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Publicada em 09 de Março de 2025 às 16:00

Altos de Pinto Bandeira ganha visibilidade com espumantes

Produção segue requisitos específicos para o cultivo das variedades Chardonnay, Pinot Noir e Riesling Itálico

Produção segue requisitos específicos para o cultivo das variedades Chardonnay, Pinot Noir e Riesling Itálico

/Anderson Pagani/Divulgação/JC
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Roberto Hunoff
Roberto Hunoff Jornalista
A Associação dos Produtores de Vinho de Pinto Bandeira (Asprovinho) surgiu em 2001 com o propósito de organizar o setor, lutar por interesses comuns e já vislumbrando a possibilidade de uma indicação geográfica. A primeira conquista ocorreu em 2010 com a Indicação de Procedência e avançou, em 2022, com o reconhecimento da região com Denominação de Origem, trabalho iniciado em 2016, e denominada de Altos de Pinto Bandeira.
A Associação dos Produtores de Vinho de Pinto Bandeira (Asprovinho) surgiu em 2001 com o propósito de organizar o setor, lutar por interesses comuns e já vislumbrando a possibilidade de uma indicação geográfica. A primeira conquista ocorreu em 2010 com a Indicação de Procedência e avançou, em 2022, com o reconhecimento da região com Denominação de Origem, trabalho iniciado em 2016, e denominada de Altos de Pinto Bandeira.
A secretária executiva da entidade, Juliana Toniolo Rossatto, destaca que a DO é representativa, pois reconhece a qualidade do produto e o modo de fazer. O foco é a produção exclusiva de espumantes, aproveitando as características únicas da região delimitada. Ressalta que, em todo o processo da cadeia de produção, o diferencial também está vinculado à produção vitícola e ao processamento enológico dentro da área delimitada, que possui identidade única, bem como está associado ao saber-fazer local historicamente desenvolvido e assimilado pelos produtores locais, tanto no uso dos fatores naturais, quanto aos humanos, expressos nas práticas vitícolas e enológicas.
De acordo com Juliana, ainda que recente, já é possível perceber o maior interesse do mercado consumidor pelos rótulos elaborados por cinco vinícolas. "A região está ganhando visibilidade e reconhecimento, com a percepção do mercado quanto à qualidade do produto. Ainda não se nota agregação de valor, algo que será consequência no futuro", frisa.
Valorização que já está presente no preço da uva. "A matéria-prima é insubstituível, ela deve vir da área demarcada, motivo para que produtor já seja valorizado com preços melhores e incentivado a plantar as três uvas permitidas", assinala. De acordo com Juliana, não houve resistência dos produtores de uva em investir nas variedades autorizadas. Foi, segundo ela, um processo natural e gradual.
Além do incentivo ao setor de forma direta, há um trabalho de valorização do entorno, visando ao desenvolvimento territorial. "Trabalhamos muito na evolução do enoturismo para pequenos grupos, famílias e casais. Por isso, há o fomento por pousadas e restaurantes. Temos apoio do poder público e de outras organizações. Para funcionar, é necessário o engajamento de todos os atores", reforça. Para promoção da DO, a entidade participa de degustações em feiras e de cursos no Brasil e exterior. O próximo movimento ocorre, em março, na Espanha, num evento internacional, organizado por universidade parceira da Asprovinho.
A área geográfica delimitada da DO Altos de Pinto Bandeira possui 65km², distribuída em Pinto Bandeira (76,6%), Farroupilha (19%) e Bento Gonçalves (4,4%), em altitudes de 520 a 770 metros. As uvas são 100% produzidas na área delimitada e existem requisitos específicos para a viticultura: vinhedos conduzidos em espaldeira ou ypsilon, com limite de produtividade máxima por hectare de 12t. São autorizadas as variedades Chardonnay, Pinot Noir e Riesling Itálico.
O espumante natural é elaborado exclusivamente pelo método tradicional, com segunda fermentação na garrafa. Todo o processo de produção, incluindo a elaboração do vinho-base e a segunda fermentação na garrafa, é feito na área da DO. Cada garrafa possui um selo de controle numerado, o que possibilita manter a rastreabilidade dos produtos. Os primeiros produtos com selo de DO chegaram ao mercado em 2023.
A IP de Pinto Bandeira, que segue ativa, tem uma área delimitada de 7.960 hectares, sendo dedicada a vinhos tintos, brancos e espumantes. Para a elaboração está autorizado o uso de oito cultivares de Vitis viníferas tintas e 12 de brancas. Para a produção do vinho espumante fino, só é permitido o uso do método tradicional de produção. Os vinhos da IP são elaborados com, no mínimo, 85% de uvas produzidas na área delimitada, em vinhedos com controle de produtividade. A elaboração, engarrafamento e envelhecimento também deve se dar dentro da área delimitada. Mesmo com a IP e a DO as empresas da região têm outros produtos no portfólio.
 

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