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Publicada em 06 de Dezembro de 2024 às 18:05

Mais da metade dos gaúchos está inadimplente, aponta pesquisa do IEPTB/RS

Cartão de crédito é o maior responsável pelo descontrole financeiro de quase 1/3 dos inadimplentes

Cartão de crédito é o maior responsável pelo descontrole financeiro de quase 1/3 dos inadimplentes

Marco Quintana/Arquivo/JC
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Bárbara Lima
Bárbara Lima Repórter
Uma pesquisa conduzida pelo Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil – Seção RS (IEPTB/RS) revelou que mais de 50% da população gaúcha enfrenta dificuldades para honrar seus compromissos financeiros. O levantamento, chamado "Raio-X Financeiro dos Gaúchos", foi realizado entre os dias 4 e 19 de novembro com 700 pessoas, e aponta o cartão de crédito como o maior responsável pelo descontrole financeiro de quase um terço dos inadimplentes. "Os principais tipos de dívida em atraso são o cartão de crédito e os empréstimos, justamente os que possuem as taxas de juros mais altas. Isso agrava ainda mais a situação das famílias e torna a recuperação financeira um desafio maior", destacou Romário Mezzari, presidente do IEPTB/RS, em nota. O consumo excessivo foi apontado como o principal motivo da inadimplência, mencionado por 24% dos entrevistados. Além disso, o estudo revelou que um quarto dos inadimplentes possui mais de três cartões de crédito. A falta de uma reserva de emergência é outra preocupação: 68% afirmaram não ter economias para situações imprevistas. Sobre os valores em atraso, 45% possuem dívidas entre R$ 1.000 e R$ 3.500.
Uma pesquisa conduzida pelo Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil – Seção RS (IEPTB/RS) revelou que mais de 50% da população gaúcha enfrenta dificuldades para honrar seus compromissos financeiros. O levantamento, chamado "Raio-X Financeiro dos Gaúchos", foi realizado entre os dias 4 e 19 de novembro com 700 pessoas, e aponta o cartão de crédito como o maior responsável pelo descontrole financeiro de quase um terço dos inadimplentes.

"Os principais tipos de dívida em atraso são o cartão de crédito e os empréstimos, justamente os que possuem as taxas de juros mais altas. Isso agrava ainda mais a situação das famílias e torna a recuperação financeira um desafio maior", destacou Romário Mezzari, presidente do IEPTB/RS, em nota.

O consumo excessivo foi apontado como o principal motivo da inadimplência, mencionado por 24% dos entrevistados. Além disso, o estudo revelou que um quarto dos inadimplentes possui mais de três cartões de crédito. A falta de uma reserva de emergência é outra preocupação: 68% afirmaram não ter economias para situações imprevistas. Sobre os valores em atraso, 45% possuem dívidas entre R$ 1.000 e R$ 3.500.
Uma dica para evitar o uso excessivo dos cartões é dar preferência para pagamentos à vista e evitar gastos impulsivos. "Também é importante monitorar no aplicativo do cartão o valor total devido para controlar o uso excessivo do crédito e não ter surpresas no final do mês. Além disso, é essencial, para evitar a inadimplência, pagar as faturas integralmente sempre que possível", afirma e economista dos Cartórios de Protesto do Rio Grande do Sul, Karine Flores.
Sobre as reservas de emergência, ela ressalta que são essenciais para cobrir uma despesa inesperada ou manter as contas em dia, em caso de desemprego ou diminuição na renda, sem recorrer ao endividamento e comprometer a saúde financeira. "Nos últimos anos nos deparamos com duas situações graves que exigiram um preparo financeiro: a pandemia e as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul."
Segundo ela, para montar uma reserva de emergência é fundamental conhecer o próprio orçamento: anotar gastos fixos e variáveis, além de todas as fontes de renda. Caso a situação financeira esteja apertada, é necessário avaliar quais despesas pode reduzir e estipular uma meta de quanto dinheiro guardar todo mês. A partir disso, é evitar compras por impulso e seguir o planejamento até alcançar o valor necessário para montar a reserva de emergência.
"O montante ideal varia, mas o mais indicado é alcançar um valor de seis a doze vezes maior que média mensal de gastos. Assim, é possível cobrir despesas por um período superior a, pelo menos, seis meses", refletiu.

Possibilidade de acordo


A pesquisa também mostrou que 95% dos inadimplentes quitariam suas dívidas caso recebessem uma oferta de negociação dos credores, enquanto 69% pagariam se fossem intimados pelos Cartórios de Protesto. O 13º salário será utilizado por mais de um terço dos entrevistados para quitar dívidas, enquanto 25% pretendem poupar o dinheiro extra.

Já as festas de final de ano serão mais modestas para muitos gaúchos: 51% afirmaram que pretendem reduzir os gastos na época, sendo que 28% planejam preparar ceias mais simples. Presentes também sofrerão cortes: 16% não pretendem comprar regalos para amigos ou familiares.

Apesar do cenário desafiador, os gaúchos demonstram otimismo em relação a 2025: 62% acreditam que a economia do Rio Grande do Sul apresentará melhora em relação a 2024. Um aumento salarial ou uma promoção são os principais desejos para o próximo ano.

Economista dá dicas para saúde financeira


A economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo, ressalta que a falta de planejamento financeiro é uma das principais razões para a inadimplência. "Muitas vezes, as pessoas gastam mais do que podem porque não organizam o fluxo de caixa", explica.

Segundo ela, é fundamental ter clareza sobre os ganhos e despesas: "É preciso saber exatamente quanto se ganha, quando se recebe e como se gasta. Tudo deve ser colocado no papel. O cartão de crédito, por exemplo, é uma antecipação de renda. É preciso refletir: isso é sustentável para o meu eu do futuro?".

Patrícia também recomenda priorizar o pagamento das dívidas mais críticas. "Se você não pagar o condomínio, pode perder seu imóvel, por exemplo", alerta. Para evitar novos endividamentos, ela sugere identificar os gatilhos emocionais que levam ao consumo. "Muitas vezes compramos para aliviar questões emocionais. É importante reconhecer esses padrões e estabelecer limites", conclui.

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