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Porto Alegre, quinta-feira, 19 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 20/04/2018. Alterada em 19/04 às 21h02min

As notícias falsas prejudicam toda a sociedade

O escândalo do vazamento de muitos milhões de dados de usuários da maior rede social do mundo, o Facebok, comprovou que poucos podem garantir a sua individualidade e privacidade, neste mundo dominado pelas tecnologias virtuais. Tanto é assim que Mark Zuckerberg, o Chief Executive Office (CEO) do Facebook, testemunhou em uma sessão conjunta das comissões de Justiça e Comércio dos Estados Unidos e voltou a se desculpar pelo caso Cambridge Analytica.
O CEO do Facebook disse que a violação dos dados dos usuários foi um erro seu, que a empresa está investigando outras possíveis irregularidades e procurando maneiras de informar melhor as pessoas sobre a política de privacidade. Além disso, fez uma promessa que interessa demais aos brasileiros, ou seja, fazer de tudo para garantir a integridade de eleições em países como Brasil e Índia, que irão às urnas em 2018. Também há montagens e dublagens enganando muitos nas redes sociais. Entre as notícias falsas que, ciclicamente, voltam às redes sociais, temos as que dizem que a epidemia de Aids foi criada em laboratórios para dizimar homossexuais. Ou que a vacina contra sarampo causava autismo, além da que afirmava, peremptoriamente, que os haitianos estavam trazendo o Ebola para o Brasil. Lendas urbanas e notícias falsas sempre existiram, mas sua circulação ganhou proporções inusitadas com o advento da internet e das redes sociais.
Para analistas, um aspecto surpreendente na dinâmica de transmissão das agora fake news é o misto de credulidade e desprendimento que leva as pessoas a compartilharem informações forjadas sem nenhuma preocupação em checar as fontes. Em parte, isso se deve a uma teoria da conspiração latente no inconsciente coletivo. Acrescentar "o governo está escondendo as mortes" na menção a qualquer doença infecciosa, como a influenza ou febre amarela, ou incluir "a indústria tem interesse de lucrar fortunas" em um parágrafo sobre vacinas são fórmulas garantidas para convencer o nem sempre desconfiado cidadão.
Mas, isso não tem graça alguma e é, às vezes, até perigosamente trágico. O fato é que as notícias falsas, não são inócuas. No Brasil, notícias de que a microcefalia era causada pela vacina tríplice viral causaram declínio na cobertura contra sarampo, caxumba e rubéola no Nordeste. Informações de caráter científico questionável culparam os larvicidas, uma importante linha de combate ao Aedes aegypti pelas manifestações fetais do zika vírus e receberam a adesão apressada e impensada de diversos ambientalistas. Há outros exemplos semelhantes em todo o mundo.
Esses rumores levam a uma desconfiança na ciência e nas medidas racionais de prevenção de doenças. O movimento antivacinal é um dos mais ruidosos geradores de notícias falsas, prejudicando campanhas essenciais para prevenir moléstias graves e epidemias, como tivemos e ainda temos no Brasil.
Desta maneira, existe quem propugne por uma vacina contra as fake news. Para desenhá-la, há que se ter em mente que o distanciamento entre a população, as autoridades de saúde pública e os pesquisadores torna a coletividade vulnerável às redes sociais digitais, vetores de informações inconsistentes. Sociedades de especialistas devem desempenhar importante papel de reaproximar as pessoas da ciência, divulgando informações de forma clara e orientando sobre a prevenção das doenças infecciosas. É meta difícil, mas não impossível de ser atingida.
 
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