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Publicada em 17 de Janeiro de 2025 às 18:43

Construindo um futuro de esperança para a comunidade do Morro da Cruz

Entre as ações está o Decola, focado no desenvolvimento pessoal dos jovens

Entre as ações está o Decola, focado no desenvolvimento pessoal dos jovens

THAYNÁ WEISSBACH/JC
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Gabrieli Silva
O Morro da Cruz, localizado na zona Leste de Porto Alegre, é uma comunidade que abrange partes dos bairros São José, Partenon e Vila São José. Apesar de não ser oficialmente reconhecido como um bairro independente e nem figurar no mapa oficial da cidade, essa é uma região conhecida por dois aspectos marcantes: sua altitude e as comunidades que a habitam. Com aproximadamente 285 metros de altura, o Morro da Cruz é um dos pontos mais elevados de Porto Alegre, e oferece uma vista panorâmica do Guaíba e diversas áreas da capital gaúcha. Essa localização privilegiada contrasta com os desafios enfrentados pelos moradores, que vivem em uma região densamente povoada e marcada por problemas de desigualdade social.
O Morro da Cruz, localizado na zona Leste de Porto Alegre, é uma comunidade que abrange partes dos bairros São José, Partenon e Vila São José. Apesar de não ser oficialmente reconhecido como um bairro independente e nem figurar no mapa oficial da cidade, essa é uma região conhecida por dois aspectos marcantes: sua altitude e as comunidades que a habitam. Com aproximadamente 285 metros de altura, o Morro da Cruz é um dos pontos mais elevados de Porto Alegre, e oferece uma vista panorâmica do Guaíba e diversas áreas da capital gaúcha. Essa localização privilegiada contrasta com os desafios enfrentados pelos moradores, que vivem em uma região densamente povoada e marcada por problemas de desigualdade social.
Apesar das adversidades, o complexo do Morro da Cruz também é um símbolo de resistência, onde moradores se organizam de forma autônoma para lutar por melhorias e superar adversidades. Um exemplo dessa resistência é a atuação da ONG Coletivo Autônomo, que, há mais de cinco anos, desempenha um papel fundamental na comunidade. A organização oferece apoio por meio de doações, promove cursos de capacitação e acolhe moradores em situação de vulnerabilidade.
A trajetória da ONG começou em 2011, quando a antropóloga Lucia Scalco - e atualmente presidente da organização, visitou o Morro da Cruz para realizar sua pesquisa de mestrado. Durante a experiência, ela percebeu a urgência de unir forças para ajudar uma comunidade que carecia do básico. Entre os desafios, chamou atenção a grande quantidade de crianças que passavam o dia nas ruas enquanto seus familiares trabalhavam. Diante dessa realidade, surgiu a ideia de criar uma escolinha de turno inverso à escola.
Inicialmente, o espaço funcionava apenas aos sábados, com o apoio de voluntários que ofereciam atendimento e cuidados às crianças. Com o tempo, a iniciativa cresceu e passou a operar três vezes por semana, até se consolidar como um projeto diário, com atividades nos turnos da manhã e da tarde.
O Centro de Recondicionamento de Computadores (CRC) é um núcleo que oferece cursos em diversas áreas com foco no reaproveitamento de computadores e consertos eletrônicos. Além das aulas de hardware e software, também ocorrem oficinas de fotografia e vídeo, inglês e programação. O local é um verdadeiro centro de transformação, abrigando projetos como o clube de xadrez, realizado em parceria com o Chess.com, e o "Conexões do Morro", uma iniciativa que busca instalar roteadores para fornecer internet gratuita à comunidade.
Para dar suporte emocional aos moradores, um grupo de psicólogas promove rodas de conversa e também acolhimento individual sempre que necessário. Outra importante iniciativa é o NAAM (Núcleo de Atendimento à Mulher do Morro da Cruz), criado com o objetivo de oferecer às mulheres um espaço seguro para dialogar sobre questões como violência doméstica. O NAAM também presta serviços como orientação sobre políticas públicas e direitos, apoio na elaboração de planos de carreira e currículos, além de promover oficinas de artesanato e atendimento terapêutico.
O Decola, por sua vez, é focado no desenvolvimento pessoal dos jovens e oferece atividades como aulas de teatro e oficinas de cidadania, voltadas para a formação de uma consciência crítica e engajamento social. Novidades surgem a todo momento nesses espaços, graças às mãos que fazem acontecer e ao empenho de pessoas que acreditam no futuro dessas crianças e jovens. O trabalho realizado pelo Coletivo Autônomo é capaz de revolucionar vidas e gerar oportunidades, no entanto, enfrenta desafios por depender de doações, editais e financiamentos cada vez mais escassos, que colocam em risco a continuidade de suas iniciativas.
Conheça mais sobre a ONG Coletivo Autônomo através do site https://coletivomdc.org/ e seja um apoiador ou doe através do QR Code.

