6), segundo dia de evento

Dani Andrade/RD Summit/Divulgação/JC
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Giovanna Sommariva
Giovanna Sommariva Editora Assistente
De São Paulo
De São Paulo
O meio é a mensagem. Mais de 60 anos depois de Marshall McLuhan, um dos maiores estudiosos de teorias da mídia, ter lançado essa filosofia ao mundo — numa época em que a grande tecnologia era a televisão —, seu neto, Andrew McLuhan, segue trabalhando para manter o conceito vivo, e garante que, mesmo após seis décadas, os estudos de seu avô seguem fazendo sentido. Andrew subiu ao palco principal do RD Summit nesta quinta-feira (6), segundo dia de evento.
“A principal razão pela qual o trabalho dele continua relevante é porque ele estudava a tecnologia como uma categoria, não apenas o rádio, a escrita ou a TV, mas todas as tecnologias”, afirmou. “Enquanto continuarmos a inventar novas tecnologias, as ideias gerais ou teorias sobre tecnologia que ele criou seguirão sendo úteis”, defende.
Andrew nasceu no Canadá e admite que demorou algum tempo para encontrar significado nas palavras do seu avô e decidir, de fato, seguir o legado da família. “Ainda acho estranho. Em ofícios como o de fazer móveis ou carros, não é incomum vermos ‘McLuhan e filhos’, mas em um ofício intelectual, é algo raro”, considera. A virada de trajetória, conta, veio apenas quando chegou aos 30 anos, quando começou a ver sentido e se interessar pelo trabalho do pai e do avô. “Percebi que se eu não continuasse o trabalho deles, ninguém o faria. E não que isso seja um fardo, mas é algo que o mundo precisava”, afirma.
Apesar de seu pai, Eric McLuhan, ter continuado com o trabalho do avô após ele falecer, Andrew ponderou que “não existia nada para dar continuidade ao trabalho dele e do meu avô. Não havia um lugar no mundo dedicado exclusivamente às ideias de Marshall McLuhan e à preservação delas”. Nesse espírito, ele fundou, em 2017, o Instituto McLuhan, dedicado a preservar e atualizar as ideias dos seus antepassados. 
A instituição realiza cursos, palestras e parcerias com universidades para aproximar as reflexões de McLuhan do público contemporâneo. “Eu tento ser uma ponte entre o passado, o presente e o futuro, tornando essas ideias úteis para as pessoas hoje”, explica Andrew.
Durante a palestra, ele revisitou a obra de seu avô: “Understanding Media”, de 1964, que propôs, na época, enxergar a tecnologia como uma “extensão dos sentidos humanos”. Marshall defendia que os meios digitais e a imprensa moldam a forma como percebemos o mundo e, por consequência, como nos relacionamos uns com os outros. A famosa frase “o meio é a mensagem” expressa justamente essa ideia: mais importante do que o conteúdo que circula por um meio é o impacto que esse próprio meio exerce sobre nós.
Para Andrew, essa leitura se aplica com ainda mais força ao cenário atual, em que a inteligência artificial redefine práticas de trabalho, comunicação e consumo. “Provavelmente as perguntas mais importantes que podemos fazer sobre a IA são: que novo ambiente humano está sendo criado, o que acontece com o antigo e o que acontece conosco?”, questionou.
O estudioso destacou que, assim como quando surgiram a eletricidade e a escrita, a IA inaugura uma nova etapa na relação entre humanos e tecnologia — e traz consigo uma nova gama de desafios éticos e sociais. “Na nossa época, estamos integrando rapidamente a IA em todas as partes do nosso corpo que podemos, com apenas uma consideração muito superficial sobre o que isso pode significar a longo prazo”, alerta.
O RD Summit segue com uma extensa programação voltada a marketing e negócios até esta sexta-feira (7) no Expo Center Norte, em São Paulo.

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