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Porto Alegre, quarta-feira, 25 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 26/04/2018. Alterada em 25/04 às 20h57min

Término da duplicação da BR-116 é uma prioridade

É quase incrível que, nas obras públicas brasileiras em geral, os ordenadores de despesas, os que elaboram orçamentos anuais e as empreiteiras não tenham, efetivamente, um organograma que preveja o início, o andamento e a conclusão, por exemplo, de uma rodovia. É justamente o que está acontecendo com a duplicação da BR-116 Sul. Tanto é importante a obra que, no dia 20 de abril, estiveram reunidas em Camaquã autoridades federais, estaduais e municipais para pressionar e pedir agilidade no serviço. Presentes prefeitos e vereadores dos municípios da Zona Sul e da Costa Doce. Piorando a situação, sabe-se que o trecho Pantano Grande/Pelotas é a rodovia de mais acidentes graves no Brasil.
Ligando diversas cidades importantes tanto socialmente quanto, mais ainda, economicamente, a BR-116 Sul escoa produtos gaúchos e, até há pouco tempo, algo que o governo estadual quer reativar, a ligação com o polo naval de Rio Grande. Tanto isso é verdade que estudo do Escritório de Desenvolvimento Regional da Universidade Católica de Pelotas estima que o término da duplicação da rodovia vai gerar um incremento diário de R$ 2 milhões para o Rio Grande do Sul. A conclusão da obra de duplicação trará um crescimento tanto da produção quanto dos serviços.
Haverá circulação maior de mercadorias, aumentando a arrecadação de municípios e do Estado. Igualmente, haverá a diminuição do custo logístico em torno de R$ 70,00 devido à otimização da velocidade e da redução do gasto com combustível. Circulam na BR-116 Sul, diariamente, cerca de 30 mil veículos. Sendo assim, falecem as frases explicativas sobre o não término da obra, atrasada pela negligência no planejamento financeiro de trabalho tão importante economicamente. Há cerca de 88 anos, Washington Luiz, então presidente, dizia que "governar o Brasil era abrir estradas". Passadas tantas décadas, isso continua atual, mesmo que se deplore o abandono das ferrovias e também de muitas hidrovias que poderiam desafogar a hoje geralmente saturada ou insuficiente malha rodoviária nacional, e com custo de transporte mais barato. O que se quer é a planejada e acurada utilização dos recursos públicos em obras importantes e que ajudam no desenvolvimento do Rio Grande do Sul e de todo o País. É inconcebível que a duplicação de uma rodovia seja iniciada em um ano e que, no outro, não haja verbas para a sua continuidade. É um erro tão elementar, tão grosseiro, que nenhuma família o cometeria, pois, sabemos, melhorias e reformas nas moradias sempre são antecipadas por análise de custos e capacidade de pagamento.
No quesito obras federais paralisadas, o Rio Grande do Sul - e nele a capital gaúcha - tem um exemplo emblemático. Trata-se da nova ponte sobre o Guaíba, iniciada e, também ela, paralisada. Com pressão, idas a Brasília, pedidos de apoio a parlamentares, críticas na imprensa, aí surge mais uma verba. No entanto, e quase sempre, garante serviços por seis meses ou um ano. Em seguida, novas paralisações. Isso é uma triste rotina. Uma rotina que empobrece o Rio Grande do Sul em todos os sentidos, começando pela necessária infraestrutura. Não se pode mais admitir a falta de planejamento financeiro como algo corriqueiro.
É imperioso que os governantes, em todos os níveis, projetem obras com a garantia de recursos até a sua conclusão. Mas evitando os hoje famosos aditivos, alguns dos quais, em certas execuções, acabam por esconder desvio de verbas e pagamento de propinas. Então, que a duplicação da BR-116 Sul seja ultimada. É isso o que o Rio Grande do Sul quer.
 
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