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Porto Alegre, domingo, 22 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 23/04/2018. Alterada em 22/04 às 22h03min

União Europeia tem interesses e afasta concorrentes

Mais uma vez, os interesses comerciais de um bloco, no caso a União Europeia (UE), prevaleceram sobre as melhores normas da Organização Mundial do Comércio (OMC). O alvo dos concorrentes da carne de frango brasileira foram os nossos produtores. Querem bloquear o nosso País. Após cerca de um ano da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, eis que uma nova investigação por certificados falsos acabou por servir de bandeja tudo o que a União Europeia queria, ou seja, barrar o que exportamos em larga escala. A sorte é que não vendemos apenas para o Velho Mundo, mas para 160 países. Porém, a mácula de que não temos níveis sanitários satisfatórios fica. A alegação é a de que algumas empresas estavam apresentando problemas com salmonela.
Infelizmente, o Ministério da Agricultura confirmou que os embargos da União Europeia vão impactar em até 35% as exportações da carne de frango brasileira.
Afinal, estão barrados de exportar para a União Europeia 20 frigoríficos. O impacto é grande, e o mercado terá que ser substituído muito rapidamente por outros. Sim, temos outros mercados no exterior e, mais do que isso, o consumo nacional, onde o alto preço da carne bovina faz muitos optarem pela de frango, mais barata e menos pesada.
A UE usou o artifício de proibição vinculando-a a deficiências detectadas no nosso sistema oficial de controle sanitário. Prova da astúcia pouco disfarçada dos europeus é que se o Brasil decidir pagar um imposto de 1.024 euros por tonelada, e exportar o frango como carne in natura, não haverá restrição. Ora, isso é uma imposição esdrúxula e derruba a reclamação sobre sanidade do nosso produto. Por isso mesmo, o Brasil vai recorrer à Organização Mundial de Comércio (OMC) contra as restrições à carne brasileira pelo bloco.
Agora, para os frigoríficos embargados serem restabelecidos no mercado da UE, é necessário pedir uma nova missão ao País, para terem a segurança de que a situação das empresas está correta. Para analisar todos os processos, haverá reunião com cooperativas e empresas nesta semana, em Brasília. Assim, será possível fazer um bom raio X dos problemas que estão postos.
O importante é que as empresas embargadas se adequem às exigências e voltem a exportar frango para a UE. No entanto, terão que cumprir uma lista de condições que a comunidade europeia deve apresentar. Após a deflagração da 1ª fase da Operação Carne Fraca, em março de 2017, a divulgação de informações criou um pânico nos mercados com os quais o Brasil trabalhava. A ação da Polícia Federal apurou então um esquema de corrupção na fiscalização de frigoríficos e a suspeita de venda de carne vencida e de qualidade duvidosa.
Por isso, a fiscalização ampliou-se para 100% das nossas exportações. Depois do trabalho do Ministério da Agricultura, o número de cargas rejeitadas caiu para 10, contra 70, de pouco tempo antes. Mesmo com os problemas, autoridades dizem que estamos dentro de um nível aceitável e melhor que muitas partes do mundo. As consequências da proibição já se fazem sentir, eis que a BRF anunciou que dará férias coletivas de 30 dias a cerca de 2 mil funcionários da linha de abate de aves do frigorífico de Toledo, no Oeste do Paraná, a partir do dia 2 de julho. Como sempre é dito, entre países ou blocos não existe amizade, mas interesses.
Assim, fica mais uma lição para os frigoríficos envolvidos no assunto e que amargarão prejuízos, levando a economia nacional de roldão no setor das exportações agrícolas, justamente elas que têm permitido um bom saldo comercial. Temos que enfrentar o problema, e logo.
 
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