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Porto Alegre, terça-feira, 17 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 18/04/2018. Alterada em 17/04 às 21h40min

Paz na Síria precisa de um acordo multilateral

Como é comum no Oriente Médio, famílias poderosas ou de políticos influentes permanecem no poder por décadas, com eleições que, para os observadores ocidentais, nada mais são do que um simulacro para esconder algo previamente sabido, a eleição e reeleição dos mesmos mandatários ou de seus favoritos. Tudo indica que na Síria é isso o que vem ocorrendo desde 1970, quando pai e filho se sucederam no comando do país até agora.
Então, após seis anos, a guerra civil na Síria tem origens que passam pela Primavera Árabe, no Oriente Médio e na África, e por outros episódios do complexo contexto geopolítico da região. Mais de 400 mil mortes e cinco milhões de refugiados depois, o país passa por um dos seus momentos mais delicados, em meio ao aumento da tensão após bombardeios de Estados Unidos da América (EUA), França e Grã-Bretanha a uma base aérea síria, por conta de um suposto ataque com armas químicas por parte do governo contra rebeldes, no qual teriam morrido mulheres e crianças. Como também ocorreu ao longo do século XX, a Síria serve de palco para que as potências façam suas guerras à distância, sem se envolverem diretamente. Pelo menos não com tropas, as quais, por parte dos norte-americanos, pagaram alto preço nas guerras da Coreia, que acabou dividida entre comunista e capitalista Coreia do Norte e Coreia do Sul, nos anos de 1950, e, depois, no Vietnã.
A sequência de revoltas populares ocorridas em diferentes países contra regimes ditatoriais e em busca de melhorias sociais para a população teve início em 2010. A começar pela Tunísia, os governantes de nações como Egito, Líbia, Iêmen, Bahrein, Jordânia e Angola presenciaram levantes em suas cidades, da mesma forma como ocorreu na Síria. Chocando o mundo com imagens de decapitações e assumindo autoria de ataques ocorridos nos últimos anos em grandes centros mundiais, o Estado Islâmico (EI) é o principal grupo terrorista em território sírio.
Os rebeldes armados chegaram a ocupar províncias importantes do país, propagando o terror ao sequestrar pessoas, destruir patrimônios culturais e prédios da região. Porém, desde o ano passado, as tropas governamentais do presidente Bashar al-Assad têm reconquistado algumas cidades que estavam sob o controle do EI, como Khanaser, Palmira e Aleppo. Rebeldes curdos e integrantes de outros grupos, como a Frente al-Nusra, também fazem parte da oposição ao regime sírio. Apoiado por Estados Unidos e outros países do Ocidente, um plano de transição política para o país foi proposto em setembro passado pelo Alto Comitê de Negociações da Síria, que engloba 30 facções políticas e militares. Os grupos terroristas, interessados em derrubar al-Assad, são financiados por países como Arábia Saudita e Qatar, e contam com o aval tecnológico e financeiro de França e Estados Unidos. Bashar al-Assad é filho de Hafez al-Assad, que governou a Síria entre 1970 e 2000. Há 17 anos no poder, o atual ditador foi reeleito em 2014 para mandato de sete anos, nas primeiras eleições com mais de um candidato ocorridas no país em mais de meio século. O pleito, no entanto, foi considerado uma farsa pelos opositores. A posição estratégica da Síria, saída importante para o Mar Mediterrâneo, é a maior razão da guerra, já que tem relação com a geopolítica do petróleo, apontada como a essência dos conflitos no Oriente Médio.
Mesmo se sabendo que guerras façam parte da história da humanidade, observadores dizem que os ataques ocidentais na Síria foram pontuais. Por isso, o que todos esperam é que as ações bélicas sejam encerradas, com acordo multilateral.
 
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