Com a maior produção de uvas per capita do Brasil, Monte Belo do Sul é detentora de uma Indicação de Procedência, registrada em nome da Aprobelo (Associação dos Vitivinicultores de Monte Belo do Sul). A indicação foi obtida em outubro de 2013 para uma área contínua localizada em Monte Belo e partes de Bento Gonçalves e Santa Tereza, totalizando 56,09km².
A associação tem 11 associadas, sendo nove vinícolas, uma fabricante de suco e uma tanoaria, todas com sede em Monte Belo.
Com a Indicação de Procedência, algumas vinícolas modernizaram as estruturas de produção, enquanto outras se instalaram no município.
Presidente da entidade, Antoninho Junior Calza destaca já perceber repercussão em volumes vendidos, com aumento de 30%, e no valor do produto em cerca de 20%. "O consumidor começa a entender e comprovar a qualidade e os atributos diferenciados que caracterizam a região", afirma. Para ele, a IP é muito mais do que simplesmente marketing e divulgação, mas a compreensão pelo público de que o produto tem características próprias. Além de incrementar as vendas internas, as vinícolas associadas à Aprobelo têm o mercado externo como alvo. Calza cita, em especial, países como Japão e Estados Unidos, que valorizam a rastreabilidade de todo o processo produtivo, do plantio ao engarrafamento.
Ele também destaca o desenvolvimento, em conjunto com a Embrapa, da primeira levedura na região, que vem sendo usada pelas vinícolas em espumantes, com diferenciais que têm agradado os clientes. "Eles querem produtos diferentes e autênticos. E o selo da IP, cuja obtenção é complexa, confirma estes diferenciais", reforça.
Uma das características da indicação é o uso de uvas mais clássicas, resultando em produtos no estilo Velho Mundo. Dentre as mais usadas estão Chardonnay, Riesling, Tannat e Merlot, além de dois cortes e um especial para espumantes com Pinot Noir, Chardonnay e Riesling. A entidade também trabalha, em conjunto com a Embrapa, no desenvolvimento de sete clones de Cabernet Franc para introduzir a variedade na região. "A ideia é buscar mais autenticidade e especificidade ainda maior", define.
Uma das demandas da associação é o incentivo ao enoturismo para aumentar o fluxo de turistas nacionais e do exterior. Nesta direção, Calza destaca como fundamental o fortalecimento da cadeia de serviços, como restaurantes e hotéis, e a criação de um ecossistema para promover o turismo de experiência, além de preservar o centro histórico da cidade.
"Esta ação coordenada fará com que haja um investimento maior do visitante", registra.
Os vinhos finos da Indicação de Procedência de Monte Belo são produzidos em pequenas vinícolas familiares, em volumes baixos. Na região há um total de 600 propriedades vitícolas, com 9,96 hectares de área média por unidade, cultivando, aproximadamente, 3,32 hectares de vinhedos.
* Roberto Hunoff é jornalista e correspondente do Jornal do Comércio em Caxias do Sul (RS)