Existe muita coisa chata nesse mundo. Muita mesmo. Tem chatice em tudo que é lugar. É muito difícil que qualquer um de nós passe um dia sequer sem que algo chato aconteça. Tem trabalho chato, aula chata, livro chato, filme chato, música chata, clima chato. Tem tudo chato. A vida é chata em boa parte dela. Entretanto, nada é mais chato, absolutamente nada é mais chato, do que gente chata.
Gente chata é hors concours. Nada supera em chatice uma pessoa chata.
E o pior de gente chata é que não há como evitá-las. Os chatos estão em todos os lugares. Eles se proliferam e se reproduzem de uma maneira quase que incontrolável. Não há quem não tenha de conviver com um chato.
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O chato é um tormento na vida de uma pessoa. E o ruim do chato é que ele não sabe que é chato.
O brilhante comediante britânico Rick Gervais tem uma ótima frase sobre os idiotas, mas que também cabe perfeitamente para os chatos: "Quando você morre, você não sabe que está morto. Quem sofre são os outros. É a mesma coisa quando você é idiota." E é exatamente a mesma coisa com os chatos. Quem sofre são os outros.
O brilhante comediante britânico Rick Gervais tem uma ótima frase sobre os idiotas, mas que também cabe perfeitamente para os chatos: "Quando você morre, você não sabe que está morto. Quem sofre são os outros. É a mesma coisa quando você é idiota." E é exatamente a mesma coisa com os chatos. Quem sofre são os outros.
O chato, via de regra, se acha o máximo. Ele se prolifera e está em todos nos lugares. Tem o chato da academia, que fica horas em cada aparelho fazendo e refazendo os exercícios para ver qual take fica melhor para a publicação nas redes sociais. Tem o chato do condomínio, que reclama de tudo, desde um latir de cachorro até uma batida de martelo fora do horário permitido. Tem o chato do trabalho, que a cada dez minutos levanta da cadeira e fica de pé ao seu lado puxando papo sobre assuntos deveras desinteressantes. Tem o chato “roda de violão” que sempre transforma um encontro entre amigos em uma insuportável serenata recheada de Renato Russo, Los Hermanos, Chico Buarque, Belchior e muito mais.
Tem chato para todos os gostos.
Outro espécime de chato que tem se multiplicado é o do chato manufatureiro. Esse é aquele cidadão que tem grande prazer em fazer tudo em casa. Até aí, tudo bem. O problema é que, por ter estudado bastante a respeito, ele acredita que sabe absolutamente tudo do assunto e sempre contesta o que os outros dizem ou complementa com um ar de superioridade insuportável. Um exemplo é o cervejeiro artesanal. Para essa figura, absolutamente nenhuma cerveja mais popular é boa. Sempre que alguém próximo fala algo sobre cerveja, ele se intromete para discursar sobre as técnicas e a cultura do lúpulo e a fermentação do malte e mais um monte de coisas em uma ladainha que se estende e se estende. Ao lado dele, as pessoas que apenas querem beber uma cervejinha gelada em paz suportam estoicamente essa sessão de tortura em silêncio, reagindo com acenos de cabeça constrangidos.
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A lista é enorme e, aos chatos tradicionais, se unem os novos chatos, aqueles que surgem em razão das mudanças na sociedade e dos avanços tecnológicos.
Um novo tipo de chato é o chato dos grupos do WhatsApp. Esse dá muita dor de cabeça. O chato dos grupos é aquele que se mete em todas as conversas, não importando se o assunto diz respeito a ele ou não. Esse chato adora chamar atenção, e costuma se dar uma importância enorme, compartilhando coisas que ele fez e que ninguém tem interesse em saber. O chato dos grupos é o chato carente, que necessita de atenção constante como se gritasse a todo instante “Oi! Olha para mim!! Estou aqui! Me nota!”. Esse chato força intimidade, constrange os outros e acredita piamente que está arrasando. Isso sem contar os áudios em profusão. Esse é aquele chato que faz com que todos os outros integrantes desejem sair do grupo.
Nesta época do ano, perto do Natal, somos movidos a enxergar o mundo com olhos mais coloridos e complacentes. Uma época de encontros, de abraços e de perdão. Porém, assim como Rick Gervais, o personagem Seu Madruga também falou sobre os idiotas em um episódio do programa Chaves: “As pessoas boas devem amar seus inimigos, mas amar os idiotas é quase impossível”, disse ele. Definitivamente, o mesmo vale para os chatos.
Ah, e cuidado: se você não convive com nenhum chato no seu dia a dia, saiba que, muito provavelmente, o chato é você.