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Porto Alegre, segunda-feira, 23 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 24/04/2018. Alterada em 23/04 às 21h00min

A crise Estados Unidos-China e alta da soja no Brasil

A China, maior compradora de soja, pode não apenas pagar mais pela oleaginosa se impuser tarifas às importações norte-americanas, mas também criar novos compradores do produto dos Estados Unidos, já que a medida mexe em fluxos globais de comércio.
Simultaneamente, o Brasil projeta produção e exportação de soja recordes, gerando divisas na ordem de US$ 36 bilhões em 2018. Serão 118,9 milhões de toneladas. O apetite voraz da China pela oleaginosa excede as exportações globais, excluindo-se os EUA, de modo que a oferta proveniente de estados norte-americanos como Illinois e Iowa pode ser desviada para unidades de processamento da América do Sul.
A proposta da China para uma tarifa de 25% sobre a soja dos EUA, parte de sua resposta aos planos norte-americanos de impor tarifas sobre uma série de produtos chineses, já elevou os preços dos outros dois grandes fornecedores, Brasil e Argentina.
A disputa é a mais recente de uma série de batalhas comerciais desde que Donald Trump se tornou presidente dos Estados Unidos em janeiro de 2017, o que já está prejudicando o setor agrícola daquele país. Compradores mexicanos impulsionaram as compras de milho do Brasil depois que Trump ameaçou romper o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), enquanto sua decisão de não se juntar à Aliança Transpacífica ameaça as vendas de trigo dos EUA para o Japão. Na Argentina, igualmente, a confusão pela guerra comercial entre os EUA e a China fez os preços internos subirem no país vizinho.
A Argentina já comprou 240 mil toneladas de soja dos Estados Unidos, sua maior compra em 20 anos, com as vendas registradas para o ano comercial de 2018/2019, que começam em setembro.
Os grandes prêmios para a soja sul-americana poderiam criar uma triangulação, com os esmagadores argentinos comprando dos Estados Unidos e enviando seus produtos para a China. O aumento do custo da soja sul-americana também melhorou a competitividade do fornecimento norte-americano em outros mercados, como a União Europeia, o segundo maior importador do mundo.
Técnicos europeus do setor agrícola dizem que se a China levar a soja da América do Sul, outros grandes importadores como a União Europeia, México, Japão, Taiwan, Tailândia, Indonésia, Vietnã e Egito terão que encontrar novos suprimentos. Ora, isso é muito bom para o Brasil, com o Rio Grande do Sul sendo um dos beneficiados diretos, pois somos grandes produtores da oleaginosa.
Por isso e melhorando as expectativas quanto à guerra comercial, a alta do preço da soja será um bom contraponto à safra menor gaúcha do produto, ainda que colheita muito boa.
O importante, no caso do Rio Grande do Sul, é que os produtores continuem apostando e acreditando, como sempre, aliás, no futuro da terra. Criticados por uns poucos com viés nitidamente ideológicos, mas sem fundamentos factíveis, nossos agricultores alimentam o Estado, o Brasil e muitos até no exterior. Esse mérito, ninguém tira do setor agrícola desde sempre.
Persistir, perseverar, trabalhar e planejar muito só nos trará bons resultados. E é disso que o Rio Grande do Sul mais necessita, vontade de acertar, esforço conjunto, trabalho e muita persistência em prol dos melhores resultados. E agora, ser otimista tem motivos reais.
 
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