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Bruna Suptitz

Bruna Suptitz

Publicada em 19 de Setembro de 2025 às 07:50

Aldeia Mbyá Guarani de Porto Alegre realiza pela primeira vez a produção artesanal do chimarrão

Aldeia Mbyá Guarani realiza primeiro Carijo tradicional e celebra colheita e preparo de erva-mate em Porto Alegre

Aldeia Mbyá Guarani realiza primeiro Carijo tradicional e celebra colheita e preparo de erva-mate em Porto Alegre

IECAM/Divulgação/JC
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A Teko'a Anhetenguá (Aldeia da Verdade, Verdadeira), na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, realizou no início do mês seu primeiro Carijo/Karijo - a produção artesanal de chimarrão. A iniciativa, que busca revitalizar saberes e fortalecer a identidade cultural da comunidade Mbyá Guarani, integra o Projeto Ar, Água e Terra, realizado pelo Instituto de Estudos Culturais e Ambientais (IECAM), com o patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental. As informações são da assessoria de imprensa da IECAM.
A Teko'a Anhetenguá (Aldeia da Verdade, Verdadeira), na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, realizou no início do mês seu primeiro Carijo/Karijo - a produção artesanal de chimarrão. A iniciativa, que busca revitalizar saberes e fortalecer a identidade cultural da comunidade Mbyá Guarani, integra o Projeto Ar, Água e Terra, realizado pelo Instituto de Estudos Culturais e Ambientais (IECAM), com o patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental. As informações são da assessoria de imprensa da IECAM.
O Carijo contou com todas as etapas realizadas de forma tradicionalmente indígena. As fases de colheita e preparação da erva-mate tiveram a participação do cacique Ramon e sua esposa Janaína – ambos da Teko'a Yvyty Porã (Aldeia Serra Bonita), localizada na Barra do Ouro, em Maquiné.
O Carijo inclui a coleta e seleção de ramos, passando pela “sapecagem” (ramos ‘sapecados’, um a um, de forma manual, diretamente na fogueira), secagem sob um braseiro acima do fogo de chão, e a separação das folhas, até a moagem em pilão. Marco importante para a autonomia e sustentabilidade dos Mbyá Guarani da Teko’a Anhetenguá. O trabalho foi realizado com uma abordagem participativa, contando com a colaboração de indígenas e não-indígenas da equipe do projeto, como biólogos e agrônomos
O evento ocorreu em um dia de sol e céu limpo, o que realçou a simbologia do Carijo, uma vez que, para os Guarani, a ka’a/ ca’a/ caá (erva-mate) é um “presente” de Tupã, simbolizando a conexão com a Mãe Terra, o fortalecimento da energia, do espírito e do corpo.
Aldeia Mbyá Guarani realiza primeiro Carijo tradicional e celebra colheita e preparo de erva-mate em Porto Alegre | IECAM/Divulgação/JC
Aldeia Mbyá Guarani realiza primeiro Carijo tradicional e celebra colheita e preparo de erva-mate em Porto Alegre IECAM/Divulgação/JC
Embora o chimarrão seja um elemento tradicional da cultura Guarani muito antes da chegada dos europeus à América do Sul, esta é a primeira vez que essa aldeia utiliza sua própria produção
Para os Guarani, esse ritual é um elo com a Mãe Terra, reforçando a união e a energia vital da comunidade, não somente na roda de conversa, mas também com diversos usos tradicionais medicinais e em cerimônias. O costume, considerado sagrado pelos indígenas, foi observado e difundido pelos espanhóis e portugueses nos séculos XVI e XVII, principalmente pelos missionários jesuítas, no Vice-Reino do Rio da Prata, onde ampliaram o cultivo da erva-mate, tornando-se um dos símbolos do gaúcho e do Rio Grande do Sul.
Nos últimos anos, o IECAM tem intensificado seu trabalho junto a comunidades Guarani do Rio Grande do Sul, desenvolvendo projetos em parceria com instituições como UNESCO, PNUD e IPHAN. O resultado mais recente e abrangente dessa jornada é o Projeto Ar, Água e Terra, que alcança mais de três mil hectares nos biomas Pampa e Mata Atlântica, conectando aldeias indígenas em 10 municípios do Estado.  
As ações são construídas para atender às necessidades locais e características ambientais de cada aldeia, priorizando a segurança alimentar. Para alcançar esses objetivos, a iniciativa promove atividades práticas como a coleta e o intercâmbio de sementes e mudas, a construção de viveiros e o viveirismo, a educação ambiental, o etnomapeamento e a reconversão produtiva. A finalidade principal é a gestão sustentável dos territórios indígenas.

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