Coletivo Autônomo está organizado em núcleos que atendem diferentes faixas etárias e interesses

 Integração Social: Escola de turno inverso para crianças de 6 a 12 anos
 Conviver: Escola de turno inverso voltada para adolescentes de 12 a 14 anos
 CRC (Centro de Recondicionamento de Computadores): Diversos cursos profissionalizantes de tecnologias, sustentabilidade e inovação para jovens a partir de 14 anos
 Decola: Iniciativa destinada a jovens a partir de 14 anos, com foco em formação profissional e desenvolvimento pessoal
 Oficina do Morro: Escola de Mercenaria, com certificação
 Janelas Abertas: Inclusão digital e preparo para o mercado de trabalho para adultos
 Gurias do Morro: Futebol feminino para meninas de 8 a 16 anos.

Uma câmera na mão e o Morro da Cruz no coração: Conheça Crystom Afronário

Estudante de Cinema, que é bolsista do ProUni, retrata rotina da comunidade

Estudante de Cinema, que é bolsista do ProUni, retrata rotina da comunidade

GABRIELI SILVA/JC
Crystom de Oliveira Rodrigues, mais conhecido como Crystom Afronário, é um estudante de Cinema bolsista pelo ProUni na Universidade Unisinos, em Porto Alegre. Sua trajetória começou com um sonho: retratar a realidade das pessoas invisibilizadas no Morro da Cruz por meio de vídeos e fotografias. Aos 18 anos, ele criou o canal no YouTube chamado "Justiça Poética", voltado para a divulgação de artistas MCs das periferias da capital, e que hoje funciona como sua produtora.
Seu trabalho chamou a atenção da Rede Globo, que o convidou para participar do documentário "Dentro da Minha Pele", produzido pela GloboPlay. O longa retrata a realidade de pessoas comuns nas periferias do Brasil. Durante as gravações, a equipe de produção visitou o Morro da Cruz e levou Crystom e sua mãe ao Projac, em São Paulo. Foi nesse momento que ele percebeu que seu sonho poderia se tornar realidade.
Na época, trabalhava como motoboy. Contudo, ao conhecer uma equipe de audiovisual composta integralmente por profissionais negros, sentiu-se pertencente e motivado a buscar mais. Decidiu ingressar em um cursinho pré-vestibular popular e, no ano seguinte, tornou-se o primeiro de sua família a entrar na universidade.
Uma experiência marcante foi sua viagem ao Rio de Janeiro, onde, ao conversar com moradores locais, percebeu que muitos tinham uma visão distorcida sobre o Rio Grande do Sul, desconhecendo a presença de negros e periferias no Estado. Esse episódio reforçou nele o desejo de levar a realidade do Morro da Cruz ao mundo.
Incentivado por um professor da universidade que viu grande potencial em seu trabalho, Crystom Afronário escreveu o roteiro de um curta-metragem e iniciou as captações com um elenco composto por moradores da comunidade. O filme, intitulado "Aconteceu à Luz da Lua", foi inscrito no edital da Lei Paulo Gustavo e tem previsão de lançamento para agosto de 2025, com estreia programada no aclamado Festival de Cinema de Gramado.

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